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Ex-ginasta depõe contra técnico e explica silêncio:

Publicada em 03 de Maio de 2018 às 07h57 Versão para impressão

No início da tarde desta quarta-feira, mais um jovem afirmou ter sido assediado sexualmente pelo ex-treinador da seleção brasileira Fernando de Carvalho Lopes em depoimento aos policiais da Delegacia da Mulher, da Criança e do Adolescente (DDM) de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Lucas Altemeyer é a 20ª vítima a depor contra o treinador no escândalo envolvendo a ginástica revelado no último domingo no Fantástico.

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Atualmente com 29 anos, Lucas Altemeyer treinou por 3 anos no Mesc (Movimento de Expansão Social Católica) sob o comando de Fernando de Carvalho Lopes. Ficou no clube de 2003 a 2005. A coragem para mostrar o rosto e contar sobre os abusos da época em que era ginasta só veio depois da repercussão que o caso tomou.

- Nunca tinha falado para minha família sobre isso, sempre guardei para mim. E, por ter visto as meninas nos EUA fazerem isso, e o próprio Petrix ter ido de cara aberta, eu me senti na obrigação - disse Altemeyer, hoje com 29 anos, em entrevista exclusiva à TV Globo.

Hoje eu sinto que fiz uma coisa errada, porque se eu tivesse falado na época talvez o processo tivesse começado e outras crianças depois não teriam sofrido.
Lucas se arrepende do silêncio que durou mais de uma década. E explica porque não denunciou antes os abusos cometidos pelo seu ex-treinador.

- Era medo de piadas, era medo de pessoas ficarem me julgando por eu não ter falado também na época que sofri os abusos. Então, tudo isso veio junto e eu resolvi ficar na minha. Hoje eu sinto que fiz uma coisa errada, porque se eu tivesse falado na época talvez o processo tivesse começado e outras crianças depois não teriam sofrido.

Atualmente, Lucas Altemeyer é artista do Cavalia, um circo itinerante canadense aos moldes do Cirque du Soleil. Nascido em São Bernardo, ele começou a praticar o esporte aos 8 anos em Santo André, a princípio para seguir os passos do irmão. Como já havia trabalhado antes com outros treinadores, ele estranhou a forma como Fernando de Carvalho Lopes agia nos treinos.

- Ele tinha uma característica de querer ser amigo nosso, até falava que queria ser nosso pai, queria saber bastante da nossa vida. Com o tempo, a gente foi percebendo que em alguns exercícios ele começava a tocar de forma diferente, auxiliar no movimento em locais onde não havia necessidade. A minha experiência com técnicos anteriores ao Fernando mostrava que eles não tinham necessidade de tocar a parte do glúteo ou do órgão genital da criança. E eu começava a assistir àquilo e ficava meio "eu treinei com seis técnicos antes e eles nunca me tocaram, por que ele precisa me tocar?". Algumas das desculpas que ele dava é que tinha estudado Educação Física, ele já era formado e sabia o que estava fazendo - complementou Altemeyer.

Lucas acredita que o número de ginastas que sofreram algum tipo de abuso de Fernando de Carvalho Lopes vai continuar crescendo.

- Acredito que todos (foram vítimas do Fernando). Eu presenciei muita coisa. Essa relação do toque em movimentos que não havia necessidade de usar a mão na genitália. (Ele) Ia no banheiro assistir a gente tomar banho, entrava com uma desculpa de querer conversar sobre treino, sobre o que vai ser amanhã, vinha com aquele papo e consequentemente ele começava a assistir o banho da gente. Fazia alguns comentários até do tamanho do órgão genital de cada criança e isso era um pouco complicado pra gente ouvir e a gente não queria conversar. Uma forma de também se proteger dessa era que eu falava pros meninos tomarem banho de 30 segundos. Sai fora, cara, não fica no banheiro. Entre nós a gente achava uma forma de se esquivar.

Tinha muito medo de falar, porque a ginástica é um esporte que tem muito preconceito, dizem que é um esporte mais efeminado. E ainda falar que um adulto me abusou...
A equipe do Mesc da qual fazia parte tinha cerca de nove atletas, entre os quais Petrix Barbosa. O ex-ginasta acabou liberado por Fernando de Carvalho Lopes em 2005, supostamente por "falta de disciplina" e por "tentar jogar os atletas contra ele". Lucas Altemeyer acredita que, por ser jovem na época dos assédios, preferiu o silêncio.

- Não sei se foi por nossa imaturidade, por o Fernando ser inteligente e falar que tinha estudado e sabia onde ajudar ou não, e também a gente era criança. A gente saía do ginásio e virava a página. Falava "meu, deixa isso para lá, às vezes estou pensando demais". A gente não tinha o conhecimento de falar com alguém. E também tinha muito medo de falar, porque a ginástica é um esporte que tem muito preconceito, dizem que é um esporte mais efeminado. E ainda falar que um adulto me abusou... Para mim [a posição] era não vou falar, tenho vergonha, vou achar uma forma de me proteger e vou sair dessa sem contar para ninguém.

Desde domingo, quando Fantástico veiculou a reportagem, sua percepção mudou radicalmente. Lucas Altemeyer reiterou que a posição tem de ser sair das sombras e se pronunciar.

- Eu sinto que tenho a obrigação de falar e sinto que, falando de cara aberta, a gente vai conseguir com que outros saiam desse buraco que eles mesmos entraram (...) e consigam buscar justiça. É a única coisa que eu sinto que posso ajudar - comentou.

Fonte: globo  |  Edição: Claudete Miranda

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