?O com?rcio viu suas vendas ca?rem durante cinco meses seguidos pela primeira vez desde o ano 2000, quando o comportamento do varejo come?ou a ser analisado. Em junho, o recuo sentido pelo setor foi de 0,4%, influenciado pela redu??o do cr?dito e dos sal?rios.
Os n?meros foram divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat?stica (IBGE). No m?s anterior, o varejo havia recuado 0,8% e na compara??o com junho do ano passado, 2,7%.
Nos primeiros seis meses de 2015, o com?rcio acumula queda de 2,2%, a maior baixa para o per?odo desde 2003, quando a baixa foi de 5,7%, interrompendo uma sequ?ncia de 11 anos de taxas positivas consecutivas Em 12 meses, o ?ndice tem recuo de 0,8%.
“Em 2003, tinha a situa??o de desemprego pior do que agora, cr?dito mais restrito do que agora e crise pol?tica que estava se ajustando. Agora, voc? tem uma crise mais interna. Tanto pelo lado da produ??o quanto do consumo. Consumidores est?o com baixa confian?a, o que desestimula as vendas, principalmente de bens dur?veis e alimentos, que t?m reflexo direto com a renda”, analisou Isabela Nunes Pereira, gerente de Servi?os e Com?rcio do IBGE.
Em ambas as compara?es, entre os ramos que mais sofreram com queda das vendas est?o os de autom?veis e de m?veis e eletrodom?sticos.
"No momento em que h? crescimento da taxa de juros, eleva??o do credito... aquele grupo de vendas de bens de consumo dur?veis, que envolvem valor mais alto e parcelas maiores, ressentem", disse.
As vendas do setor de m?veis e eletrodom?sticos, por exemplo, diminu?ram 13,6% em rela??o ao ano passado, e exerceram a principal influ?ncia para o recuo do com?rcio em geral. De acordo com o IBGE, esse resultado ? justificado "pelo menor ritmo de crescimento do cr?dito com recursos livres, al?m do comportamento da massa de rendimento m?dio real habitual dos ocupados".
“Todas as atividades mostram melhora [queda menor] em compara??o a maio, exceto hipermercado. Esse setor est? ligado intimamente ? renda, ? massa salarial que vem caindo. A PME [Pesquisa Mensal de Emprego] mostra aumento desemprego, consequentemente, a massa salarial cai. Esse grupamento resiste a ter alguma varia??o, mas vem sucumbindo ?s quedas da renda consecutiva. Tem rela??o com a renda muito forte”, analisou a gerente. Na compara??o com maio, as vendas desse segmento ficaram est?veis, mas frente a junho do ano passado, recuaram 2,6%.
De maio para junho
Nessa base de compara??o, a maioria das atividades mostrou queda, com destaque para ve?culos e motos, partes e pe?as (-2,8%), equipamentos e material para escrit?rio, inform?tica e comunica??o (-1,5%); m?veis e eletrodom?sticos (-1,2%); tecidos, vestu?rio e cal?ados (-0,8%), al?m de combust?veis e lubrificantes (-0,6%).
Entre os poucos segmentos que viram suas vendas aumentarem est?o artigos farmac?uticos, m?dicos, ortop?dicos, de perfumaria e cosm?ticos (0,3%) e material de constru??o (5,5%). "Esse crescimento de 5,5% [do material de constru??o] n?o muda a tend?ncia negativa que o setor vem mostrando em termos de venda, j? que interrompe sequ?ncia de cinco taxas negativas, acumulando perda de 9,4% nesse per?odo [cinco meses anteriores]”, disse Isabela.
Espelho de 2014
Quando o IBGE compara os n?meros de junho de 2015 com os do mesmo m?s do ano passado, os resultados negativos tamb?m prevalecem. Bebidas e fumo, por exemplo, recuaram 2,7%, tecidos, vestu?rio e cal?ados, 4,6% e combust?veis e lubrificantes (-1,0%).
Na contram?o, assim como registrado na an?lise mensal, cresceram as vendas de artigos farmac?uticos, m?dicos, ortop?dicos e de perfumaria (6,2%); outros artigos de uso pessoal e dom?stico (1,6%); equipamentos e materiais para escrit?rio, inform?tica e comunica??o (7,9%).
Depois das vendas de m?veis e eletrodom?sticos, o que mais caiu foi o resultado de hipermercados, supermercados, produtos aliment?cios, bebidas e fumo, que mostrou recuo de 2,7%. "Esta atividade mant?m alta correla??o com a evolu??o da massa de sal?rios, com desempenho negativo, al?m da influ?ncia da eleva??o dos pre?os da alimenta??o no domic?lio", afirma o IBGE, em nota.
No semestre
Na an?lise semestral, as principais influ?ncias negativas partiram de m?veis e eletrodom?sticos (-11,3%) e hipermercados, supermercados, produtos aliment?cios, bebidas e fumo (-1,8%), "pressionados tanto pela redu??o e encarecimento da oferta de cr?dito, quanto pela da redu??o da massa real habitual de sal?rios, observada ao longo do ano de 2015".
Queda no Amap?
A maioria dos estados mostrou queda nas vendas, com destaque para Amap? (-10,2%); Para?ba (-9,0%); Alagoas (-8,0%); Goi?s (-7,7%); e Amazonas (-7,6%).
Receita
Em junho, a receita nominal de vendas mostrou resultados positivos em todas as compara?es, ao contr?rio do comportamento das vendas. Frente a maio de 2015, a alta foi de 0,8% e em rela??o a junho do ano passado, foi de 4,6%. J? no ano, a receita acumula avan?o de 4,2% e, em 12 meses, de 5,5%.