Piaui em Pauta

Turcos gays passam por humilhação para escapar do Exército

Publicada em 30 de Abril de 2014 às 11h40


Gays turcos devem comprovar a orientação sexual antes de entrar no exército. Homossexuais não são bem-vindos, mas são necessárias provas para serem lib Gays turcos devem comprovar a orientação sexual antes de entrar no exército. Homossexuais não são bem-vindos, mas são necessárias provas para serem lib Imagem: Reprodu??o/ReutersClique para ampliarGays turcos devem comprovar a orienta??o sexual antes de entrar no ex?rcito. Homossexuais n?o s?o bem-vindos, mas s?o necess?rias provas para serem liberadosO servi?o militar ? obrigat?rio na Turquia para homens com mais de 20 anos, mas ? poss?vel escapar caso eles apresentem provas de algum tipo de doen?a, defici?ncia ou provem que s?o homossexuais. No entanto, para provar a homossexualidade ? preciso passar por uma situa??o humilhante. "Eles me perguntaram quando tive a primeira rela??o anal, (se pratico) sexo oral e com que tipo de brinquedos eu brincava quando era crian?a", disse Ahmet, um jovem de cerca de 20 anos. saiba mais R?ssia bloqueia resolu??o contra S?ria na ONU por ataque na Turquia Leia mais sobre Turquia Na primeira oportunidade depois que foi convocado, durante os exames de sa?de, Ahmet disse aos militares que era gay. "Eles me perguntaram se eu gostava de futebol, se eu usava roupas ou perfume de mulheres", disse. "Eu estava com a barba por fazer h? alguns dias e sou um gay mais masculino. Eles me falaram que eu n?o parecia um homem gay normal." Os militares pediram que Ahmet fornecesse uma foto em que aparecesse vestido de mulher. "Recusei este pedido. Mas fiz outra oferta, que eles aceitaram", disse o jovem que deu aos militares uma foto dele beijando outro homem. "Certificado rosa" Ahmet espera que esta foto garanta o fornecimento do chamado "certificado rosa": este documento declara que um homem ? homossexual e, por isso, isento do servi?o militar. Nos ?ltimos anos, os homossexuais ganharam mais visibilidade na cidades maiores da Turquia. Caf?s e casas noturnas com clientes abertamente gays foram inauguradas em Istambul e, no ano passado, ocorreu uma parada do orgulho gay, algo ?nico no mundo mu?ulmano. Mas, apesar de n?o haver leis espec?ficas contra os homossexuais na Turquia, gays assumidos n?o s?o bem-vindos no Ex?rcito. E, ao mesmo tempo, eles precisam "provar" que s?o homossexuais para evitar o servi?o militar. Gokhan, convocado no final da d?cada de 1990, percebeu rapidamente que ele n?o tinha voca??o para permanecer no Ex?rcito. "Tinha medo de armas", disse. E sendo gay, ele tamb?m temia sofrer bullying. Depois de um pouco mais de uma semana, ele declarou sua orienta??o sexual ao comandante. "Eles me perguntaram se eu tinha alguma fotografia. E eu tinha", afirmou Gokham. Ele tinha se preparado com fotos expl?citas que mostravam ele mantendo rela?es sexuais com outro homem. Isto foi necess?rio pois Gokham tinha ouvido que seria imposs?vel sair do servi?o militar sem as fotos. "O rosto deve estar vis?vel. E as fotos devem mostrar voc? como o passivo", disse. Os militares aceitaram a foto, Gokham recebeu o certificado rosa e foi isento do servi?o militar. Mas ele lembra que a experi?ncia foi terr?vel. "E ainda ? terr?vel. Pois algu?m fica com estas fotografias. Eles podem mostr?-las no meu vilarejo, para os meus pais, meus familiares." Teste de personalidade Homossexuais da Turquia afirmam que a natureza das provas exigidas depende da vontade do m?dico militar ou do comandante. Em algumas vezes, em vez de fotografias, os m?dicos fazem um "teste de personalidade". O Ex?rcito turco recusou os pedidos de entrevista da BBC, mas um general aposentado, Amagan Kuloglu, aceitou comentar estas regras. Segundo o general, gays assumidos no Ex?rcito causariam "problemas disciplinares" e seria pouco pr?tico criar "instala?es separadas, dormit?rios separados, chuveiros, ?reas de treinamento". Kuloglu afirma que, se um homem gay mantiver a sexualidade em segredo, ele poder? servir, algo semelhante ? pol?tica dos militares americanos em vigor at? 2011, a chamada pol?tica do "n?o pergunte, n?o conte" (don’t ask, don’t tell, em ingl?s). "Mas, quando algu?m se revela gay, ent?o o Ex?rcito precisa ter certeza de que ele realmente ? gay e n?o est? simplesmente mentindo para escapar do dever de servir aos militares", afirmou. O estigma social associado ? homossexualidade na Turquia ? grande. Fora das grandes cidades como Istambul e Ancara, ? dif?cil imaginar um homem declarando que ? gay quando na verdade ele n?o ?. No entanto, esta possibilidade ainda gera ansiedade entre os militares. "Os m?dicos est?o sendo muito pressionados pelos comandantes para diagnosticarem a homossexualidade, e eles obedecem mesmo que n?o existam ferramentas de diagn?stico para determinar orienta??o sexual", disse um psiquiatra que trabalhava em um hospital militar. "? imposs?vel, em termos m?dicos, e n?o ? ?tico." "Dist?rbio psicossexual" No certificado rosa de Gokham consta "dist?rbio psicossexual" e, perto destas palavras, entre par?nteses, "homossexualidade". Os hospitais militares da Turquia ainda definem a homossexualidade como uma doen?a, usando uma vers?o de 1968 de um documento da Associa??o Americana de Psiquiatria como guia. Algumas pessoas na Turquia afirmam que os gays do pa?s na verdade t?m sorte, pois pelo menos eles conseguem escapar do servi?o militar. N?o precisam passar meses nos quart?is ou enfrentar a possibilidade de serem enviados para lutar contra militantes curdos. Mas, para os gays assumidos do pa?s, a vida est? longe de ser f?cil. N?o ? raro que empregadores do pa?s perguntem aos candidatos a um emprego sobre o servi?o militar e um certificado rosa pode significar rejei??o. Um dos empregadores de Gokham descobriu sobre sua sexualidade sem perguntar a ele. O empregador perguntou diretamente ao Ex?rcito. Depois disso, Gokham sofreu bullying, os colegas faziam coment?rios quando ele passava, outros se recusavam a conversar com ele. "Mas n?o tenho vergonha. N?o ? uma vergonha minha", disse. O caso de Ahmet ainda n?o foi resolvido. O Ex?rcito adiou por outro ano a decis?o sobre o certificado rosa. Ahmet acredita que isto est? acontecendo porque ele se recusou a aparecer para os militares usando roupas de mulher e ele n?o sabe o que vai acontecer quando comparecer frente aos militares de novo. Ele afirma que n?o poderia simplesmente cumprir o servi?o militar e manter sua sexualidade em segredo. "Sou contra todo o sistema militar. Se tenho que cumprir com algum dever para esta na??o, eles deveriam me dar uma escolha n?o militar", disse. No Brasil, n?o h? nenhuma lei que estabele?a que homossexuais n?o possam prestar o servi?o militar.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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