Piaui em Pauta

'Tempestade em copo d'água', diz mãe de menina em fotos erotizadas.

Publicada em 17 de Outubro de 2013 às 10h29


?A m?e da crian?a de tr?s anos que aparece em uma campanha publicit?ria em fotos erotizadas afirma estar surpresa com a repercuss?o do caso. “Fizeram uma tempestade em copo d'?gua. Minha filha n?o merecia passar por isso”, afirma ela, que pediu para n?o ser identificada para preservar a filha. Para o Dia das Crian?as, a marca cearense veiculou na internet e nas lojas imagens da menina maquiada, usando objetos e fazendo poses de adulto. Ap?s a publica??o em 12 de outubro, as imagens foram compartilhadas por centenas de usu?rios do Facebook, acompanhadas de cr?ticas ? marca. A empresa diz que houve uma ''interpreta??o distorcida'' do conte?do.

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A m?e da crian?a afirma que acompanhou as fotos da filha e que n?o viu erotiza??o no resultado. “Levei roupas dela para o ensaio, mas sugeriram que ela fizesse s? de calcinha para dar um ar mais infantil ?s fotos. Eu concordei”, diz. Segundo a m?e, a crian?a que posou para campanha n?o faz trabalhos como modelo e elas n?o receberam dinheiro. “Aceitei porque sou amiga de pessoas da empresa. ? a primeira vez que minha filha faz fotos para publicidade. Nem gosto disso. Antes disso, j? tinha recebido v?rias convites. Aceitei mais por uma brincadeira”, afirma.


Para a mulher, nem ela, como m?e, nem a empresa de bolsas e sapatos devem ser culpadas pelas fotos. “A ag?ncia que fez e estudou ? que deveria ter no??o que uma foto passaria ptudo isso. Nem eu, nem o dono temos no??o disso”, conclui. Durante a tarde desta quarta-feira (16), o G1 tentou entrar em contato com a ag?ncia respons?vel pela campanha, mas as liga?es n?o foram atendidas.

Conar
O Conselho Nacional de Autorregulamenta??o Publicit?ria (Conar) afirmou que, at? a segunda-feira (14), recebeu 70 notifica?es sobre a campanha da marca cearense, aceitou as den?ncias e abriu um processo contra o anunciante. O ?rg?o recebe den?ncias de consumidores, autoridades e anunciantes, al?m de regulamentar a pr?tica publicit?ria com base no C?digo Brasileiro de Autorregulamenta??o Publicit?ria.
Entre os que criticaram a campanha, est?o especialistas e publicit?rios que analisam que as pe?as ferem o c?digo, que trata sobre crian?as e adolescentes na publicidade. O par?grafo 1? do artigo 37 diz que “crian?as e adolescentes n?o dever?o figurar como modelos publicit?rios em an?ncio que promova o consumo de quaisquer bens e servi?os incompat?veis com sua condi??o, tais como armas de fogo, bebidas alco?licas, cigarros, fogos de artif?cio e loterias, e todos os demais igualmente afetados por restri??o legal”.

ECA
Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa da Rela??o Inf?ncia, Juventude e M?dia (Grim), da Universidade Federal do Cear? (UFC), In?s Vitorino, a campanha desrepeita n?o s? o c?digo da publicidade. “? uma campanha extremamente de mau gosto e desrespeitosa em rela??o ?s crian?as. Para come?ar, a crian?a n?o ? o foco da campanha. A marca ? para o consumo de adultos e coloca a crian?a extremamente erotizada, em uma situa??o absolutamente desnecess?ria. Al?m disso, fere o ECA porque coloca a crian?a em situa??o vexat?ria, de calcinha, se maquiando, dentro de uma sociedade com tantos casos de pedofilia e abuso sexual”, afirma.

Diante do caso, o Centro de Defesa da Crian?a e do Adolescente (Cedeca) prop?s na ter?a-feira (15) ao Minist?rio P?blico uma a??o a??o coletiva para que futuras campanhas envolvendo crian?as e adolescentes n?o adotem uma postura similar. Segundo a entidade, mesmo que campanha da Courofino tenha sido retirada de circula??o, a empresa pode ser penalizada com multa ou ter de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
A argumenta??o jur?dica do Cedeca se baseia nos artigos 17 e 18 do ECA. O artigo 17 fala do respeito ? inviolabilidade da integridade f?sica, ps?quica e moral da crian?a e do adolescente, abrangendo a preserva??o da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, id?ias e cren?as, dos espa?os e objetos pessoais.
O artigo 18 do ECA traz que ? "dever de todos velar pela dignidade da crian?a e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexat?rio ou constrangedor".

"M? interpreta??o"
Em nota, a marca Courofino informou que as pe?as e o banner publicit?rio divulgados na p?gina oficial da empresa em uma rede social "buscou homenagear uma data t?o importante no cen?rio nacional" e que houve uma "interpreta??o distorcida da real inten??o da empresa" que era de mostrar a brincadeira de uma crian?a com os pertences da m?e.
A empresa tamb?m afirmou que n?o teve a inten??o de erotizar a inf?ncia e informou que j? retirou o material publicit?rio de circula??o. A marca ainda pediu aos usu?rios das redes sociais que n?o compartilhe a imagem ou que excluam das p?ginas para diminuir os "efeitos negativos causados pela m? interpreta??o da campanha".
De acordo com o Conar, mesmo que a marca retire as pe?as, o processo continua tramitando, pois poder? referenciar campanhas futuras. Segundo o conselho, o voto deve ser dado at? esta quarta-feira (16). Caso n?o tenha uma medida liminar, a campanha pode ser utilizada at? o fim do julgamento do processo, que dura de 30 a 40 dias.
Ainda de acordo com o Conar, ? importante que as empresas reconhe?am e atendam a regulamenta??o do conselho. A retirada ? de responsabilidade do anunciante, que ? informado sobre a exist?ncia do processo e pode participar da sess?o que julgar? o processo,
Tags: 'Tempestade em copo - "Má interpretação"

Fonte: GLOBO  |  Publicado por: Da Redação
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