?A senten?a dos r?us Giselma Carmen Campos e Kairon Valter Alves, acusados de mandar matar o executivo da Friboi, Humberto de Campos Magalh?es, ser? conhecida nesta sexta-feira (27), quarto e ?ltimo dia de j?ri. O crime ocorreu em dezembro de 2008.
O julgamento est? previsto para recome?ar ?s 9h desta sexta, no F?rum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital, com a fase de debates entre a acusa??o e defesa. Por se tratar do julgamento simult?neo de dois r?us, cada parte ter? 2 horas e meia para fazer suas apresenta?es. Primeiro falar? o promotor Jos? Carlos Consenzo. Em seguida, ? a vez dos defensores dos r?us. Se optar pela r?plica, o promotor poder? utilizar mais 2 horas. Nesta caso, a defesa tem direito a mais 2 horas para a tr?plica. Em seguida, o Conselho de Senten?a se re?ne para decidir pela culpabilidade ou n?o dos r?us.
Acreditando na condena??o dos re?s, o promotor antecipou na noite desta quinta-feira (26) que pedir? a pris?o da mulher da v?tima, Giselma Carmen Campos, que responde ao processo em liberdade, por decis?o do Supremo Tribunal Federal (STF). "Apesar de estar em liberdade em raz?o de uma liminar do Supremo, a minha interpreta??o ? a de que n?o h? alcance (a manuten??o da liberdade da r?). Ela n?o tem domic?lio no distrito onde ocorre o julgamento. Ela disse para o filho dela que se fosse condenada n?o ficaria um dia na cadeia e fez amea?as a testemunhas", justificou Consenzo.
O objetivo do pedido de pris?o ? impedir uma eventual fuga, que, segundo o promotor, "? iminente", da r?. "Ela n?o mora no distrito onde acontece o julgamento e est? com dinheiro", afirmou Consenzo.
A defesa, por sua vez, tenta colocar um ponto de interroga??o na cabe?a dos jurados para evitar uma condena??o de Giselma. "Existe uma norma: na d?vida, decida-se a favor do r?u. Eu continuo insistindo que o delegado nunca pegou um ?udio dela e ela nunca confessou. Por que ela est? solta e todos os demais est?o presos?", indagou Mauro Nacif, um dos advogados de defesa da r?.
Giselma nega
A r? Giselma Carmen Campos negou nesta quinta-feira a acusa??o feita pelo irm?o, Kairon Valter Alves, de que seria a mandante da morte do ex-marido, o diretor-executivo da Friboi Humberto de Campos Magalh?es, ocorrida em 2008. "? tudo mentira", disse.
Os dois s?o r?us no j?ri que come?ou nesta ter?a-feira (24). Kairon Alves confirmou na tarde desta quinta que a irm? mandou assassinar o ex-marido. “Depois de muita insist?ncia, ela come?ou a falar que ele [Humberto] a estava amea?ando. Como fazia muitos anos que a gente n?o se via, bateu um sentimento e eu disse que ia ajud?-la”, afirmou Kairon, durante interrogat?rio no j?ri. “Eu culpo a Giselma porque me senti manipulado por ela. Estou muito arrependido, tenho vergonha porque a vida s? Deus pode tirar.”
No fim do interrogat?rio de Giselma, a ju?za Eliana Cassales Tosi de Mello colocou os dois irm?os frente a frente. Ela perguntou se Kairon mantinha a vers?o de que a irm? era mandante do assassinato. Ele disse: "Confirmo". A ex-mulher do executivo voltou a repetir que era "mentira".
Giselma disse, durante o interrogat?rio, que Humberto e Kairon "se conheciam" e "tinham uns neg?cios", sem especificar quais eram eles. Ela contou que o casal se separou em abril de 2008, mas continuava saindo com o ex-marido, mesmo sabendo que o executivo mantinha relacionamento com duas mulheres. Segundo a vers?o da r?, os problemas com Humberto ocorreram quando ela arrumou um namorado. Ela diz que o executivo come?ou a atrasar a pens?o.
Segundo Giselma, durante todo o per?odo de namoro e casamento, Humberto sa?a com outra mulheres. "A gente conversava, ele dizia que me amava e queria mudar", afirmou. Em rela??o ao filho Carlos Eduardo Magalh?es, que testemunhou contra ela no julgamento, a r? disse que "ama muito" o jovem, mas que os dois est?o tendo problemas.
Ela alegou que o depoimento do estudante "tem muita coisa que n?o ? verdade". Sobre ter pedido que o filho mais novo n?o encontrasse o pai na noite do crime - eles tinham marcado um jantar -, Giselma afirmou que Carlos Eduardo chegou em casa gripado e a pediu para comprar um rem?dio, por isso sugeriu que ele n?o fosse ao encontro com o executivo.
Questionado qual seria o motivo de Kairon a incriminar pelo assassinato, Giselma disse que o irm?o havia pedido R$ 15 mil a ela para uma cirurgia de um filho, mas ela n?o tinha o dinheiro naquele momento para dar. Por isso, acredita que o irm?o ficou com raiva dela.
