Piaui em Pauta

'A gente tem que restabelecer a paz', diz Lula em ato na Avenida Paulista.

Publicada em 18 de Março de 2016 às 23h10


O ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva disse em discurso em ato em apoio ao governo federal, na Avenida Paulista, em S?o Paulo, nesta sexta-feira (18), que voltou ao governo n?o para brigar, mas para ajudar a presidente Dilma Rousseff a fazer o que tem que ser feito no Brasil. "Eu entrei pra ajudar a presidenta Dilma, porque precisamos restabeler a paz e a esperan?a e provar que esse pa?s ? maior que qualquer coisa no planeta terra", disse Lula.

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Ele afirmou ainda que "tem gente que prega a viol?ncia contra n?s 24 horas por dia" e que "n?o existe espa?o para ?dio nesse pa?s."
A CUT, organizadora do ato em defesa democracia, estimou o p?blico em 380 mil pessoas na Paulista no in?cio da noite. A PM afirmou que o protesto reuniu 80 mil pessoas. Segundo o Datafolha, foram 95 mil participantes na manifesta??o.
O ato come?ou ?s 16h. Lula chegou por volta das 19h. Em seu discurso, ele tamb?m repetiu o bord?o dos grupos que apoiam o governo federal e s?o contra o impeachmente da presidente Dilma: "N?o vai ter golpe!", afirmou Lula.
"Eu aceitei entrar no minist?rio porque faltam dois anos e seis meses pra Dilma acabar o mandato dela e ? tempo suficiente pra gente mudar este pa?s", afirmou Lula. Ele disse que se n?o estiver ainda impedido por liminares da Justi?a, vai come?ar as fun?es como ministro na ter?a-feira.

Al?m de se manifestarem em defesa da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, os manifestantes gritaram palavras de ordem e exibiram cartazes contra a TV Globo.
No pico da manifesta??o, 11 dos 23 quarteir?es da Paulista estavam ocupados. Pela manh?, a PM dispersou o ato contra o governo federal iniciado na quarta-feira, quando Lula foi nomeado Ministro da Casa Civil, e que fechou a Paulista por 39 horas.
Lula voltou a discursar na Avenida Paulista quase 14 anos depois do discurso que fez quando foi eleito presidente pela primeira vez, em 2002.
Ele chegou ao local por volta de 19h, subiu no carro de som e fez discurso inflamado. "Eu espero que seja uma li??o para aqueles que n?o acreditam na capacidade do povo brasileiro. Eu espero que seja uma li??o para aqueles que nos tratam como cidad?o e cidad? de segunda classe", afirmou Lula.
"Democracia n?o ? um direito morto. O povo n?o quero que democracia seja apenas uma palavra escrita", disse.

"Eu vim para c? pensando em falar como n?o ficar nervoso. Quando a companheira Dilma me chamou, relutei muito, desde agosto do ano passado, a voltar ao governo. Quando aceitei ir ao governo, voltei a ser Lulinha paz e amor. N?o vou ao governo para brigar. Eu vou l? para ajudar a companheira Dilma a fazer as coisas que tem que fazer por esse pa?s", disse Lula.
"Em ?poca de crise, a gente junta todo mundo e come o que tem, faz o que pode naquele momento que est?o vivendo. Por isso, vou ajudar a companheira Dilma a fazer o que precisa fazer.
Lula falou sobre as manifesta?es de grupos contr?rios ao governo e pregou a conviv?ncia pac?fica. "Precisa entender que democracia ? a conviv?ncia da diversidade. N?o quero que quem votou na A?cio goste de mim. Eu quero que a gente aprenda a conviver de forma civilizada com as nossas diferen?as", disse.



"Alguns setores ficaram dizendo que n?s somos os violentos e tem gente que prega viol?ncia contra n?s 24 horas por dia. Companheiros e companheiras, tem gente nesse pa?s que falava em democracia da boca pra fora."
Ao mesmo tempo, Lula afirmou que sempre respeitou os resultados nas urnas. "Eu perdi elei??o em 1989, em 1994, em 1998. J? tinha perdido em 1982 para o governo de S?o Paulo. Em nenhum momento voc?s viram eu ir para a rua protestar contra quem ganhou."
"Eles acreditavam que ia ganhar. Eles n?o imaginavam que no segundo turno ia aparecer a juventude, os intelectuais apoiando a Dilma. Eles que se dizem pessoas estudadas n?o aceitaram o resultado e faz um ano e tr?s meses que est?o atrapalhando Dilma a governar esse pa?s."
"Eles vestem amarelo e verde pra dizer que s?o mais brasileiros do que n?s", afirmou. "Eles n?o s?o mais brasileiros que n?s. Eles s?o o tipo de brasileiro que gostariam de ir pra Miami fazer compras todo dia. N?s somos o tipo de brasileiro que compra na 25 de mar?o [rua de com?rcio popular em S?o Paulo]".

