Piaui em Pauta

Violência inibe presença de turistas em favelas na Copa do Mundo

Publicada em 07 de Maio de 2014 às 11h00


N?o bastaram os grandes investimentos dos ?ltimos anos, vindos a reboque da pol?tica de pacifica??o e da proximidade dos grandes eventos. A 36 dias do in?cio da Copa do Mundo, empres?rios da rede hoteleira, instalados em v?rias comunidades com UPPs do Rio, lamentam a baixa procura por estadia e passeios em favelas, durante o per?odo de realiza??o da competi??o. Os preju?zos come?am a ser sentidos por eles, que esperavam j? estar faturando alto por conta do mundial. ? Para os empreendedores, n?o h? d?vidas: os recentes conflitos e ataques a policiais em favelas das Zona Sul e Norte, aliados ?s recomenda?es de v?rios consulados para que as ?reas sejam evitadas por turistas, s?o respons?veis pela frustra??o. Que o diga a administradora Cristiane Oliveira, de 42 anos, dona do Hostel Favela Inn, no Chap?u Mangueira, no Leme. Desolada, ela diz n?o ter uma s? vaga ocupada por turistas que estar?o no Brasil, exclusivamente, pelo futebol. ? “Tivemos uma procura normal, de estudantes e mochileiros. Estava esperando movimento digno da alta temporada mas, por enquanto, s? tenho quartos vazios e preju?zos”, conta. De acordo com a Associa??o de Albergues do Rio, 60% da rede carioca j? est?o reservadas, enquanto a Associa??o Brasileira de hot?is fala em 90% de quartos credenciados pela Fifa j? reservados.? ? Imaginando c?modos abarrotados para a Copa do Mundo que gerou a maior venda de ingressos em todos os tempos, Cristiane investiu R$ 15 mil na constru??o de um quarto anexo, para abrigar mais seis pessoas. “? absurdo que se aconselhe algu?m a n?o visitar as favelas. Medo eu tenho dos protestos e dos v?rios roubos que podem ocorrer no asfalto, no cal?ad?o”, desabafa. As cartilhas divulgadas por consulados de pa?ses como Inglaterra, Argentina, Alemanha e Estados Unidos recomendam cautela na hora de visitar as comunidades pacificadas.? ? No Vidigal tamb?m h? quem amargue preju?zos e cancelamentos de ?ltima hora por conta da viol?ncia. “Desde a morte do dan?arino Douglas Pereira, o DG, no Pav?o-Pav?ozinho, m?s passado, foram muitos os telefonemas de turistas preocupados com a viol?ncia e cancelando reservas”, conta a recepcionista do Alto Vidigal Guesthouse, J?ssica Almeida. De acordo com ela, a repercuss?o negativa da m?dia internacional fez com que apenas 60% das vagas estejam ocupadas atualmente. Para a semana da grande final, no Maracan?, por exemplo, ainda n?o h? reservas. ? Enquanto isso, Dona Marta se beneficia? ? N?o s?o apenas os empres?rios da Zona Sul que reclamam dos preju?zos. Na Zona Norte, a atividade que virou moda entre turistas estrangeiros desde o in?cio do programa de pacifica?es, as visitas guiadas aos morros cariocas, tamb?m est?o sofrendo com baixa procura. Segundo Jo?o Paulo Campos Lopes, diretor administrativo da Rio Now, que realiza passeios no Alem?o, mesmo com a proximidade da Copa, a procura pelo servi?o sofre com uma baixa. ? “No in?cio das pacifica?es, houve um ‘boom’ de procura, mas com esses protestos violentos de moradores e ataque ?s UPPs, os turistas estrangeiros ficam com receio e estamos com menos clientes para a temporada”, disse. O preju?zo para os guias ? maior nas comunidades onde est? havendo uma sequ?ncia de conflitos, como a Nova Bras?lia e a Fazendinha. ? “Os guias do Complexo do Alem?o e de outras favelas onde h? confronto est?o passando ‘perrengues’. Ent?o os turistas trocam os passeios em comunidades com clima mais tenso para vir ao Dona Marta, onde n?o tem guerra de tr?fico”, relatou Thiago Firmino, guia local da favela de Botafogo.? ? Rafael Ricci, s?cio da Jeeptour, empresa que faz passeios em v?rias comunidades, diz que o movimento de turistas sem v?nculo com ag?ncias para a Copa ainda n?o chegou. “S? recebemos contatos vindo de ag?ncias de viagens. Por enquanto, temos dias inteiros vazios”, conta ele, que pretende realizar incurs?es com at? 500 pessoas por dia. Por?m, o empres?rio n?o culpa os avisos dos consulados. “N?o fere sugerir cuidado a ningu?m”. ? Campanha ? para al?m do Mundial? ? Acontece na manh? de hoje, na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), o lan?amento regional da campanha ‘N?o Desvie o Olhar’ . A iniciativa, encabe?ada pela rede internacional ECPAT (sigla para Fim do Tr?fico e da Explora??o Infantil, em ingl?s), visa combater a explora??o sexual de crian?as durante a Copa do Mundo.? ? Entre as a?es da campanha no Rio, est? a distribui??o de cartilha com orienta?es a PMs e guardas municipais sobre como agir para prevenir casos de explora??o infantil. Elaborada pelo Minist?rio P?blico do Trabalho (MPT) e pelo Minist?rio do Trabalho e Emprego (MTE), a cartilha aponta como identificar casos de abuso e os procedimentos a serem tomados quando constatada atitude suspeita.? ? “O objetivo do material ? fomentar a preven??o da explora??o sexual. Com uma linguagem bem acess?vel, a ideia ? que seja ?til para al?m da Copa”, sugere a Procuradora do MPT Sueli Teixeira Bessa. Al?m da cartilha, o aplicativo para smartphone e tablet ‘Projeta Brasil’, que auxilia nas den?ncias de abusos, tamb?m ser? apresentado. “A explora??o de menores ? a pior forma de trabalho infantil. ‘N?o Desvie o Olhar’ busca chamar a aten??o da sociedade para o tema”, comenta a procuradora. ?

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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