Publicada em 29 de Julho de 2014 às 20h00
A incidência ocorrerá a partir do ano que vem, mas ainda não se sabe qual será o valor final.
As recentes medidas de socorro ao setor el?trico adotadas pelo governo ir?o representar um impacto a mais de oito pontos percentuais, durante dois anos, no c?lculo do reajuste da conta de luz para o consumidor.
Imagem: Divulga??oA incid?ncia ocorrer? a partir do ano que vem, mas ainda n?o se sabe qual ser? o valor final.
De acordo com o diretor-geral da Aneel (Ag?ncia Nacional de Energia El?trica), Romeu Rufino, esse ? o tamanho do repasse que ser? feito aos consumidores para cobrir os empr?stimos banc?rios disponibilizados ao setor, que por ora devem somar R$ 17,7 bilh?es.
Segundo Rufino, isoladamente, o impacto dos empr?stimos n?o representa o aumento real que ser? percebido nas contas de luz.
"O reajuste [das tarifas] nunca ? exclusivamente ligado ao valor do empr?stimo", disse. "? um conjunto de fatores [que s?o analisados pela ag?ncia]. Ele [o empr?stimo] vai impactar a tarifa. Agora, o tamanho do reajuste tarif?rio vai depender de outros fatores, n?o ? s? esse item que ? levado em considera??o", afirmou.
Na lista de pontos que s?o levados em considera??o pela ag?ncia na hora de reajustar o pre?o da energia est? a infla??o, o pr?prio custo da energia no ano que vem, o volume de investimentos feitos pelas empresas, entre outros.
Significa que o aumento pode ser ainda maior ou menor, caso o governo consiga, de fato, fazer baixar o pre?o da energia ao retomar concess?es de gera??o el?trica que vencem no pr?ximo ano.
Rufino explicou que ainda n?o ? poss?vel saber se o pre?o menor da energia que retornar? ao governo, por meio da devolu??o das concess?es, anular? o tamanho do aumento previsto para os consumidores.
"? dif?cil fazer proje??o. Cada empresa vai receber um certo volume de cotas dessa revers?o. A? ela vai tirar uma parte da energia que est? contratada e trocar por uma energia mais barata", disse. "Sabemos que vai ser bastante impactante, mas n?o fizemos nenhuma proje??o", completou.
AUMENTO DE AT? 25%
A pedido da Folha, consultorias avaliaram que o pre?o dos empr?stimos ?s distribuidoras de energia deve aumentar, em m?dia, 25% o pre?o das tarifas em 2015. Um n?mero ainda maior do que o anunciado nesta ter?a-feira pela Aneel.
Alguns consumidores podem enfrentar percentuais ainda mais elevados, como os clientes da Copel, no Paran?, que poder?o enfrentar reajustes superiores a 30%.
A estimativa mais otimista ? da TR Solu?es, que estima um avan?o m?dio de 13,4% nas contas em 2015.
IMBR?GLIO
Por causa da dificuldade financeira das distribuidoras, que n?o conseguem fazer frente aos gastos bilion?rios com compra de energia, o governo j? intermediou um empr?stimo banc?rio de R$ 11,2 bilh?es para as el?tricas e espera concluir -at? a primeira quinzena de agosto- as negocia?es para o segundo financiamento, no valor de R$ 6,5 bilh?es.
De acordo com as regras do acordo, as distribuidoras ter?o dois anos para repassar esses custos para o consumidor.
ADIAMENTOS
A Aneel optou por adiar, pela terceira vez, o pagamento que as distribuidoras devem ?s geradoras de energia.
O valor em aberto ? de R$ 1,322 bilh?es e deveria ter sido pago no in?cio deste m?s.
Com a decis?o, a nova data foi fixada para 28 de agosto. Ela substitui a previs?o anterior, tamb?m chancelada pela ag?ncia, para que esse pagamento fosse feito em 31 de julho.
A decis?o da Aneel desta ter?a-feira (29) contraria a expectativa do mercado, que imaginava um adiamento menor, at? o in?cio de agosto, entre os dias 6 e 7, quando est? agendado o pr?ximo pagamento das distribuidoras para geradoras, referente aos gastos do m?s de junho.
Segundo Rufino, o pagamento de agosto foi mantido para os dias 6 e 7, conforme cronograma original, porque o valor a ser pago deve ser muito inferior: 10% da conta atual pendente, ou seja, R$ 123,2 milh?es.
Assim, as pr?prias empresas poder?o arcar com o valor para um ressarcimento posterior.
Essa diferen?a, segundo ele, est? no menor custo da energia neste per?odo e na menor necessidade de compra de energia por parte das distribuidoras.