Piaui em Pauta

Sem concluir votação de projeto de meta fiscal, Congresso encerra sessão.

Publicada em 04 de Dezembro de 2014 às 11h59


?O Congresso Nacional encerrou na madrugada desta quinta-feira (4), depois de mais de 18 horas de debates, a sess?o destinada a votar o projeto enviado pelo governo federal que derruba a meta fiscal prevista para 2014. Os parlamentares aprovaram o texto-base da proposta, mas, por falta de quorum, o ?ltimo destaque (proposta de altera??o ao texto principal) n?o foi votado e uma nova sess?o foi convocada para a pr?xima ter?a-feira (9).
A sess?o foi marcada por troca de acusa?es entre os parlamentares, obstru??o dos oposicionistas e confus?o entre manifestantes que tentaram acompanhar a vota??o do plen?rio. Alguns parlamentares chegaram a dormir em suas poltronas e outros dividiram pacotes de bolachas.
O texto-base foi aprovado por volta de 3h45, mas quatro destaques ficaram pendentes. Tr?s deles foram rejeitados em vota?es simb?licas, sem a contagem de votos. No momento em que o ?ltimo destaque estava sendo discutido, parlamentares da oposi??o pediram vota??o nominal, quando foi detectado que n?o havia o quorum m?nimo de 257 deputados.

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No total, apenas 192 deputados marcaram presen?a na vota??o do ?ltimo destaque. O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou, ent?o, que uma nova sess?o para discutir o texto dever? ocorrer na pr?xima ter?a-feira.

“A democracia exige, sobretudo, que n?s tenhamos paci?ncia para levar o processo legislativo ao final, garantindo a palavra a todos, especialmente, ? minoria. Eu acho que chegamos a bom termo”, afirmou Renan Calheiros ap?s a sess?o.
O que prev? o texto
O projeto discutido pelo Congresso, considerado priorit?rio pelo Pal?cio do Planalto, derruba a meta fiscal e permite ao governo fechar as contas p?blicas sem a obriga??o de cumprir o super?vit prim?rio (economia para pagar os juros da d?vida p?blica) estabelecido para 2014. No in?cio do ano, a previs?o de super?vit era de R$ 116 bilh?es. Com a aprova??o do projeto, passa para R$ 10 bilh?es.
Apesar da ampla base de apoio ao governo na C?mara e no Senado, o Congresso fez cinco tentativas at? conseguir a aprova??o do texto. O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), chegou a colocar o projeto em pauta na semana passada, mas, antes, os parlamentares tiveram de analisar 40 vetos presidenciais e um projeto de lei que estavam ? frente da meta fiscal na ordem do dia.

A oposi??o classificou o projeto como uma “anistia” ? presidente Dilma Rousseff pelo descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. J? o governo pediu “consci?ncia” e afirmou que a mudan?a na meta fiscal busca “estabilizar” a pol?tica econ?mica do pa?s.

Confus?o
Antes mesmo do in?cio da sess?o, pela manh?, o clima j? era tenso na entrada do Congresso. Um grupo de manifestantes contr?rios ao projeto de lei foi impedido de entrar na Casa pela Pol?cia Legislativa, e os ?nimos ficaram acirrados. O acesso do p?blico ?s galerias do plen?rio foi vetado por ordem do presidente Renan Calheiros ap?s o tumulto registrado na sess?o de ter?a-feira.

Com gritos de ordem, faixas e apitos, os manifestantes chegaram a hostilizar parlamentares da base aliada que entravam e saiam pr?dio e balan?aram o carro do senador Jos? Sarney (PMDB-AP).

Por volta do meio-dia, juntou-se ao grupo o cantor Lob?o, que viajou a Bras?lia especialmente para acompanhar a vota??o. Com a ajuda de deputados da oposi??o, ele conseguiu entrar no Congresso, mas n?o teve acesso ?s galerias, que ficaram vazias o tempo todo, ocupada somente por alguns profissionais da imprensa.
A sess?o
O debate come?ou por volta das 10h30 para apreciar dois vetos presidenciais que trancavam a pauta. A oposi??o usou diversos recursos para retardar a vota??o, incluindo a leitura do voto de cada um dos deputados, fazendo com o que o resultado final s? fosse divulgado ?s 18h30.
Em seguida, teve in?cio a aprecia??o de um projeto de lei que concedia um cr?dito adicional no Or?amento de R$ 248,2 milh?es para o pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Aerus de Seguridade Social, ligado ao setor a?reo.

