
O ministro da sa?de, Henrique Mandetta, mudou neste s?bado (28) o tom novamente de suas declara?es sobre isolamento social. Na quarta-feira, ele tinha ajustado o seu discurso ao do presidente Jair Bolsonaro, contr?rio a um isolamento mais geral e favor?vel ao isolamento apenas de doentes cr?nicos e de idosos e pessoas de 60 anos e mais.
Embora n?o tenha sido direto e expl?cito, neste s?bado Mandetta foi mais enf?tico na defesa de que as pessoas que podem devem ficar em casa. Ele justificou sua defesa de que as pessoas devem permanecer em casa para que o sistema de sa?de n?o se sobrecarregue, aumentando a letalidade da Covid 19 por falta de leitos e de UTI.
Ele disse que o fato de as pessoas estarem em casa j? fez, por exemplo, o n?mero de internados por acidentes de tr?nsito diminuir, o que liberou espa?o para os que precisam se tratar da Covid:
" Mais uma raz?o pra gente diminuir bastante a atividade de circula??o de pessoas no intuito de diminuir o trauma, que ? um efeito tamb?m secund?rio, ben?fico, al?m do efeito de diminuir a transmiss?o", ele disse.
O ministro afirmou: "Mais uma raz?o pra gente ficar em casa, parado, at? que a gente consiga colocar os equipamentos na m?o dos profissionais que precisam. Porque se a gente sair andando todo mundo de uma vez vai faltar pro rico, pro pobre, pro dono da empresa, pro dono do botequim, pro dono de todo mundo".
Crit?rios t?cnicos
Mandetta disse que vai se pautar por crit?rios t?cnicos e pela ci?ncia:
"N?s precisamos ter racionalidade e n?o nos mover por impulso neste momento. N?s vamos nos mover, como eu disse desde o princ?pio, pela ci?ncia e pela parte t?cnica, com planejamento. Pensando em todos os cen?rios quando a gente fala de colapso, de sobrecarga, ou de sobreuso no sistema, a gente t? falando disso. N?o s? de sobrecarga na sa?de, mas, por exemplo, na log?stica."
Desafio in?dito
O ministro da sa?de enfatizou que o desafio do novo coronav?rus ? in?dito no mundo. E que a doen?a ataca a sa?de, a economia e a sociedade como um todo. E que por esse motivo exige toda a cautela:
"E a? eu volto a repetir: muitas vezes... Hoje est? cheio de professor de epidemiologia, cheio de fazedores de conta, de c?lculos. Preste aten??o: essa epidemia ? totalmente diferente da H1N1."
"N?o h? receita de bolo. Quem raciocinar pensando: nesta aqui foi assim, vai errar feio. Essa n?o ? assim. Essa causou n?o uma letalidade pro indiv?duo, n?o ? esse o nosso problema. Nem daqueles que falam assim: ah essa doen?a vai matar s? 5 mil, s? 10 mil. N?o ? essa a conta", ele disse.
"A conta ?: esse v?rus ele ataca o sistema de sa?de e ataca o sistema da sociedade como um todo. Ele ataca log?stica, ele ataca educa??o, ele ataca economia, ele ataca uma s?rie de estruturas no mundo."
A entrevista foi precedida por uma reuni?o na manh? de hoje entre o presidente Jair Bolsonaro e outros ministros. Isso gerou novamente boatos de que o ministro seria demitido por discordar do presidente na quest?o do isolamento na atual fase da pandemia. Mandetta comentou os rumores:
"Eu sei que hoje, essa semana, todo mundo ficou 'mas e o ministro? ele sai? ministro n?o sai?'. Eu volto a repetir: vou ficar aqui junto com voc?s, enquanto o presidente permitir, enquanto eu tiver sa?de e n?o puder sair. E digo mais, aqui no fundo do Minist?rio da Sa?de tem um lugarzinho pra uma creche, tem um quarto, se toda a equipe aqui estiver com gripe e tiver tudo bem, inclusive eu, n?s vamos ficar no quartinho ali, pra gente ficar perto pra pelo menos a gente ficar conversando"
"Ou na hora que n?o for mais necess?rio n?s estarmos aqui, na hora que falarmos 'olha, cumprimos o nosso dever', e t? encerrada a nossa participa??o no Minist?rio da Sa?de. E vamos trabalhar com essa equipe e vamos terminar com essa equipe."