Chance de absolvi??o 'nula'
O advogado Ademar Gomes, que defende a acusada, disse que a defesa da r? estava "de m?os atadas".
Gomes diz que uma eventual confiss?o de Giselma pode servir como atenuante da pena. “Sim, se ela entender que tem culpa e confessar, ? realmente um atenuante. Se ela n?o confessar, a nossa tese de Giselma vai ser pela negativa da autoria”, disse. “Eu sou defensor, eu vou continuar at? o fim dizendo para ela: as suas provas, as suas possibilidades de ser absolvidas s?o nulas”, disse.
Segundo dia: filhos falam
Na quarta-feira (15), segundo dia de julgamento, os destaques foram para os depoimentos dos irm?os Carlos Eduardo Magalh?es, de 22 anos, e Marcus Vin?cius Campos de Magalh?es, filhos da r? Giselma e da v?tima Humberto.
Como testemunha de defesa, o estudante de direito Marcus Vin?cius Campos de Magalh?es afirmou acreditar na inoc?ncia da m?e. Ele disse que ela n?o tinha motivos para matar o pai. Entretanto, o advogado de defesa, Ademar Gomes, criticou a desenvoltura do jovem no j?ri.
"Ele estava tenso, nervoso, travou por completo. N?o posso aceitar isso de um estudante de direito. Ele prejudicou muito a defesa. O filho n?o soube defender a m?e", afirmou Gomes.
? tarde, o estudante de administra??o Carlos Eduardo Magalh?es, de 22 anos, disse, por sua vez, que a m?e Giselma Carmen Campos perseguia o pai. “Ela vivia perseguindo meu pai, ligava para saber o hor?rio de entrada e de sa?da da empresa, ligava para os seguran?as para saber se ele estava acompanhado de algu?m”, afirmou durante os questionamentos da promotoria.
Carlos Eduardo afirmou que a m?e nunca negou o crime, apesar de ressaltar que eles n?o falavam sobre o caso. “Em nenhum momento ela tentou se defender do crime, dizendo que n?o mandou executar meu pai."
A r? estava na sala durante o depoimento de Carlos Eduardo. Ela manteve a cabe?a baixa, escrevendo em folhas de papel. Giselma n?o esbo?ou rea??o durante as respostas do filho ao promotor do caso. O jovem chamou a m?e pelo nome durante todo o tempo.
Questionado pelo promotor Jos? Carlos Consenzo sobre o motivo de se referir a m?e como Giselma, ele respondeu que sempre a tratou assim. “Eu n?o considero m?e uma pessoa que tem coragem de fazer comigo o que muitas pessoas n?o fariam”, justificou.
Primeiro dia: mulher e delegado
No primeiro dia, tr?s testemunhas de acusa??o foram ouvidas pelo j?ri. A veterin?ria Adriana Ferreira Domingos, que vivia com a v?tima na ?poca do assassinato, foi a terceira e ?ltima a depor. Ela relatou as amea?as da ex-mulher da v?tima, Giselma Carmen Campos.
“Ela ligava no meu celular e falava um monte de coisas, xingava, dizia um monte de barbaridades, me amea?ava, ligou inclusive no meu trabalho. Falou que eu n?o ficaria com ele e que faria o poss?vel para que isso acontecesse”, afirmou.
A veterin?ria contou aos jurados que os dois iniciaram o relacionamento em dezembro de 2007, quando Magalh?es j? estava separado da mulher, e passaram a morar juntos em S?o Paulo em fevereiro de 2008. “Quero ver na cadeia quem fez isso com ele. Eu n?o tenho ?dio nenhum dela. ? uma coitada. Mandou matar o pai dos filhos dela”, afirmou.
Antes dela, prestou depoimento o delegado Rodolpho Chiarelli J?nior, que investigou o assassinato. Ele disse n?o ter d?vidas que Giselma planejou o crime. “Eu afirmo e reafirmo que ela ? a mentora intelectual desse crime e ? uma afronta para mim ela estar solta”, afirmou o policial, que trabalhava no Departamento de Homic?dios e Prote??o ? Pessoa (DHPP).
O crime
Segundo a pol?cia e a promotoria, Giselma passou a planejar o assassinato de Humberto depois da separa??o informal do casal. Apesar de estarem casados judicialmente, eles estavam separados na ?poca do crime, em 2008.
Giselma procurou o irm?o Kairo Alves, no Maranh?o, que havia sa?do da pris?o, onde passou 18 anos condenado por tr?fico de drogas. Segundo a pol?cia, Kairo veio a S?o Paulo e contratou dois pistoleiros no Centro de S?o Paulo. A investiga??o mostrou que Giselma pagou ao irm?o e aos pistoleiros cerca de R$ 30 mil.
No dia da morte, um dos assassinos utilizou o celular do filho mais velho de Humberto, entregue por Giselma, e telefonou para o executivo dizendo que o jovem estava passando mal, no meio da rua. Humberto saiu de casa apressado e foi ? rua indicada procurando o filho de casa em casa. Ao voltar para o carro, um motoqueiro se aproximou e depois de uma r?pida discuss?o disparou dois tiros que mataram Humberto.