Deputados e senadores da oposi??o recorreram ao microfone diversas vezes para estender os debates sobre o tema, mas o projeto acabou aprovado em vota??o simb?lica (sem a necessidade de contagem de votos) por volta das 22h. Com isso, abriu-se caminho para a aprecia??o do projeto de lei que derruba a meta fiscal.

Oposicionistas criticam
Iniciada a discuss?o, os oposicionistas se revezaram nas cr?ticas. Em discurso inflamado, o senador A?cio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado ? Presid?ncia da Rep?blica, disse que o projeto “fere de morte” a Lei de Responsabilidade Fiscal e chamou o governo federal de “irrespons?vel”. Chegou a dizer que o senador petista Lindbergh Farias (RJ), defensor do texto, ? um “ex-carapintada que se transformou em um senador chapa branca”.

Perdemos a elei??o, mas n?o perdemos a condi??o de sermos oposi??o a esse governo que tem cometido irresponsabilidades atr?s de irresponsabilidades”, discursou.
“Esse projeto significa o ‘liberou-geral’ com o dinheiro do contribuinte”, disse o l?der do PSDB, deputado Antonio Imbassahy (BA). “N?o podemos avalizar essa irresponsabilidade fiscal, n?o estamos aqui para salvar a pele da presidente”, destacou o l?der do DEM, deputado Mendon?a Filho (PE).
O l?der do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), acrescentou que a aprova??o do projeto trar? consequ?ncias “desastrosas” ao pa?s. “N?o venham os senhores com esse contorcionismo mental. N?o me venham com lorotas”.

Governistas defendem
“Essa vota??o de hoje estabiliza a pol?tica econ?mica”, rebateu o l?der do governo na C?mara, Henrique Fontana (PT-RS), que destacou a atual crise econ?mica mundial. “Isso os l?deres do PSDB n?o dizem: ? a mais profunda crise do capitalismo global desde 1929”, completou.
O l?der do PT na C?mara, deputado Vicentinho (SP), afirmou durante a discuss?o que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tamb?m j? enviou ao Congresso, em 2001, um projeto a fim de alterar a meta do super?vit prim?rio.

Se o governo do PSDB n?o cumpriu a meta, como pode agora acusar a presidenta Dilma de improbidade administrativa para n?o cumprir o super?vit previsto para 2014?”, questionou o petista.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral, prometeu n?o que faria equil?brio fiscal “? custa de desemprego e recess?o econ?mica”. Conforme o parlamentar, a redu??o da meta de super?vit se deve ? “mudan?a da conjuntura” da economia.

“O que aconteceu este ano? A conjuntura econ?mica mudou no Brasil e no mundo. N?s tivemos dois trimestres com crescimento negativo da nossa economia”, justificou Lindbergh.

Emendas
Outro assunto que acendeu o embate entre governo e oposi??o foi o decreto presidencial que condiciona a libera??o de emendas parlamentares extras (verbas usadas por deputados e senadores para bancar obras em seus redutos eleitorais) ? aprova??o da mudan?a na meta fiscal. Os oposicionistas classificaram a medida como “chantagem”.

O senador A?cio Neves disse que Dilma colocava o Congresso de “c?coras” e pretendia colocar “pre?o” nos parlamentares. Mendon?a Filho classificou o ato como “chantagem por decreto”.

O presidente Renan Calheiros rebateu, dizendo que o decreto, na verdade, ? “in?cuo”. “Se n?o alterarmos a LDO, n?o teremos dinheiro n?o apenas para emendas, n?s n?o teremos dinheiro para muita coisa porque teremos que nos submeter a um ajuste brutal”, declarou o senador.

O deputado Ronaldo Caiado (PSDB-GO) disse que a “presen?a massiva” dos parlamentares da base governista no plen?rio se deve ? promessa de libera??o de emendas pela presidente Dilma Rousseff. “Ou por emendas ou por cargos no governo”, criticou.
Tags: Sem concluir votação - O Congresso Nacional

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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