Setores essenciais
O ministro da sa?de descartou nesse momento a discuss?o sobre quarentena vertical - s? de idosos - ou horizontal, que pega todas as idades.
Ele disse que o que n?o pode haver ? uma parada de todos, em todo o Brasil. Um discurso compat?vel com o que vem sendo praticado: fica em casa quem pode para que os trabalhadores de setores essenciais possam trabalhar, entre eles aquele que abastecem as cidades de alimentos e outros insumos:
"N?o existe quarentena vertical, horizontal. Existe a necessidade de arbitrar em determinado tempo qual o grau de reten??o que uma sociedadade deve fazer", disse o ministro.
"O lockdown - parada absoluta ou total - pode vir a ser necess?rio, em algum momento, em alguma cidade. O que n?o existe ? um lockdown ao mesmo tempo, desarticulado. Isso ? um desastre que vai causar muito problema pra n?s da sa?de", ele afirmou.
Articula??o
O ministro da sa?de disse que tudo precisa ser articulado, num acordo nacional entre prefeitos, governadores e governo federal.
O ministro disse que os governadores devem seguir os par?metros que adotaram at? aqui:
"Agora n?o ? hora de sobrecarregar o sistema de sa?de seja em nome do que for. Agora ? hora de aguardar, vamos ver como essa semana vai se comportar, e n?s vamos ter nessa semana a discuss?o dentro da Sa?de para achar os par?metros, aqueles que tomaram medidas de acordo com a sua localidade sem o par?metro, usou o par?metro pr?prio, utiliza o seu par?metro que n?s vamos construir um consenso para n?s podermos andar."
O ministro criticou aqueles que querem convocar protestos pelo fim do isolamento:
"Fazer movimento assim?trico, de efeito manada, agora n?s vamos daqui duas semanas, tr?s semanas, os mesmos que falam 'vamos fazer uma carreata de apoio' os mesmos que fizerem v?o ser os mesmos que v?o estar em casa. N?o ? hora agora. "
Jovens em casa e com?rcio
Mandetta explicou por que o com?rcio n?o pode reabrir e tamb?m por que os jovens t?m de ficar em casa, apesar de terem apenas sintomas leves em sua maioria:
"Por que se suspendem aulas? Se todas as crian?as e jovens, como voc?s viram, se t?m a doen?a e s?o assintom?ticos e s?o sintomas leves, por que a gente os tira da aula? Muitas vezes ? o que fala: 'Deixa as crian?as e adolescentes'. ? porque eles s?o assintom?ticos e n?o sabem, s? transmitem. Como voltam para casa e casa tem comodo, temos d?ficit habitacional enorme, pode contaminar cinco, seis pessoas. Quando a gente diminui a mobilidade, cada um positivo contamina dois. Quando deixa todo mundo andando, cada um contamina seis, e isso faz progress?o geom?trica, faz essa curva super r?pida."
"Se eu deixar a movimenta??o social cont?nua eu n?o estou preparado para hora que chegar l? no Z? Pereira, na periferia, sobrecarregar em bloco o sistema de sa?de. Todo com?rcio est? falando: eu quero abrir, eu quero abrir. Calma porque vamos ter que fazer isso. Uma regrinha para saberem. Vou abrir assim: fa?o teste com funcion?rio, menos mesa, n?o pode ter fila de espera, buffet, fila um atr?s do outro. Algumas coisas que vamos colocar para serem pontos de refer?ncia. Para n?o falar que est? tratando assim ou assado."
E, pouco antes do fim da entrevista, o ministro elogiou a preocupa??o do presidente Bolsonaro:
"Espero que tenhamos tranquilizado todos voc?s, Vamos trabalhar, essa semana a gente encerra, come?a amanh? domingo com trabalho no Minist?rio da Sa?de e vamos ver se conseguimos fazer um plano m?nimo que compatibilize sa?de e economia. Esse ? nosso trabalho de fim de semana junto com a equipe econ?mica. Como ir, como voltar, o que funciona, o que ? essencial, o que pode rodar a economia. O presidente est? cert?ssimo quando fala que a crise econ?mica vai matar as pessoas. As pessoas n?o aguentar?o a fome. Est? cert?ssimo. E n?s somos 100% engajados em achar a solu??o junto com a equipe da economia. Acho que j? temos uma f?rmula j? trabalhada, eu j? coloquei em discuss?o. Vamos aumentar, vamos melhorar. Precisa de um grande pacto para que possamos sair do outro lado", disse Mandetta.