Publicada em 09 de Maio de 2014 às 07h42
Imagem: Elpais
Ap?s o desmonte de quatro acampamentos de estudantes opositores em Caracas, na madrugada dessa quinta-feira (8), a Venezuela teve um dia de tens?o. A pris?o de 243 jovens, durante a opera??o, gerou revolta de parentes e novos confrontos entre manifestantes e policiais em pelos menos tr?s pontos da cidade at? a noite.
Al?m das pris?es e do adiamento de uma reuni?o, o dirigente do partido Vontade Popular, Leopoldo L?pez, preso desde o dia 18 de fevereiro, teve a audi?ncia de julgamento cancelada, quando j? havia sido levado ao tribunal. De acordo com os advogados de L?pez, a audi?ncia foi desmarcada sob a alega??o de que n?o havia "expediente". O julgamento n?o foi remarcado e a defesa alegou n?o ter recebido nenhuma notifica??o sobre a nova data do julgamento. saiba mais Maduro acusa oposi??o sabotar seu primeiro ano de mandato Minist?rio P?blico da Venezuela vai investigar suposto plano de atentado Leia mais sobre Venezuela
"Hoje, a Justi?a injusta escondeu-se. De que tem medo? Da verdade? Eles sabem que devo ser libertado", declarou Lopez, citado na p?gina da rede social Twitter pelo seu partido.
A deten??o dos estudantes foi considerada uma opera??o “surpresa” da pol?cia venezuelana. O ministro do Interior, Miguel Torres Rodriguez, disse ? televis?o estatal VTV que a a??o lan?ada na madrugada tinha como objetivo “destruir os acampamentos” porque os estudantes “praticavam atos terroristas", como incendiar carros de patrulha da pol?cia e arremessar cocktails Molotov contra as for?as de seguran?a.
Um dos l?deres dos estudantes, Juan Requesens, informou que seus companheiros sofreram "uma emboscada", mas garantiu que os jovens v?o "prosseguir a luta por seus direitos".
A Venezuela vive manifesta?es di?rias e protestos, pac?ficos e violentos, desde fevereiro. Os primeiros foram feitos pelo movimento estudantil, mas alguns setores da sociedade tamb?m come?aram a mobiliza??o contra o governo e em prol de mais seguran?a p?blica, abastecimento, controle da infla??o e liberdade de express?o.
A viol?ncia dos confrontos entre estudantes e outros manifestantes e as for?as de seguran?a j? provocou 41 mortes e mais de 813 feridos, de acordo com n?meros oficiais. Segundo o Minist?rio P?blico, as den?ncias de viola?es de direitos humanos e abusos de repress?o por parte das autoridades est?o sendo investigadas.
Ao enfrentar um cen?rio inst?vel, o presidente Nicol?s Maduro aceitou a participa??o da Uni?o de Na?es Sul-americanas (Unasul) como mediadora nos di?logos, e uma comiss?o de chanceleres reuniu-se em pelo menos tr?s ocasi?es no pa?s, no m?s passado, com representantes da sociedade civil, do governo, dos empres?rios e da oposi??o.
Ap?s a destrui??o dos acampamentos, uma reuni?o entre o governo de Nicol?s Maduro e representantes da Mesa da Unidade Democr?tica (MUD), que re?ne partidos opositores, tamb?m foi adiada para a semana que vem.
Os acampamentos destru?dos eram considerados os “?ltimos redutos de resist?ncia” em Caracas. O principal estava situado em frente ?s instala?es do Programa das Na?es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Tr?s meses ap?s o in?cio da onda de protestos, o pa?s continua dividido e polarizado, apesar dos insistentes chamados de di?logo e da media??o da Unasul. As pesquisas mostram desgaste da imagem presidencial.
Em abril, uma pesquisa da Hinterlaces mostrou que 52% da popula??o venezuelana acreditam na capacidade de Nicol?s Maduro para solucionar os problemas do pa?s e 46% avaliam que ele n?o teria a capacidade necess?ria. Em outra sondagem, o Instituto Datanalisis revelou que seis em cada dez venezuelanos estariam insatisfeitos com a gest?o de Maduro.