?O presidente da Ucr?nia, Viktor Yanukovich, l?deres da oposi??o, R?ssia e a Uni?o Europeia (UE) alinhavaram, nesta sexta sexta-feira (21), ap?s uma longa reuni?o, um acordo preliminar para por fim ? pior crise pol?tica no pa?s, anunciou a Presid?ncia ucraniana em comunicado.
N?o h? ainda, por?m, informa?es oficiais sobre os detalhes do acordo.
Os termos ser?o conhecidos nesta sexta.
A AFP havia informado anteriormente que Yanukovich estaria propenso a aceitar a proposta internacional de antecipar elei?es. Segundo a AFP, a informa??o ? do primeiro-ministro polon?s, Donald Tusk, um dos negociadores da paz no pa?s.
A TV ucraniana informou que acordo alinhavado prev? elei?es antecipadas em dezembro de 2014, forma??o de um governo de coaliz?o e reforma constitucional.
Um diplomata europeu disse ? ag?ncia Reuters que o acordo prev? reformar a constitui??o at? setembro. Segundo ele, a oposi??o ainda quer alterar detalhes do plano.
O pa?s mergulhou numa onda de manifesta?es depois que o governo de Yanukovich desistiu de assinar, em 21 de novembro de 2013, um acordo de livre-com?rcio e associa??o pol?tica com a UE, alegando que decidiu buscar rela?es comerciais mais pr?ximas com a R?ssia, principal aliada ucraniana.
Os protestos levaram a in?meros confrontos que j? deixaram ao menos 75 mortos em Kiev s? nas ?ltimas 24 horas.
A antecipa??o das elei?es teria sido negociada com tr?s chanceleres europeus que realizam uma media??o entre o governo ucraniano e a oposi??o: o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, e seus colegas alem?o, Frank-Walter Steinmeier, e polon?s, Radoslaw Sikorski.
"Foi decidido com Yanukovich a realiza??o de elei?es presidenciais e parlamentares este ano e a forma??o de um governo de uni?o nacional nos pr?ximos dez dias para mudar a constitui??o at? o ver?o" (inverno, no hemisf?rio sul), disse o premi? polon?s, Donald Tusk.
O ministro das Rela?es Exteriores da Fran?a, no entanto, n?o confirmou que a crise est? sob controle. Ele alertou que os l?deres da oposi??o precisavam de tempo para consultar suas bases. "A oposi??o quer consultar alguns de seus membros, o que ? totalmente compreens?vel", disse Laurent Fabius, em uma entrevista ao vivo ? r?dio Europe 1. "? importante manter-se muito cauteloso."
A press?o aumentou quando Alemanha, Estados Unidos e R?ssia se pronunciaram por "uma solu??o pol?tica" para a crise, que est? criando uma tens?o digna da Guerra Fria entre Moscou e os governos ocidentais. "? preciso cessar o banho de sangue", assinalou um comunicado difundido por Berlim.
A viol?ncia tomou conta da Ucr?nia na quinta-feira (20), com pelo menos 100 mortos em Kiev, segundo a oposi??o. O minist?rio da Sa?de comunicou 75 ?bitos desde ter?a (18).
O minist?rio do Interior informou a morte de tr?s policiais nesta quinta, que se somam aos dez agentes mortos nos dois dias anteriores. Em Lviv (oeste), os corpos de dois policiais foram encontrados numa base policial queimada, anunciaram as autoridades locais.
Confrontos
Armados com bast?es, escudos com pregos, pedras e coquet?is molotov, centenas de manifestantes radicais enfrentaram a Pol?cia de Choque Berkut, que revidou com balas de borracha e bombas de g?s lacrimog?neo. Mas, segundo testemunhas, atiradores estavam posicionados nos altos dos pr?dios com fuzis.
O minist?rio do Interior reconheceu, posteriormente, que agentes dispararam com muni??o convencional, alegando que estavam protegendo suas vidas. Os disparos procederam tanto de policiais no solo quanto de agentes posicionados em pr?dios.
Imagens exibidas por uma rede de televis?o ucraniana mostraram homens armados com fuzis, aparentemente integrantes das for?as de seguran?a. Um deles abre fogo contra um alvo n?o identificado, no centro de Kiev.
"Os manifestantes foram mortos de maneira muito profissional por atiradores emboscados que atingiam as v?timas no cora??o, na cabe?a ou na car?tida", afirmou a m?dica Olga Bogomolets, entrevistada pela rede Kanal 5.
Ap?s uma tr?gua nos confrontos, manifestantes refor?aram as barricadas no centro da cidade com tapumes e pneus, e garrafas vazias foram levadas para serem transformadas em coquet?is molotov.
Guerra Civil
"O pior cen?rio que pod?amos prever, o de uma guerra civil, infelizmente ? muito real", declarou o primeiro-ministro polon?s, Donald Tusk. "Mas a experi?ncia nos mostrou que os compromissos assumidos pela administra??o ucraniana raramente s?o respeitados", ressaltou.
Enquanto isso, outros ministros das Rela?es Exteriores da UE, reunidos em Bruxelas, aumentaram a press?o, decidindo cancelar os vistos e de congelar os bens de autoridades ucranianas.
Depois que a crise na Ucr?nia atingiu o auge, a chanceler alem?, Angela Merkel, o presidente americano, Barack Obama, e o presidente russo, Vladimir Putin, conversaram por telefone para discutir uma solu??o que acabe com o derramamento de sangue. Os tr?s "concordaram que ? preciso encontrar uma solu??o pol?tica para a crise na Ucr?nia o mais r?pido poss?vel", indicou o governo alem?o.
A Casa Branca se disse "escandalizada" com os ataques a tiros das for?as de seguran?a contra os manifestantes na Ucr?nia, e novamente exortou o presidente Viktor Yanukovytch a retirar os policiais do centro da capital.
O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, advertiu Yanukovich que Washington adotar? san?es se funcion?rios do governo ucraniano ordenarem disparos contra os manifestantes opositores.
Biden falou com o l?der ucraniano por telefone e "deixou claro que os EUA est?o preparados para aplicar san?es contra os funcion?rios respons?veis pela viol?ncia".
Enquanto especialistas consideram que a R?ssia ? fundamental para que a crise seja solucionada, Moscou tem mantido uma posi??o muito firme. O premi? Dimitri Medvedev explicou que seu pa?s vai cooperar apenas com um poder que n?o aceita ser um "capacho".
Risco
A ag?ncia de classifica??o financeira Standard & Poor's rebaixou nesta sexta-feira a nota da Ucr?nia ap?s a viol?ncia dos ?ltimos dias, que pode prejudicar o apoio financeiro russo e a solv?ncia do pa?s.
A nota da Ucr?nia caiu para CCC, que corresponde a um pa?s pr?ximo da falta de pagamento. A perspectiva ? negativa, o que significa que a ag?ncia pode rebaixar novamente a classifica??o a curto ou m?dio prazo.