Piaui em Pauta

TCU recomenda ao Congresso reprovar contas do governo de 2014.

Publicada em 07 de Outubro de 2015 às 20h57


?O plen?rio do Tribunal de Contas da Uni?o (TCU) aprovou nesta quarta-feira (7), por unanimidade, o parecer do ministro Augusto Nardes pela rejei??o das contas do governo federal de 2014. Devido a irregularidades, como as chamadas “pedaladas fiscais”, os ministros entenderam que as contas n?o estavam em condi?es de serem aprovadas.

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Esta ? a segunda vez na hist?ria que o TCU recomenda ao Congresso a rejei??o das contas de um presidente. A primeira foi em 1937, durante o governo Get?lio Vargas. Na ocasi?o, o Congresso n?o seguiu a recomenda??o do tribunal.

As irregularidades apontadas pelo TCU somam R$ 106 bilh?es, sendo R$ 40 bilh?es referentes ?s chamadas “pedaladas fiscais”.

Para o Nardes, ao adotar manobras para aliviar, momentaneamente, as contas p?blicas, o governo desrespeitou princ?pios constitucionais e legais que regem a administra??o p?blica federal. O cen?rio no ano passado foi classificada por ele como de “desgovernan?a fiscal”.

Em seu voto, o ministro defendeu que houve uma pol?tica expansiva de gastos “sem sustentabilidade fiscal e sem a devida transpar?ncia”. Para o relator, as opera?es passaram ao largo das ferramentas de execu??o or?ament?ria e financeira institu?das.
“Nessa esteira, entende-se que os atos foram praticados de forma a evidenciar uma situa??o fiscal incompat?vel com a realidade”, afirmou.

Segundo o ministro Augusto Nardes, por tratar-se de um parecer pr?vio, n?o cabe recurso da decis?o no tribunal.

O parecer do TCU ser? agora encaminhado ao Congresso, que dar? a palavra final sobre o tema. Em entrevista coletiva ap?s a vota??o, Nardes afirmou que o parecer pr?vio sobre as contas deve ser entregue ao Congresso at? quinta-feira (8).

A an?lise da corte n?o tem efeito pr?tico, j? que funciona como uma recomenda??o aos parlamentares. A rejei??o, por?m, poder? ser usada como argumento para abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O tr?mite prev? que o relat?rio do ?rg?o de fiscaliza??o seja primeiro avaliado pela Comiss?o Mista de Or?amento (CMO) do Congresso e, depois, pelo plen?rio da C?mara e do Senado – ou em sess?o conjunta do Congresso Nacional, caso haja um acordo entre as Casas.

Defesa
Presente ? sess?o, o advogado-geral da Uni?o, Lu?s In?cio Adams, negou que o governo federal tenha violado a Lei de Responsabilidade em 2014. Ele tamb?m rebateu a acusa??o de que que o pedido de afastamento de Nardes tenha sido um ataque do governo ? corte.
“Apenas registrar que, ao contr?rio do que se estabeleceu ou se disse politicamente por pol?ticos ou por outras autoridades, de que se tratava de ataque ? corte, n?o se trava e nunca se tratou. Tanto que eu nunca questionei o parecer da ?rea t?cnica. Ali?s, disse que respeito. Posso divergir, mas respeito”, afirmou.

Ofensiva do governo

A Advocacia-Geral da Uni?o (AGU) fez duas tentativas de adiar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), mas os pedidos foram negados pelo ministro Luiz Fux.

Antes disso, a AGU havia protocolado no pr?prio TCU um pedido para afastar o ministro Augusto Nardes da relatoria do caso, alegando antecipa??o de voto. A solicita??o, avaliada nesta quarta-feira, antes do julgamento das contas, n?o foi aceita pela corte.

Nardes negou que tenha antecipado o voto e acusou o governo de tentar “intimid?-lo”. Ele disse que distribuiu o parecer pr?vio sobre o caso aos outros ministros cinco dias antes do julgamento, como manda o regimento interno do TCU, e que n?o foi o respons?vel por “vazar” o documento para a imprensa.
Antes do julgamento, o plen?rio do TCU decidiu, por unanimidade, manter Nardes como relator do processo que analisa as contas do governo de 2014. O ministro-corregedor do TCU, Raimundo Carreiro, considerou que as declara?es de Nardes se referiam ao conte?do de relat?rios do tribunal j? conclu?dos, e n?o ? decis?o final da corte. Por isso, a decis?o por arquivar o processo.

Explica?es
O primeiro pedido de esclarecimentos sobre as contas de 2014 foi feito em junho pelo TCU, com prazo de 30 dias para resposta. Mas, devido ? inclus?o de novos fatos ao processo, o governo acabou ganhando mais tempo para se defender.

‘Pedaladas fiscais’
Entre as supostas irregularidades analisadas pelo TCU est?o as chamadas “pedaladas fiscais” e a edi??o de decretos que abriram cr?ditos suplementares sem autoriza??o pr?via do Congresso Nacional.
As “pedaladas fiscais” consistem no atraso dos repasses para bancos p?blicos do dinheiro de benef?cios sociais e previdenci?rios. Essa pr?tica obrigou institui?es como Caixa Econ?mica Federal e Banco do Brasil a usar recursos pr?prios para honrar os compromissos, numa esp?cie de “empr?stimo” ao governo.
Nos dois casos, o Executivo nega a exist?ncia de irregularidades e argumenta que as pr?ticas foram adotadas pelos governos anteriores, sem terem sido questionadas pelo TCU. As explica?es entregues pela AGU na defesa do governo somam mais de 2 mil p?ginas.

Tags: TCU recomenda ao Con - O plenário do Tribun

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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