
RIO — Nova sequ?ncia de mensagens divulgada pelo site "The Intercept Brasil", que teriam sido trocadas entre o ministro da Justi?a e Seguran?a P?blica Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, da for?a-tarefa da Lava-Jato, mostram o que seria uma conversa sobre o apoio do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), ? Opera??o Lava-Jato.
Os textos foram divulgados em entrevista ? R?dio BandNews por um editor executivo do , que no domingo j? havia revelado outras mensagens em que Moro e Dallagnol tratavam sobre as atua?es nos bastidores da Lava-Jato. A Pol?cia Federal (PF) investiga invas?es aos celulares dos dois e de outras autoridades com atua??o direta ou indireta ? opera??o.
As novas mensagens teriam sido trocadas em 22 de abril de 2016. ?s 13h04 daquele dia, Dallagnol teria enviado ao magistrado: "Caros, conversei com o FUX mais uma vez, hoje".
No mesmo minuto, o procurador teria prosseguido: "Reservado, ? claro: o Min Fux disse quase espontaneamente que Teori (Zavascki, que morreu no ano seguinte) fez queda de bra?o com o Moro e viu que se queimou, e que o tom da resposta do Moro depois foi ?timo. Disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez. S? faltou, como bom carioca, chamar-me para ir ? casa dele, rs. Mas os sinais foram ?timos. Falei da import?ncia de nos protegermos como institui?es".
Em mais uma linha da mensagem, Deltan teria conclu?do o racioc?nio: "Em especial no novo governo", em poss?vel refer?ncia ? gest?o de Michel Temer (PMDB), que duas semanas ap?s a data do di?logo assumiria a presid?ncia no lugar de Dilma Rousseff, ?quela altura alvo de um processo de impeachment no Congresso.
O di?logo divulgado pelo editor do "Intercept" prossegue com uma resposta em ingl?s, que teria sido enviada por Moro: "In Fux we trust". O lema nacional dos Estados Unidos ("In God we trust") era utilizado ? ?poca por admiradores do maigstrado de Curitiba ("In Moro we trust").
Em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, na BandNews, Leandro Demori, do "The Intercept", afirmou que o trecho ? ver?dico e faz parte do material que o site obteve com uma fonte n?o revelada. Ele afirmou que resolveu levar as mensagens ao conhecimento do p?blico da r?dio ap?s a repercuss?o do material divulgado no domingo.
O GLOBO procurou o ministro Luiz Fux para que ele pudesse comentar o teor do di?logo revelado pelo editor do "Intercept". O magistrado n?o quis se manifestar. No domingo, ap?s a divulga??o das primeiras mensagens, Moro lamentou "a falta de indica??o de fonte de pessoa respons?vel pela invas?o criminosa de celulares de procuradores". Em momento posterior, negou que tivesse orientado Dallagnol sobre a Lava-Jato e afirmou que n?o poderia afirmar se as mensagens eram verdadeiras. Nesta quarta-feira, mais cedo, ele afirmou que "hackers de ju?zes n?o v?o interferir na miss?o".
'Queda de bra?o'
Em 22 de mar?o de 2016, o ministro Teori Zavascki, ent?o relator da Lava-Jato no Supremo, determinou que Moro enviasse ? Corte todas as investiga?es que envolviam o ex-presidente Lula. A decis?o veio ap?s o juiz ter levantado o sigilo do ?udio em que os petistas conversavam sobre a nomea??o de Lula para a Casa Civil. A grava??o era fruto de intercepta??o telef?nica feita no ?mbito da Lava-Jato e, na opini?o de Zavascki, a suspens?o do sigilo aconteceu sem a cautela exigida. O ministro determinou que a divulga??o fosse interrompida e pediu para que Moro se explicasse no prazo de 10 dias.
Em resposta ? decis?o de Zavascki, em 29 de mar?o daquele ano, Moro enviou um documento em que pediu desculpas tr?s vezes pela pol?mica que provocou ao divulgar di?logos de Lula gravados pela Pol?cia Federal. Por outro lado, aproveitou a oportunidade para dizer tamb?m que v?rios dos telefonemas interceptados mostravam tentativas de Lula em obstruir as investiga?es contra ele no ?mbito da Lava-Jato.
Em vota??o no plen?rio, a liminar de Zavascki que mantinha o caso de Lula no Supremo permaneceu com a Corte, por oito votos a dois. Os ministros Luiz Fux e Marco Aur?lio Mello votaram contra o relat?rio que mantinha o processo longe da Justi?a Federal em Curitiba, onde trabalhava Moro.
Tr?s meses depois, no dia 13 de junho, Teori devolveu a Moro as investiga?es sobre Lula que estavam no STF. Na mesma decis?o, o ministro anulou parte das escutas telef?nicas com conversas do ex-presidente depois do per?odo autorizado por Moro, como o di?logo entre Lula e Dilma em que ela dizia que estava enviando, por um emiss?rio, o termo de posse para que o petista fosse nomeado para a Casa Civil.