Piaui em Pauta

Acusado chora e pede perdão à irmã de menina morta ao defender o pai.

Publicada em 06 de Março de 2014 às 23h45


Kerolly morreu após ficar dez dias internada. Kerolly morreu após ficar dez dias internada. ?O comerciante George Ara?jo de Souza, acusado de matar Kerolly Alves Lopes, de 11 anos, baleada na cabe?a ao defender o pai durante uma briga, participou da audi?ncia de instru??o para seu julgamento na tarde desta quinta-feira (6), em Aparecida de Goi?nia, Regi?o Metropolitana da capital. Ao t?rmino da sess?o, a irm? da v?tima, P?rola Alves Lopes, 14, que tamb?m estava presente no dia do crime, questionou o acusado sobre o ocorrido. “Por que voc? matou minha irm??”, perguntou ela. Com a voz embargada e chorando, George respondeu: “Voc? sabe que eu n?o queria matar voc?s. Mas me arrependo de tudo e pe?o perd?o pela dor que causei a sua fam?lia”, disse.

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A audi?ncia foi realizada na 4? Vara Criminal de Aparecida de Goi?nia e presidida pelo juiz Leonardo Fleury Curado Dias. Foram ouvidas sete testemunhas, sendo cinco de defesa e tr?s de acusa??o, incluindo o pai de Kerolly, o serralheiro Sinomar Firmino Lopes, e P?rola. O comerciante, que responde por homic?dio e dupla tentativa de homic?dio, tamb?m foi interrogado pelo juiz e deu a sua vers?o sobre os fatos.

O crime aconteceu no dia 27 de abril do ano passado. Kerolly foi baleada durante uma briga entre o pai e o comerciante. Dizendo ter sido amea?ado, Sinomar foi at? a pizzaria de George, acompanhado das filhas, para tirar satisfa??o e o homem acabou efetuando disparos contra a fam?lia. Imagens do circuito se seguran?a do estabelecimento registraram toda a a??o. Kerolly foi atingida na cabe?a e ficou 10 dias internada na UTI do Hospital de Urg?ncias de Goi?nia (Hugo). Ela teve morte cerebral constatada no dia 5 de maio de 2013. Dois dias depois, ela morreu por fal?ncia m?ltipla de ?rg?os.

Primeiro a ser ouvido, Sinomar pediu que George deixasse a sala. Ele contou que tudo come?ou por conta da demora em receber uma pizza. “Eu estava l? acompanhado da minha fam?lia e pedi duas pizzas e um refrigerante, que foi servido rapidamente. Mas as pizzas n?o vinham e n?o deu mais para esperar. A? levantei e disse que iria pagar apenas o refrigerante e coloquei minha carteira, que estava cheia de moedas, em cima do balc?o de vidro. A? ele quebrou [o balc?o] e o George come?ou a discuss?o”, contou o homem.
Ainda segundo ele, durante a briga, George deu um tapa em seu rosto. “Eu fiquei muito bravo, mas minhas filhas me seguraram e fomos embora. Antes de sair ele disse que iria dar um jeito em mim”, relatou. Depois disso, segundo Sinomar, boatos deram conta de que George estava ? sua procura. “Dois meses depois eu decidi ir ao local para resolver a situa??o e pagar pelo balc?o. Eu estava com as minhas filhas, pois sa?mos para comprar um presente para a P?rola, que fazia anivers?rio. Na volta eu iria passar em um a?ougue, perto da pizzaria, e a? decidi ir l? para conversar”, disse.




Em depoimento, pai de Kerolly negou que tenha usado a filha como escudo (Foto: Fernanda Borges/G1)

Sinomar contou que, ao entrar na pizzaria, que ainda n?o estava funcionando, George apareceu, j? armado. “Ele come?ou a gritar comigo, dizendo que eu teria o que merecia. Em seguida a P?rola entrou e depois a Kerolly. As duas pediam para ele abaixar a arma, mas ele respondeu com grosseria e as mandou calar a boca. A? minhas filhas me puxaram e eu peguei meu celular, dizendo que iria chamar a pol?cia. Mas o George foi se aproximando e a gente saiu correndo”, afirmou
O pai de Kerolly disse que o comerciante efetuou ao menos quatro disparos, sendo dois na cal?ada e dois enquanto eles entraram em uma farm?cia para se esconder. Nas imagens das c?meras de seguran?a o pai aparece atr?s da menina, no entanto, ela nega que a tenha usado como escudo. “Quando olhei para o lado a minha filha estava ferida e tinha batido a cabe?a no vidro da farm?cia. De maneira alguma eu tentei me esconder atr?s dela, acho que foi o jeito que eu a puxei e ela acabou ficando na minha frente”, ressaltou.
Sinomar tamb?m negou que tenha ido ao com?rcio para brigar com George. “Meu pai me ensinou que a gente n?o deve fazer coisa errada, por isso voltei l? para pagar o vidro que eu quebrei, mas n?o sabia que iria dar nisso”, disse.
O juiz questionou Sinomar pelo fato dele n?o ter registrado um boletim de ocorr?ncia contra George ap?s a suposta amea?a, mas o homem n?o soube explicar os motivos que o levaram a tentar resolver a situa??o sozinho. “N?o sou criminoso e nunca fui. Eu s? queria dar um basta”, disse.