Em certo momento, Lula olhou para o p?blico e gritou: "N?o vai ter golpe!".
Antes de encerrar, Lula disse: "Essas pessoas que est?o aqui n?o est?o aqui porque tiveram metr? de gra?a, n?o est?o aqui porque foram convocadas pelos meios de comunica??o a semana inteira, est?o aqui porque sabem o valor da democracia, est?o aqui porque sabem o que ? uma filha de uma empregada dom?stica chegar a uma universidade, porque sabem o que ? um jovem que n?o tinha esperan?a fazer um curso t?cnico, essas pessoas que est?o aqui sabem o valor que ? um coveiro de cemit?rio que estuda e vira um diplomata, um m?dico. ? esse pa?s que essa pessoas querem."

"A nossa bandeira verde e amarela est? dentro da nossa consci?ncia e do nosso cora??o, est? dentro do nosso ambiente de trabalho."
Lula deu ainda recado aos militantes para n?o aceitar provoca??o de grupos contr?rios. "Voc?s foram e s?o a melhor coisa que esse pais j? produziu, a sua gente, ? o nosso jeito alegre, e nosso jeito de lidar com a diversidade. N?o aceite provoca??o na volta pra casa. Quem quiser ficar com raiva, que morda o pr?prio dedo."
O ex-presidente deixou o local acompanhado de v?rios simpatizantes.

Haddad
O prefeito foi o primeiro a discursar. "? a avenida da democracia, da participa??o. Esse ato hist?rico, n?o ? um ato em defesa de um governo, de um partido, de um homem ou de uma mulher,? um ato em defesa da Rep?blica Federativa do Brasil", afirmou Haddad. "O estado democr?tico de direito corre riscos. Temos ideologia, ponto de vista, mas o que est? em jogo s?o as garantias individuais de cada um de voc?s. De quem est? aqui e de quem veio no dia 13. Estamos defendendo a seguran?a pol?tica deles e de todos", disse.
Haddad tamb?m criticou a condu??o coercitiva de Lula para prestar depoimento ? Pol?cia Federal e disse que a Constitui??o est? sendo desrespeitada. "Ningu?m pode ter suas conversas ?ntimas publicadas quando n?o s?o de interesse p?blico. Ningu?m pode ser acordado ?s 6h da manh? e conduzido coercitivamente", afirmou. "N?o existe um cidad?o que est? na Paulista hoje que n?o queira levar as investiga?es ?s ultimas consequ?ncias".
"O que se tem hoje no Brasil ? um julgamento sum?rio", afirmou Haddad.
A concentra??o come?ou ainda pela manh?, no v?o livre do Museu de Arte de S?o Paulo (Masp). Al?m da CUT, est?o presentes outros movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Central de Movimentos Populares (CMP), CTA da Argentina, UPes e Uni?o Estadual dos Estudantes (UEE).
Em frente ao pr?dio da Fiesp, um grupo de manifestantes gritava palavras de ordem, como "Cad? o pato", "N?o vai ter golpe", "o Lula ? meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo". O local foi isolado pela Pol?cia Militar.
Gilmar Mauro, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), disse que se houver golpe, haver? protesto todos os dias.
O ministro Miguel Rossetto, do Trabalho e Previd?ncia Social, diz que aqueles que ousarem enfrentar o povo ser?o derrotados pelo povo na rua.

Tens?o
Durante o ato, houve uma confus?o em frente ao pr?dio da Fiesp. Por volta de 17h, um grupo contra o governo Dilma Rousseff, que permaneceu na Avenida Paulista dentro da barreira da Pol?cia Militar, ergueu uma faixa a favor do impeachment. Os manifestantes a favor da democracia se irritaram e avan?aram contra o pequeno grupo, mas foram dispersados pela PM com spray de pimenta. Ningu?m foi ferido ou preso (veja no v?deo acima).
Antes do in?cio do evento, por volta de 15h, manifestantes contra o governo disseram que n?o iriam sair durante o protesto pr?-Lula e houve momentos de tens?o, em que membros dos dois grupos discutiram e foram separados pela Pol?cia Militar. (veja v?deo abaixo)
O secret?rio da Seguran?a P?blica de S?o Paulo, Alexandre de Moraes, disse que a Pol?cia Militar ir? garantir que n?o haja confronto no ato a favor da democracia e do governo federal que ocorre nesta tarde na Avenida Paulista, Centro da capital.
A Tropa de Choque est? posicionada na esquina da Rua Haddock Lobo com a Avenida Paulista durante o protesto pela democracia.

Tr?nsito
De acordo com a CET, os dois sentidos da via est?o bloqueados por onze quarteir?es. Por conta da manifesta??o na Paulista, os motoristas que seguem para a Consola??o realizam o desvio do tr?fego pela Cincinato Braga e pela S?o Carlos do Pinhal. Em dire??o ao Para?so, o desvio ? feito pela Alameda Santos.

Jato d'?gua
Pela manh?, na Avenida Paulista, a Pol?cia Militar teve de retirar 30 manifestantes contr?rios ao governo Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva que insistiam em permanecer na via - interditada havia 39 horas. Foi a primeira vez que a PM usou um blindado com jato d'?gua para dispersar protesto. Apenas uma bomba de efeito moral foi usada.
O protesto havia come?ado ?s 18h15 de quarta-feira (16), segundo a Pol?cia Militar, e provocou muito tr?nsito na regi?o. Tamb?m houve vandalismo na ciclovia da Avenida Paulista, que foi pichada durante a madrugada e manh? desta sexta-feira.

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Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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