Piaui em Pauta

Saiba o que vai mudar no seu bolso com as novas medidas econômicas do governo.

Publicada em 21 de Janeiro de 2015 às 11h40


?O primeiro m?s de 2015 j? passou da metade e a nova equipe econ?mica — liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy — trabalha a todo vapor para melhorar as contas p?blicas e, por tabela, a vida da popula??o. Mas o que efetivamente vai mudar na vida do brasileiro?

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O ano come?ou com not?cias que v?o pesar no bolso do consumidor, a come?ar pelos impostos mais altos, a escalada da infla??o e conta de energia mais cara (veja exemplos no quadro abaixo).

A nova equipe econ?mica de Dilma Rousseff j? deixou claro que a prioridade ? equilibrar as contas p?blicas. Mas, para ajustar o or?amento, o corte de R$ 1,9 bilh?o nos gastos mensais do governo, anunciado no in?cio deste m?s, n?o ser? suficiente.

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Por isso, ? necess?rio tamb?m aumentar a arrecada??o. O pacote de eleva??o de tributos foi anunciado pelo ministro Levy na ?ltima segunda-feira (19) e deve aumentar a receita do governo em R$ 20 bilh?es no ano de 2015.

O aumento mais significativo vir? dos impostos dos combust?veis. O governo aumentou a Cide (Contribui?es de Interven??o no Dom?nio Econ?mico) e o Pis/Cofins da gasolina e do diesel. Somando os dois impostos, a gasolina vai ficar R$ 0,22 mais cara e o diesel pode vai subir R$ 0,15.

Esse aumento vai impactar diretamente as refinarias de petr?leo, mas a Petrobras j? avisou que vai repassar os impostos para as distribuidoras. Isso significa que, nas bombas, a gasolina e o diesel tamb?m devem ficar mais caros.

Energia el?trica

Outra conta a ficar mais cara em 2015 deve ser a de luz. Empresas de consultoria procuradas pelo R7 estimam que o aumento total na conta de energia neste ano deve ser de, em m?dia, 40%. Isso porque o governo cortou do Or?amento os R$ 9 bilh?es que estavam previstos para subsidiar as concession?rias de energia neste ano.

Com isso, as empresas v?o ter de rever as contas. Em reuni?o na ?ltima ter?a-feira (20), a Aneel (Ag?ncia Nacional de Energia El?trica) concluiu que vai precisar de um reajuste no valor de R$ 23 bilh?es em 2015 — valor que deve ser cobrado do consumidor.

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Al?m disso, ser? inclu?do o dinheiro para pagar o empr?stimo feito no ano passado, usado para financiar o desconto concedido por Dilma Rousseff em 2013.

O presidente da Trade Energy, Walfrido ?vila, avalia ainda que o acionamento das termel?tricas ? outro fator que vai encarecer a conta de luz.

— N?s vamos pagar mensalmente uma parte dos empr?stimos feitos pelas concession?rias ano passado, que deixou de ser cobrada, e a gera??o t?rmica deste ano, que deve ser paga. Por isso esse aumento grande.

Com um aumento de 40% na conta, quem paga hoje R$ 50 pelo consumo de energia vai ver a despesa pular para R$ 70. Esse aumento ser? sentido ao longo do ano.

No entanto, de acordo com a proje??o da Consultoria PSR, j? em fevereiro os consumidores devem ter de pagar pelo menos 14% a mais pela energia. Isso porque a Aneel deve autorizar, ainda em janeiro, um reajuste extraordin?rio das tarifas.

Infla??o e juros

Com gasolina e energia mais caras, os pre?os dos produtos tamb?m v?o ficar pressionados. A previs?o do mercado financeiro ? de que a infla??o deste ano deve ser maior que a de 2014 — que ficou em 6,4%. De acordo com as proje?es, o brasileiro deve perder 6,6% do poder de compra ao longo de 2015 — um percentual maior que o teto da meta do governo, que ? de 6,5%.

Nesse cen?rio, um trabalhador que ganha R$ 1.000 de sal?rio, teria um poder de compra de R$ 934 (R$ 66 da remunera??o seriam engolidos pela infla??o acumulada), sem considerar os reajustes salariais concedidos ?s categorias de trabalhadores durante o ano.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, j? admitiu que em janeiro a infla??o vai subir. Segundo ele, gastos extras com material escolar e os reajustes das passagens de ?nibus s?o alguns dos fatores que v?o pressionar os pre?os.

— Em janeiro, realmente a infla??o deve ser um pouco mais alta do que em alguns meses do ano passado. Em parte ? porque janeiro e fevereiro s?o meses em que, todo ano, tem mais reajustes, como de escola, IPTU, ?nibus etc. Al?m disso, para a economia voltar a crescer, temos que fazer algumas arruma?es e isso pode mexer em alguns pre?os.

Para controlar a infla??o, a taxa de juros cobrada pelo bancos, que ? estabelecida pelo Banco Central, tamb?m deve subir 0,75 ponto percentual ao longo de 2015. A previs?o do mercado financeiro, feita em janeiro, ? de que a Selic passe dos atuais 11,75% para 12,50% at? o fim do ano.

De acordo com c?lculos da Anefac (Associa??o Nacional dos Executivos de Finan?as, Administra??o e Contabilidade), se a previs?o se confirmar, uma geladeira de R$ 1.500 financiada em 12 meses, por exemplo, vai ficar R$ 7 mais cara no valor final. J? um carro popular de R$ 25 mil financiado em 60 meses pode ter um acr?scimo de R$ 617 no valor final.

Fim das isen?es

Outra medida adotada pela equipe econ?mica do segundo mandato de Dilma, que vai refletir no aumento do pre?o dos produtos, ? o fim das isen?es de impostos.

Para incentivar o consumo e manter a economia aquecida, Dilma vinha concedendo, desde 2012, diversas desonera?es, aliviando os impostos para baratear os custos e possibilitar a queda nos pre?os. Mas, como agora o governo precisa aumentar a arrecada??o, quer os impostos de volta.

O governo j? aumentou, por exemplo, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos cosm?ticos, alegando que precisa equiparar o tributo que ? cobrado na ind?stria com a taxa vigente no setor de atacado dos produtos.

O IPI de autom?veis zero-quil?metro chegou a 3% na ?poca do pacote de bondades. Com o fim da desonera??o, passa para 7% no caso dos carros populares.

Na avalia??o do professor do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade de Campinas) Andr? Biancarelli, a pol?tica de desonera?es n?o funcionou e agora o governo ter? de voltar atr?s para recuperar a receita que deixou de ganhar nos ?ltimos dois anos.

— ? uma boa hora para rediscutir as isen?es porque isso custou muito caro para o Brasil. No ano passado, as estimativas apontam para um custo de R$ 80 bilh?es e claramente isso n?o deu o resultado esperado, seja do ponto de vista da produ??o industrial, seja do ponto de vista do investimento. ? uma pol?tica que n?o deu certo.

O PIS/Cofins de produtos importados ? outra al?quota que vai ficar mais cara em 2015. Se hoje a importa??o de produtos ? tributada a uma taxa de 9,25%, a partir da publica??o do decreto do governo o imposto vai passar para 11,75%.
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Fonte: R7  |  Publicado por: Da Redação
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