
?O primeiro m?s de 2015 j? passou da metade e a nova equipe econ?mica — liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy — trabalha a todo vapor para melhorar as contas p?blicas e, por tabela, a vida da popula??o. Mas o que efetivamente vai mudar na vida do brasileiro?
O ano come?ou com not?cias que v?o pesar no bolso do consumidor, a come?ar pelos impostos mais altos, a escalada da infla??o e conta de energia mais cara (veja exemplos no quadro abaixo).
A nova equipe econ?mica de Dilma Rousseff j? deixou claro que a prioridade ? equilibrar as contas p?blicas. Mas, para ajustar o or?amento, o corte de R$ 1,9 bilh?o nos gastos mensais do governo, anunciado no in?cio deste m?s, n?o ser? suficiente.
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Por isso, ? necess?rio tamb?m aumentar a arrecada??o. O pacote de eleva??o de tributos foi anunciado pelo ministro Levy na ?ltima segunda-feira (19) e deve aumentar a receita do governo em R$ 20 bilh?es no ano de 2015.
O aumento mais significativo vir? dos impostos dos combust?veis. O governo aumentou a Cide (Contribui?es de Interven??o no Dom?nio Econ?mico) e o Pis/Cofins da gasolina e do diesel. Somando os dois impostos, a gasolina vai ficar R$ 0,22 mais cara e o diesel pode vai subir R$ 0,15.
Esse aumento vai impactar diretamente as refinarias de petr?leo, mas a Petrobras j? avisou que vai repassar os impostos para as distribuidoras. Isso significa que, nas bombas, a gasolina e o diesel tamb?m devem ficar mais caros.
Energia el?trica
Outra conta a ficar mais cara em 2015 deve ser a de luz. Empresas de consultoria procuradas pelo R7 estimam que o aumento total na conta de energia neste ano deve ser de, em m?dia, 40%. Isso porque o governo cortou do Or?amento os R$ 9 bilh?es que estavam previstos para subsidiar as concession?rias de energia neste ano.
Com isso, as empresas v?o ter de rever as contas. Em reuni?o na ?ltima ter?a-feira (20), a Aneel (Ag?ncia Nacional de Energia El?trica) concluiu que vai precisar de um reajuste no valor de R$ 23 bilh?es em 2015 — valor que deve ser cobrado do consumidor.
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Al?m disso, ser? inclu?do o dinheiro para pagar o empr?stimo feito no ano passado, usado para financiar o desconto concedido por Dilma Rousseff em 2013.
O presidente da Trade Energy, Walfrido ?vila, avalia ainda que o acionamento das termel?tricas ? outro fator que vai encarecer a conta de luz.
— N?s vamos pagar mensalmente uma parte dos empr?stimos feitos pelas concession?rias ano passado, que deixou de ser cobrada, e a gera??o t?rmica deste ano, que deve ser paga. Por isso esse aumento grande.
Com um aumento de 40% na conta, quem paga hoje R$ 50 pelo consumo de energia vai ver a despesa pular para R$ 70. Esse aumento ser? sentido ao longo do ano.
No entanto, de acordo com a proje??o da Consultoria PSR, j? em fevereiro os consumidores devem ter de pagar pelo menos 14% a mais pela energia. Isso porque a Aneel deve autorizar, ainda em janeiro, um reajuste extraordin?rio das tarifas.
Infla??o e juros
Com gasolina e energia mais caras, os pre?os dos produtos tamb?m v?o ficar pressionados. A previs?o do mercado financeiro ? de que a infla??o deste ano deve ser maior que a de 2014 — que ficou em 6,4%. De acordo com as proje?es, o brasileiro deve perder 6,6% do poder de compra ao longo de 2015 — um percentual maior que o teto da meta do governo, que ? de 6,5%.
Nesse cen?rio, um trabalhador que ganha R$ 1.000 de sal?rio, teria um poder de compra de R$ 934 (R$ 66 da remunera??o seriam engolidos pela infla??o acumulada), sem considerar os reajustes salariais concedidos ?s categorias de trabalhadores durante o ano.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, j? admitiu que em janeiro a infla??o vai subir. Segundo ele, gastos extras com material escolar e os reajustes das passagens de ?nibus s?o alguns dos fatores que v?o pressionar os pre?os.
— Em janeiro, realmente a infla??o deve ser um pouco mais alta do que em alguns meses do ano passado. Em parte ? porque janeiro e fevereiro s?o meses em que, todo ano, tem mais reajustes, como de escola, IPTU, ?nibus etc. Al?m disso, para a economia voltar a crescer, temos que fazer algumas arruma?es e isso pode mexer em alguns pre?os.
Para controlar a infla??o, a taxa de juros cobrada pelo bancos, que ? estabelecida pelo Banco Central, tamb?m deve subir 0,75 ponto percentual ao longo de 2015. A previs?o do mercado financeiro, feita em janeiro, ? de que a Selic passe dos atuais 11,75% para 12,50% at? o fim do ano.
De acordo com c?lculos da Anefac (Associa??o Nacional dos Executivos de Finan?as, Administra??o e Contabilidade), se a previs?o se confirmar, uma geladeira de R$ 1.500 financiada em 12 meses, por exemplo, vai ficar R$ 7 mais cara no valor final. J? um carro popular de R$ 25 mil financiado em 60 meses pode ter um acr?scimo de R$ 617 no valor final.
Fim das isen?es
Outra medida adotada pela equipe econ?mica do segundo mandato de Dilma, que vai refletir no aumento do pre?o dos produtos, ? o fim das isen?es de impostos.
Para incentivar o consumo e manter a economia aquecida, Dilma vinha concedendo, desde 2012, diversas desonera?es, aliviando os impostos para baratear os custos e possibilitar a queda nos pre?os. Mas, como agora o governo precisa aumentar a arrecada??o, quer os impostos de volta.
O governo j? aumentou, por exemplo, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos cosm?ticos, alegando que precisa equiparar o tributo que ? cobrado na ind?stria com a taxa vigente no setor de atacado dos produtos.
O IPI de autom?veis zero-quil?metro chegou a 3% na ?poca do pacote de bondades. Com o fim da desonera??o, passa para 7% no caso dos carros populares.
Na avalia??o do professor do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade de Campinas) Andr? Biancarelli, a pol?tica de desonera?es n?o funcionou e agora o governo ter? de voltar atr?s para recuperar a receita que deixou de ganhar nos ?ltimos dois anos.
— ? uma boa hora para rediscutir as isen?es porque isso custou muito caro para o Brasil. No ano passado, as estimativas apontam para um custo de R$ 80 bilh?es e claramente isso n?o deu o resultado esperado, seja do ponto de vista da produ??o industrial, seja do ponto de vista do investimento. ? uma pol?tica que n?o deu certo.
O PIS/Cofins de produtos importados ? outra al?quota que vai ficar mais cara em 2015. Se hoje a importa??o de produtos ? tributada a uma taxa de 9,25%, a partir da publica??o do decreto do governo o imposto vai passar para 11,75%.