
A Uni?o Europeia fez um apelo na noite de quarta-feira (23) para a organiza??o de “elei?es livres e cred?veis” na Venezuela. A declara??o aconteceu no dia em que o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaid?, declarou-se presidente interino.
A nota divulgada pela Uni?o Europeia, no entanto, n?o menciona diretamente a iniciativa de Guaid?, que j? foi reconhecida por 13 pa?ses, entre eles, o Brasil e os Estados Unidos. Nicol?s Maduro, que se diz alvo de um golpe, afirmou que n?o vai se render.
Veja os pa?ses que reconheceram Guaid? como presidente
No dia em que os venezuelanos foram ?s ruas em manifesta?es pr? e contra o governo chavista, a Alta Representante para a Pol?tica Externa da Uni?o Europeia, Federica Mogherini, afirmou em nota que o povo da Venezuela “pediu maci?amente a democracia e a possibilidade de determinar livremente seu pr?prio destino. Essas vozes n?o podem ser ignoradas”.
“A UE apela fortemente ao in?cio de um processo pol?tico imediato que conduza a elei?es livres e cred?veis, em conformidade com a ordem constitucional”, diz a nota de Mogherini. "A UE apoia plenamente a Assembleia Nacional como institui??o democraticamente eleita cujos poderes devem ser restaurados e respeitados."
Mogherini ainda defende que "os direitos civis, a liberdade e a seguran?a de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo o seu Presidente, Juan Guaid?, devem ser observados e plenamente respeitados”. Guaid? j? foi detido h? alguns dias ap?s declarar estar disposto a assumir a Presid?ncia.
O secret?rio-geral da ONU, Ant?nio Guterres, tamb?m fez um apelo pelo di?logo para evitar “um desastre” no pa?s.
"O que esperamos ? que o di?logo seja poss?vel e evitar uma escalada que nos levaria a um tipo de conflito que poderia ser um desastre para o povo da Venezuela e para a regi?o", declarou.
"Os governos soberanos t?m a possibilidade de decidir o que querem. O que nos preocupa na situa??o da Venezuela ? o sofrimento do povo da Venezuela", completou.
Golpe'
Maduro acusou os Estados Unidos – primeiro pa?s a reconhecer Guaid? como presidente interino – de dirigirem uma opera??o para impor um golpe de estado e anunciou o rompimento de rela?es diplom?ticas e pol?ticas com o pa?s.
"Estamos aqui pelo voto do povo. S? as pessoas colocam e s? as pessoas removem. Pode um 'qualquer' se declarar presidente ou ? o povo que elege o presidente?", questionou.
Maduro, que conta com o apoio das For?as Armadas, tamb?m prometeu resistir.
"Aqui n?o se rende ningu?m, aqui n?o foge ningu?m. Aqui vamos ao combate. E aqui vamos ? vit?ria da paz, da vida, da democracia", disse.
O presidente da Venezuela, Nicol?s Maduro, fala da sacada do Pal?cio Miraflores, em Caracas, ao lado de sua mulher, Cilia Flores, e do presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, na quarta-feira (23) — Foto: Luis Robayo/AFP
Brasil
Jair Bolsonaro reconheceu Guaid? como presidente da Venezuela durante encontro com l?deres de outros pa?ses em Davos, na Su??a, onde participava do F?rum Econ?mico Mundial.
Questionado a sobre a crise venezuelana, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que n?o considerava tomar medidas militares, mas deixou claro que "todas as op?es est?o sobre mesa".
Hamilton Mour?o, que ocupa a Presid?ncia em raz?o da viagem de Bolsonaro, declarou que o Brasil n?o participaria de uma eventual interven??o dos Estados Unidos no pa?s. Segundo ele, n?o faz parte da pol?tica externa brasileira “intervir” em quest?es internas de outros pa?ses.
J? a R?ssia, que ? aliada de Maduro, reafirmou seu apoio ao l?der chavista. Em comunicado, o minist?rio russo das Rela?es Exteriores declarou que a interfer?ncia externa destrut?va ? inaceit?vel e abre espa?o para a desordem e "o banho de sangue".
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse ainda que declara?es de autoridades americanas que sugerem a possibilidade de interven??o militar eram muito perigosas.
Protestos continuam
Ap?s a grande mobiliza??o popular de quarta-feira em Caracas, a Venezuela continuou a enfrentar protestos durante a madrugada desta quinta-feira (24). Trata-se do 3? dia consecutivo de manifesta?es contra o governo de Maduro.
De acordo com a ag?ncia de not?cias EFE, os protestos desta quinta-feira voltaram a se concentrar em bairros populares de Caracas, antes considerados basti?es do chavismo, que governa o pa?s desde 1999.
Desde o in?cio das manifesta?es, pelo menos 13 pessoas morreram no pa?s, segundo a ONG Observat?rio Venezuelano de Conflito Social (OVCS). De acordo com o ?rg?o, as v?timas foram atingidas por disparos e foram atacadas por agentes da pol?cia ou por grupos paramilitares.