Logo depois, foi a vez de P?rola falar e ela pediu que George voltasse a audi?ncia. Ao lado m?e, Miriam Coelho Alves, ela relatou o que aconteceu no dia do crime e ratificou o depoimento do pai. Segundo a garota, ao verem que Sinomar estava no meio de uma discuss?o, ela e irm? tentaram acabar com a confus?o. “Eu fiquei do lado do meu pai e a Kerolly colocou a m?ozinha na dire??o do George, implorando para que ele n?o atirasse. Em seguida, ela correu e foi pedir ajuda na farm?cia e eu fiquei com o meu pai”, contou.

Segundo P?rola, a irm? s? saiu da farm?cia quando o comerciante j? tinha efetuado o primeiro disparo. “Quando a Kerolly ouviu, saiu correndo. A? ela veio e abra?ou meu pai e foi quando ela foi atingida. Ele [George] ainda veio olhar se tinha acertado meu pai”, relatou a menina.
P?rola ressaltou que o pai ? uma pessoa “nervosa”, mas que nunca agiu com trucul?ncia com ela e a irm?. “Com a gente ele ? uma pessoa super boa. Ele foi l? para acertar as contas”, afirmou.
O promotor Milton Marcolino, do Minist?rio P?blico de Goi?s (MP-GO), ainda ouviu uma terceira testemunha e dispensou as demais. “As provas colhidas j? s?o suficientes para provar a culpa de George. Ele cometeu um crime de maneira s?rdida e quis se colocar acima da lei. N?o tenho d?vidas que ele ir? a j?ri popular e ser? condenado”, afirmou.
Defesa
Em seguida come?aram os depoimentos de defesa, a maioria de comerciantes que trabalhavam na mesma regi?o que George. Um deles, Michel do Carmo Moura, contou que presenciou a primeira briga entre a dupla. “Eu estava na pizzaria com a minha fam?lia e fiquei assustado com o comportamento do Sinomar”, relatou. Sobre George, o homem disse que o conhece h? mais de tr?s anos e que nunca presenciou nenhum ato de viol?ncia praticado por ele.
J? o desempregado Eleniton Severino Dias disse que conhece tanto Sinomar quanto George de antes do crime e que o pai de Kerolly ? uma pessoa perigosa. “Meu irm?o tinha um com?rcio e j? tinha sido amea?ado por ele”, relatou. A testemunha refor?ou que o comerciante estava com medo da “m? fama” de Sinomar.
Outras tr?s testemunhas de defesa foram ouvidas, sendo que uma delas foi a m?e de Kerolly, Miriam Alves. A mulher contou que estava separada de Sinomar h? seis anos e que tinha a guarda das filhas, mas que as deixou morar com o pai ap?s ser amea?ada. “Ele vivia dizendo que se acontecesse algo com elas seria culpa minha, pois eu tinha que trabalhar e elas ficavam sozinhas. A? acabei cedendo. Mas acho que elas foram mais por d? do pai do que por medo”, afirmou.
A mulher disse que j? foi agredida por Sinomar e que isso resultou na separa??o. “Ele sempre foi nervoso, mas nunca vi ele atirando em algu?m”, ressaltou. Por conta do epis?dio citado por Miriam, o serralheiro chegou a ser preso dias ap?s a morte a filha. Ele tinha uma condena??o por agredir a ex-mulher e n?o tinha cumprido a pena. Dois dias depois Sinomar foi liberado.

Comerciante
O juiz perguntou a George se ele queria responder ao interrogat?rio e, ap?s conversar com seus advogados, ele optou por falar. O homem negou a inten??o de matar as v?timas e disse que se arrepende. “Eu n?o conhecia o Sinomar antes da confus?o e em momento algum exigi que ele pagasse pela pizza. Mas ele deu um murro no balc?o e eu fiquei assustado. Ele me amea?ou dizendo que voltaria depois”, afirmou.
O comerciante disse que, no dia em que Kerolly foi baleada, Sinomar voltou e ficava o tempo todo com a m?o nas costas, aparentando que poderia estar armado. “Eu estava com a arma, que comprei ap?s ser v?tima de assaltos. Durante a discuss?o, ele ficava o tempo todo se escondendo atr?s das filhas. S? sei que atirei no rumo dele e s? depois vi que tinha acertado a menina e fugi”, disse.
George tamb?m disse se lembra de ter disparado apenas um tiro, e n?o quatro, como destacam as v?timas. “Eu pensei que o tiro tinha acertado a menina de rasp?o. S? depois vi que n?o e decidi me entregar ? pol?cia. Estou muito arrependido de tudo, pois isso abalou tamb?m a minha fam?lia”, ressaltou o comerciante.
Um dos advogados de defesa do comerciante, Dyellber Ara?jo, afirmou que acredita na absolvi??o do seu cliente. “Ficou claro que o George estava coagido, com medo de um homem perigoso. Quem agiu de forma errada foi o Sinomar, que exp?s as filhas ao perigo”, destacou.


George negou que teve a inten??o de matar Kerolly
e seus familiares (Foto: Fernanda Borges/G1)

Ao t?rmino da audi?ncia, o juiz Leonardo Fleury Curado Dias disse que as informa?es colhidas ser?o analisadas e que, s? depois disso, ser? definido se George ir? a j?ri popular.
Tags: Acusado chora e pede - O comerciante George

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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