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Dilma diz que pedirá que Brasil seja suspenso do Mercosul se ocorrer ?golpe?

Publicada em 22 de Abril de 2016 às 20h54


NOVA YORK - A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira a jornalistas estrangeiros que pedir? ao Mercosul que suspenda o Brasil do bloco comercial se ocorrer a quebra do processo democr?tico no pa?s, ap?s chamar, em coletiva, o processo de impeachment em curso de "golpe". O Mercosul tem uma cl?usula democr?tica que pode ser ativada se um governo eleito de um de seus membros seja deposto, como j? ocorreu com o Paraguai.

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A afirma??o aconteceu na noite desta sexta-feira. Pela manh?, durante participa??o em cerim?nia na sede da Organiza??o das Na?es Unidas (ONU), Dilma usou parte do seu discurso, no qual apresentou as medidas tomadas pelo governo brasileiro no acordo clim?tico, para citar o "grave momento que vive o Brasil".

- A despeito disso quero dizer que o Brasil ? um grande pa?s, que soube superar o autoritarismo e construiu uma pujante democracia. O nosso povo ? trabalhador e com grande apre?o pela liberdade, e saber? impedir quaisquer retrocessos. Sou grata a todos os l?deres que expressaram a mim sua solidariedade - declarou ela diante da plateia de chefes de estado.

A presidente tamb?m criticou a postura de tr?s ministros do Supremo Tribunal Federal por darem sua opini?o refutando o argumento da presidente de que o processo de impeachment seria um golpe. Na opini?o de Dilma, eles n?o deveriam ter se pronunciado. Ela lembrou que o impeachment ? previsto na Constitui??o, mas que para isso ? preciso ter crime de responsabilidade e que “esquecem crime de responsabilidade”.

- N?o ? a opini?o do Supremo. ? a opini?o de tr?s ministros. S?o apenas tr?s ministros. E s?o ministros que n?o deveriam dar opini?o porque v?o me julgar - argumentou.


Ela afirmou ainda que n?o falou sobre o processo de impeachment na ONU porque "n?o era o momento", preferindo falar sobre os avan?os clim?ticos no mundo, nos quais o Brasil teve um papel fundamental. E criticou a imprensa brasileira por ter noticiado, inclusive em editorial, que ela falaria sobre a crise pol?tica sem que isso fosse verdade.

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- Eu n?o tenho culpa se voc?s, bom, sei que n?o ? ningu?m aqui pessoalmente, estou dizendo, em geral, a imprensa, se a imprensa vai e faz at? editoriais dizendo que eu vou ? ONU para falar mal do Brasil. Eu fui ? ONU para falar a verdade, e a verdade na ONU ? a seguinte: n?s tivemos uma participa??o decisiva nesta COP 21 (o acordo clim?tico de Paris). Sem n?s, essa COP 21 n?o teria o resultado que teve. Ent?o voc?s tem de ter orgulho que n?s fomos decisivos para que hoje esteja sendo assinado por todos os pa?ses do mundo um acordo - disse ela.

A presidente disse ainda que vai defender o seu mandato gra?as aos 54 milh?es de votos que teve e que, os l?deres mundiais com os quais ela se encontrou nesta sexta-feira, na ONU, disseram palavras de apoio.

- Eu tenho rela?es pessoais com os presidentes e todos os presidentes que eu conheci nessa traget?ria, e que conhecem a minha hist?ria e conhecem o que est? acontecendo no Brasil, alguns, inclusive, que n?o s?o presidentes, disseram “for?a”. Outros disseram “solidariedade, ? dif?cil, mas segura, voc? ? corajosa". ? isso que as pessoas fazem porque somos pessoas, al?m de sermos ministros ou presidentes, somos pessoas - disse Dilma.

Dilma ainda voltou a dizer que se sente v?tima e afirmou que as pessoas que a criticaram pela possibilidade de falar da situa??o pol?tica no exterior temem, na verdade, serem taxados como golpistas.

— Eles temem ser chamados de golpistas por que s?o golpistas. Dizer que n?o ? um golpe ? incorreto — disse a presidente enfatizando a palavra "temem".

Mesmo em Nova York, a presidente Dilma Rousseff n?o deixou de ver manifesta?es populares a favor e contra o seu governo. Em frente ? embaixada brasileira antes de falar com os jornalistas estrangeiros, dois protestos, um a favor e outro contra o impeachment, cada um com cerca de 20 pessoas, fizeram barulho para chamar a aten??o das autoridades brasileiras, repetindo-se os gritos ouvidos nas cercanias na ONU, mais cedo. Enquanto um grupo batia panelas, outro chamava aten??o com cartazes e flores.

Questionada sobre como sua fam?lia est? vivendo este processo de impeachment, Dilma se mostrou emotiva:

- Eu n?o falo sobre a minha fam?lia, eu acredito que eles est?o sofrendo. Voc? imagina o estaria a sua fam?lia estaria sentindo, ent?o eu n?o posso falar porque d?i, d?i muito - disse Dilma

APOIO INTERNACIONAL

Ela foi recebida em Nova York, na noite de quinta-feira, com flores por um grupo de 50 pessoas, ? porta da resid?ncia oficial do embaixador Antonio Patriota, em uma manifesta??o contra o impeachment.

Dilma sentou-se ao lado do ministro das Rela?es Exteriores, Mauro Vieira, e da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e ? frente do embaixador Antonio Patriota. Deputados da oposi??o tamb?m viajaram aos Estados Unidos.

Al?m de sustentar a vers?o do 'golpe' no ambiente internacional, a viagem e o discurso de Dilma ao encontro da ONU sobre o clima representam uma tentativa do governo brasileiro de emplacar uma agenda positiva em meio ? crise pol?tica do pa?s. A presidente decidiu participar da reuni?o pouco mais de 24h antes de embarcar. Receosa em deixar o Brasil, Dilma confirmou sua ida a Nova York a partir da avalia??o de que os ve?culos de imprensa de fora t?m dado mais espa?o para a defesa da presidente.


Tags: Dilma diz que pedirá - NOVA YORK - A presid

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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