Publicada em 23 de Maio de 2014 às 22h00
O cineasta Quentin Tarantino (centro) acena para fãs ao chegar à praia para a exibição do seu filme "Pulp Fiction", durante o Festival de Cannes, na França
Imagem: ReutersClique para ampliarO cineasta Quentin Tarantino (centro) acena para f?s ao chegar ? praia para a exibi??o do seu filme "Pulp Fiction", durante o Festival de Cannes, na Fran?a, nesta sexta-feira. 23/0 Exibir filmes no formato digital ? como for?ar as plateias a ver televis?o em p?blico, disse o diretor Quentin Tarantino no Festival de Cinema de Cannes nesta sexta-feira, acrescentando que os filmes em 35 mil?metros com os quais cresceu est?o “mortos”.
Tarantino n?o compete no evento deste ano, mas falou a jornalistas e cr?ticos de cinema antes da exibi??o do seu grande sucesso "Pulp Fiction: Tempo de Viol?ncia" na praia ? noite – e em 35 mil?metros.
“O fato de que a maioria dos filmes n?o s?o exibidos em 35 mil?metros significa que a guerra est? perdida”, declarou o criador do cult “C?es de Aluguel”.
Os formatos e a distribui??o digitais varreram o mundo do cinema, em grande parte por causa dos custos – a maioria dos filmes em Cannes hoje em dia ? projetado assim.
Mas os aficionados ainda cantam as gl?rias dos velhos rolos de filme – da mesma maneira que f?s de m?sica se apegam aos seus discos de vinil. Os f?s defendem com entusiasmo o calor e a sofistica??o da textura em 35 mil?metros e sua capacidade de registrar a mais escura das sombras e a mais brilhante das luzes.
“Proje?es digitais s?o TV em p?blico. E, aparentemente, o mundo inteiro aceita TV em p?blico, mas o que eu conhecia como cinema est? morto”, afirmou Tarantino.
“Tenho esperan?a de que estejamos passando por um per?odo de atordoamento rom?ntico com a facilidade do digital e que, embora esta gera??o esteja irremediavelmente perdida, a pr?xima ir? exigir o cinema genu?no”, acrescentou.
O diretor, conhecido pela energia e viol?ncia dos seus filmes, disse que o cinema digital, de fato, tem algumas vantagens.
“O lado bom do digital ? o fato de que um cineasta jovem pode simplesmente comprar um celular e, se tiver a tenacidade de bolar alguma coisa... pode at? fazer um filme”, afirmou.
Antes do advento do digital, as barreiras para se fazer um filme eram t?o grandes que era como um “monte Everest que a maioria de n?s n?o podia escalar”.
“Mas por que um cineasta estabelecido iria filmar em digital, n?o tenho a m?nima ideia”, acrescentou Tarantino.
O diretor disse ter uma “cole??o sensacional” de filmes em 35 mil?metros em casa, e uma ainda maior de filmes em 16 mil?metros, “e exibo os filmes o tempo todo, estou sempre assistindo filmes”.
“Uma das coisas mais legais na minha vida, porque me sa? bastante bem no cinema, ? que meio que me deu a chance de praticamente viver a vida de um acad?mico, e por isso me sinto estudando para minha tese de hist?ria do cinema mundial, e o dia em que morrer ser? o dia da minha gradua??o”.
Tarantino foi indagado sobre a conquista da Palma de Ouro de Cannes em 1994 com "Pulp Fiction".
“Ganhar a Palma de Ouro, at? hoje, no que diz respeito a l?ureas, ? absolutamente, positivamente, a minha maior conquista”.
“De todos os trof?us que conquistei, ? aquele que tem o maior lugar de honra na minha casa, ? aquele que quero ganhar de novo, talvez, um dia, antes do apagar das luzes”.
Uma ideia que intriga Tarantino no momento ? transformar o seu faroeste de 2012 "Django Livre", estrelado por Jamie Foxx e Leonardo DiCaprio, em uma miniss?rie em quatro partes para a TV a cabo, usando tomadas adicionais in?ditas, disse ele.
Dezoito filmes competem pela Palma de Ouro de Cannes, que ser? entregue no s?bado.