
RIO — At? 2020, n?o existiam no mercado vacinas feitas de RNA mensageiro. S?o imunizantes que empregam uma sequ?ncia gen?tica do v?rus para emular no corpo humano uma resposta imune contra aquele pat?geno. Ao fim do ano passado, j? eram duas as f?rmulas com a tecnologia do RNA mensageiro (da Pfizer e da Moderna) a mostrar altos ?ndices de efic?cia contra a Covid-19.
— A pandemia, como toda crise sanit?ria, acelerou a ci?ncia e, ? claro, o desenvolvimento de vacinas para outras doen?as — afirma Natalia Pasternak, ? frente do Instituto Quest?o de Ci?ncia e colunista do GLOBO.
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A microbiologista ? uma das convidadas do debate “A vacina do futuro”, que ser? transmitido amanh?, a partir das 11h, no YouTube, no Facebook e no site do GLOBO. Participam do encontro tamb?m o imunologista e pesquisador de vacinas da USP Gustavo Cabral, o chefe do Laborat?rio de Virologia da Faculdade de Medicina de S?o Jos? do Rio Preto, Maur?cio Lacerda Nogueira, o imunologista, pesquisador da Fiocruz e professor da UFMG Ricardo Gazzinelli e o virologista e biof?sico pesquisador da UFRJ R?mulo Neris.
O evento ? uma realiza??o do GLOBO com patroc?nio da Bradesco Sa?de. As inscri?es devem ser feitas pelo site oglobo.globo.com/projetos/avacinadofuturo.
Com media??o da jornalista Ana Lucia Azevedo, os pesquisadores discutem como os estudos para uma vacina contra a Covid-19 podem impactar no futuro dos imunizantes. O uso bem-sucedido da plataforma de RNA mensageiro ? considerado um dos principais avan?os na ?rea. R?mulo Neris lembra que essa tecnologia j? era usada em laborat?rios, para procedimentos de pesquisa, mas ainda n?o havia sido extrapolada como plataforma para uma vacina.
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— Muitas pessoas nunca tinham ouvido falar dessas t?cnicas, embora n?o sejam novas. A manipula??o de RNA, por exemplo, para transferir informa??o de um organismo para outro, j? existe h? mais de tr?s d?cadas — afirma Neris. — No meio cient?fico, isso j? garantia uma certa confian?a na t?cnica. Claro que s? isso n?o ? suficiente, e a vacina precisou passar por testes de seguran?a e efic?cia, muito bem-sucedidos, como vimos.
Atualiza??o r?pida
A grande vantagem da tecnologia de RNA, completa o biof?sico, ? que ela pode ser “atualizada” facilmente. Ele lembra que, para adaptar a vacina da gripe a uma nova variante, por exemplo, ? preciso cultivar o v?rus com as modifica?es e, ent?o, inativ?-lo. J? na plataforma de RNA mensageiro, basta escrever novamente o c?digo gen?tico com as altera?es e sintetizar a mol?cula em laborat?rio.
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— Essa facilidade cria um cen?rio muito favor?vel para outras doen?as. Se para desenvolver uma vacina ? moda antiga era muito mais custoso e demorado, no caso das vacinas de RNA mensageiro consegue-se desenvolver mais rapidamente e com custo muito menor — completa Neris.
O biof?sico destaca ainda que as vacinas de RNA da Pfizer e da Moderna mostraram que, al?m de criar anticorpos, s?o muito eficientes em gerar c?lulas de mem?ria, capazes de reconhecer o agente infeccioso mais rapidamente em exposi?es futuras ao v?rus.
— Se essas c?lulas forem ativadas assim que voc? ? exposto a um pat?geno, a chance de desenvolver uma infec??o ? m?nima. Numa infec??o por zika, por exemplo, ? cr?tico que o v?rus n?o alcance a barreira placent?ria e o feto. Como se faz isso? Precisamos de c?lulas prontas e mobilizadas o quanto antes para conter a infec??o. Qual seria a melhor op??o de vacina? A que gera mais c?lulas de mem?ria. E as de RNA mensageiro, no contexto da Covid, t?m se mostrado as mais eficientes nisso.
Ana Lucia Azevedo lembra que h? pesquisas que buscam combinar vacinas para a Covid-19 e outras patologias:
— H? uma s?rie de estrat?gias inovadoras contra a Covid-19 em desenvolvimento no Brasil e no mundo, que acenam com avan?os tamb?m contra outras doen?as. Uma delas, por exemplo, ? a de um grupo brasileiro, liderado pela UFMG, que desenvolve uma vacina dupla, contra a Covid-19 e a gripe.
Para Pasternak, al?m de abrir caminho para novas tecnologias, a corrida pela vacina durante a pandemia tamb?m aponta para a necessidade de uma “revolu??o no ecossistema industrial do Brasil”:
— A tecnologia gerada em 2020 para novas vacinas ? fant?stica e vai abrir portas para mudar a forma como fazemos imunizantes. Mas, no Brasil, a autonomia na produ??o e no desenvolvimento ? muito prejudicada. A Pfizer, por exemplo, conseguiu desenvolver t?o rapidamente porque investiu pesado e porque teve investimento do governo americano. No Brasil, se temos laborat?rios capacitados, caso de Butantan e Bio-Manguinhos, batemos num obst?culo que ? a parceria com a ind?stria.