Piaui em Pauta

Corpo de Márcio Thomaz Bastos é cremado em cemitério da Grande SP.

Publicada em 21 de Novembro de 2014 às 13h10


?A cerim?nia de crema??o do corpo do advogado e ex-ministro da Justi?a M?rcio Thomaz Bastos, de 79 anos, terminou por volta das 10h15 desta sexta-feira (21) no Cemit?rio Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande S?o Paulo.

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M?rcio Thomaz Bastos morreu na manh? de quinta-feira (20), aos 79 anos, no Hospital S?rio-Liban?s, em S?o Paulo, ap?s problemas no pulm?o. Bastos foi internado na ter?a-feira (18) para tratamento de descompensa??o de fibrose pulmonar, segundo boletim divulgado pelo hospital.
A cerim?nia de despedida come?ou por volta das 9h50, a portas fechadas, e contou com a presen?a de amigos, entre eles o ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva, e de familiares de Bastos. Lula disse que Bastos foi "o mais importante criminalista do pa?s". "Mas acho que a gente tem que ver o M?rcio n?o como advogado, como ser humano, como uma pessoa solid?ria, como um democrata, que lutou incansavelmente para que a gente tivesse nesse pa?s um estado de direito", disse na sa?da do cemit?rio.
O ex-presidente contou que alertou o amigo em rela??o ? tosse constante. "Acho que morreu, apesar dos 79 anos, precipitadamente. Eu tinha falado com ele para ele cuidar da tosse, porque uma pessoa de 79 anos com tosse pode ganhar pneumonia, uma coisa mais grave, mas ele trabalhava demais", lamentou.
A vi?va Maria Leonor de Castro Bastos chegou ao cemit?rio de cadeira de rodas e deixou a cerim?nia de muletas, amparada por amigos e parentes. A administra??o do cemit?rio informou que, a pedido da fam?lia, o ex-ministro ser? cremado de beca, traje usado por ele ao longo de toda a carreira.
O vel?rio aconteceu da tarde desta quinta-feira (2) at? as 8h30 desta sexta na Assembleia Legislativa de S?o Paulo, na Zona Sul da capital paulista.



Na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff foi ao vel?rio na Assembleia Legislativa e conversou com a vi?va. Tamb?m estavam presentes o ministro Alo?zio Mercadante, o prefeito de S?o Bernardo e ex-ministro Luiz Marinho e o governador eleito de Minas e ex-ministro do Desenvolvimento, Ind?stria e Com?rcio Exterior Fernando Pimentel.
Ainda no vel?rio, o ministro da Justi?a, Jos? Eduardo Cardozo, disse que Dilma pediu que ele falasse em nome da Presid?ncia lamentando a morte do companheiro. "Perdemos um grande amigo, uma pessoa sem sombras de d?vida insubstitu?vel", disse Cardozo.

Dilma ficou por cerca de uma hora no vel?rio. Logo ap?s sua sa?da, o ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva chegou ? cerim?nia, onde acompanhou um momento de ora??o conduzido por um padre e fez um breve discurso em homenagem ao ex-ministro.

"M?rcio, todos n?s te devemos alguma coisa, sobretudo a solidariedade que voc? prestava a todos n?s e a todo momento, sobretudo o amor que voc? tinha pela democracia. Se Deus te chamou, meu querido, descanse em paz, porque voc? merece."
O vice-presidente, Michel Temer, tamb?m esteve no vel?rio logo no come?o da cerim?nia e lamentou tamb?m a morte de Samuel Klein. "S?o duas perdas lament?veis: de um lado, a figura do M?rcio Thomaz Bastos, que produziu muito pela advocacia, e de outro, o Samuel Klein, que produziu muito pelo com?rcio, portanto, para o desenvolvimento do Brasil", disse Temer.

No vel?rio, amigos lamentam
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, esteve no vel?rio e foi um dos amigos que lamentaram a morte de M?rcio Thomaz Bastos. "O M?rcio sabia ouvir e captar um pouco a alma dos clientes", disse Kakay.
J? o advogado Ant?nio Cl?udio Mariz de Oliveira relembra os embates com o amigo durante julgamentos, sobretudo no caso do jornalista Pimenta Neves. Segundo Mariz, era um oponente duro. "Tanto que eu perdi", afirma o advogado, que atuou como defensor do r?u.
O sobrinho e tamb?m companheiro de profiss?o Jos? Diogo Bastos Neto diz que Bastos trabalhou at? mesmo do hospital. "Mesmo l? combalido na cama, na m?scara de oxig?nio, ele ligava para os advogados para irem l? pra ele dar orienta??o. Nunca perdeu a lucidez e estava preocupado com seus clientes, que foi a marca dele a vida inteira", conta o sobrinho.


M?rcio Thomaz Bastos, defensor de Jos? Roberto Salgado, ex-diretor do Banco Rural, no julgamento do mensal?o, em 8 de agosto de 2012 (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

Trajet?ria
Um dos advogados criminalistas mais influentes do pa?s, Bastos foi convidado pelo ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva para compor a equipe do primeiro mandato. Comandou o Minist?rio da Justi?a entre 2003 e 2007.
Mesmo depois de deixar o minist?rio, continuou em evid?ncia ao atuar em casos de grande repercuss?o nacional. Atuou, por exemplo, no julgamento do processo do mensal?o, no Supremo Tribunal Federal, em 2012. Na ocasi?o, defendeu o ex-vice-presidente do Banco Rural, Jos? Salgado.


Durante o per?odo do julgamento, entrou com reclama??o contra o ent?o presidente do STF, Joaquim Barbosa, questionando o fato de Barbosa n?o ter levado pedidos da defesa dos r?us para an?lise do plen?rio do tribunal.
Tamb?m foi o respons?vel pela defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que responde a processo por suspeita de participa??o em esquema de jogos ilegais.
Bastos atuou ainda na defesa do m?dico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de pris?o por 48 ataques sexuais a 37 v?timas.
A acusa??o dos assassinos de Chico Mendes, do cantor Lindomar Castilho e do jornalista Pimenta Neves s?o outros trabalhos de repercuss?o nacional no curr?culo do ex-ministro. Em 2012, Bastos foi contratado pelo empres?rio Eike Batista para defender o filho Thor Batista, que respondia por um atropelamento.
Nos ?ltimos dias, articulava tamb?m as defesas das empresas Odebrecht e Camargo Correa dentro do processo da Opera??o Lava Jato.

Perfil de M?rcio Thomaz
M?rcio Thomaz Bastos era paulista da cidade de Cruzeiro. Formou-se em 1958 na Faculdade de Direito da Universidade de S?o Paulo (USP).
Entre os anos de 1983 e 1985 presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em S?o Paulo. Neste per?odo, foi ligado ao movimento Diretas J?, que reivindicava voto direto para presidente da Rep?blica.
Em 1990, ap?s a elei??o do presidente Fernando Collor, integrou o governo paralelo institu?do pelo Partido dos Trabalhadores como encarregado do setor de Justi?a e Seguran?a. Em 1992, participou ao lado do jurista Evandro Lins e Silva da reda??o da peti??o que resultou no impeachment de Collor.
? fundador do movimento A??o pela Cidadania, juntamente com Severo Gomes, Jair Meneghelli e Dom Luciano Mendes de Almeida. ? fundador do Instituto de Defesa do Direito de Defesa.
Tags: Corpo de Márcio Thom - A cerimônia de crema

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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