Publicada em 03 de Maio de 2014 às 11h30
Para ele, o Brasil é um país muito conservador.
Wagner Moura, 37, usa a express?o "for?as conservadoras" em dois momentos de uma longa entrevista que ele deu ao jornal Folha de S?o Paulo. Primeiro, quando fala de poss?veis rea?es negativas ao filme que lan?a no dia 15, "Praia do Futuro", dirigido por Karim A?nouz, no qual interpreta um homossexual que troca o Cear? por Berlim.
Imagem: Divulga??oPara ele, o Brasil ? um pa?s muito conservador.
Depois, ao comentar o cen?rio pol?tico. Wagner disse a publica??o n?o saber em quem votar no segundo semestre e estranha a morte do coronel Paulo Malh?es semanas ap?s depor na Comiss?o da Verdade.
"Um cara diz publicamente que matou, torturou, fez o diabo e, no m?s seguinte, morre? ? queima de arquivo, mostra como as for?as conservadoras s?o atuantes."
Para ele, "o Brasil ? um pa?s muito conservador". Chama de "falaciosa" a ideia de um pa?s liberal. "N?o tenho d?vida de que vai haver uma rea??o moral a Praia do Futuro", pelo fato de eu ser um ator popular e conhecido por um personagem como o Capit?o Nascimento."
Desde "Tropa de Elite", em 2007, o ator diz que, a cada filme que faz, jornalistas perguntam como seu novo personagem se relaciona com a figura do Capit?o Nascimento.
"Sempre tem aquele que pergunta se eu fiz o filme para apagar a imagem do Capit?o Nascimento. Agora, ent?o, v?o dizer que fiz um veado para matar de vez o Capit?o."
Wagner Moura se prepara para dirigir seu primeiro filme, a biografia do guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969). A?, cinema e pol?tica se fundem em alvo potencial de rea?es negativas. Segundo ele, j? o criticaram dizendo que ele vai dirigir "um filme sobre um assassino".
Enquanto trabalha com Felipe Braga no roteiro, engata um papel no outro.
Vai personificar o traficante colombiano Pablo Escobar (1949-1993) na s?rie do Netflix "Narcos", com dire??o de Jos? Padilha ("Tropa de Elite"), e cogita um monte de projetos: da chance de interpretar o jovem Federico Fellini (1920-1993) ? de viver um dos atores que encarnou o palha?o Bozo.
Wagner Moura v? uma dimens?o pol?tica em "Praia do Futuro", filme que estreia no dia 15. Ele considera que falar de uma rela??o homossexual como se fosse uma rela??o heterossexual ajuda a eliminar preconceitos.
"? assim que falo dos amigos gays para os meus filhos. Ah, o tio e aquele outro s?o namorados?" Sim, igual a seu tio e sua tia"", conta o ator.
Outra dimens?o ? a da dramaturgia. Para Wagner, n?o ? justo resumir o drama de seu personagem, Donato, ? quest?o de ser ou n?o ser gay. "Ele tem uma complexidade muito bonita, que discute identidade e pertencimento. N?o ? um filme sobre um cara que vai para Alemanha para ser gay e ficar em paz."
Wagner d? o exemplo de uma jornalista russa que, no ?ltimo Festival de Berlim, disse ter se emocionado com a quest?o da homossexualidade em "Praia do Futuro".
"Se tiver essa leitura, que tenha. O que ? um filme gay? N?o sei. Se o filme, l? na R?ssia, onde tem aquele escroto do Putin, ou aqui, onde as pessoas matam gays pra caramba, puder ajudar de alguma forma, acho legal. Mas ele n?o foi feito para isso."