
?BRAS?LIA, 13 Mar (Reuters) - As mudan?as nas lideran?as do Congresso promovidas pela presidente Dilma Rousseff visam uma renova??o dos canais de di?logo do Executivo com o Congresso, mas as trocas tamb?m trazem novos riscos e n?o modificam o modelo centralizador da articula??o pol?tica do governo, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
A derrota no Senado com a rejei??o da recondu??o do diretor-geral da Ag?ncia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e um manifesto peemedebista cr?tico ao governo, apoiado por mais de 50 dos 78 deputados do partido, apressaram as mudan?as que estavam sendo gestadas, segundo uma fonte do governo, que pediu anonimato.
A decis?o de substituir os l?deres de governo na C?mara e no Senado ocorreu menos de uma semana ap?s a presidente ver rejeitada pelos senadores a recondu??o de Bernardo Figueiredo, t?cnico de sua m?xima confian?a, ? dire??o-geral da ANTT. O veto no Senado deu ? Dilma a certeza de que a articula??o pol?tica precisava de ajustes. E r?pido.
No cronograma inicial da presidente, segundo essa fonte do governo, encontrar uma solu??o pol?tica para os Minist?rios do Trabalho e dos Transportes era mais urgente do que a troca de lideran?as no Congresso.
Mas, com as vota?es do C?digo Florestal e Lei Geral da Copa pautadas na C?mara e o projeto que cria o Fundo Complementar dos Servidores P?blicos (Funpresp), no Senado, Dilma avaliou que seria melhor proceder as trocas logo, antes que colhesse uma nova derrota.
No caso do Senado, a presidente conversou com os caciques peemedebistas e tentou costurar um acordo para substituir o senador Romero Juc? (RR) por Eduardo Braga (AM), que ? um dos expoentes de uma corrente do partido que n?o vota sempre com o governo e resistia ? lideran?a do senador Renan Calheiros (AL).
Segundo outra fonte do governo, que tamb?m falou sob condi??o de anonimato, a expectativa da presidente com essa escolha ? atrair essa ala do PMDB no Senado e diluir uma parte do controle que Calheiros e o presidente do Senado, Jos? Sarney (PMDB-AP), t?m sobre a Casa.
"Ela fez um movimento para alicer?ar mais a base. No PMDB h? correntes e temos que trabalhar para harmonizar essas correntes", disse o l?der da legenda no Senado a jornalistas.
Antes de consumar a troca de Juc? por Braga, Dilma conversou com Temer, Sarney e Calheiros. A gota d'?gua para a sa?da de Juc?, segundo uma fonte do Pal?cio do Planalto, foi a retirada de pauta do projeto que tratava da equipara??o salarial entre homens e mulheres no setor privado, que a presidente queria sancionar nesta ter?a durante sess?o solene na Casa em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
Mas, na avalia??o de uma fonte ligada ao PMDB, Calheiros sentiu certa desconfian?a nos movimentos da presidente, j? que ele acalenta o sonho de retornar ? presid?ncia do Senado e percebeu na decis?o de Dilma uma tentativa de enfraquecer sua articula??o.
Essa fonte avaliou ainda que Sarney tamb?m n?o aceitou bem a decis?o da presidente, mas que n?o deve vocalizar discord?ncias imediatamente e, provavelmente, escolher? outro momento para demonstrar o desgosto. "Vingan?a ? um prato que se come frio", lembrou a fonte.
Como vacina, o governo j? recrutou Juc? para ser o relator do Or?amento para evitar os rumores de que perdeu a confian?a no experiente senador, que j? foi l?der do governo no Senado em mandatos dos ex-presidentes Luiz In?cio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.
C?MARA
A substitui??o do l?der do governo na C?mara, C?ndido Vaccarezza (PT-SP), apesar de acontecer no mesmo momento tem outros elementos que incentivaram a troca. H? tempos a ministra das Rela?es Institucionais, Ideli Salvatti, mantinha uma rela??o apenas formal com o petista e por vezes buscou outros interlocutores na Casa para negociar mat?rias de interesse do governo.
A presidente chegou a ser informada do problema. Agora, aproveitando a precipita??o da mudan?a no Senado e pesando o relacionamento dif?cil com a ministra, Dilma resolveu trocar o l?der na C?mara tamb?m.
Para o lugar de Vaccarezza, Dilma escolheu o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que j? presidiu a C?mara entre 2007 e 2008 e foi relator do Or?amento no ano passado.
A escolha de Chinaglia ? considerada por alguns petistas como um sinal do Pal?cio do Planalto ao PMDB de que o acordo para a sucess?o na presid?ncia da C?mara ainda depende do comportamento do principal aliado.
Dilma considerou que Chinaglia tem bom tr?nsito na Casa e teria mais for?a do que Vaccarezza para se contrapor ao l?der do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), quando necess?rio.
Al?m disso, Chinaglia foi o principal articulador do primeiro acordo entre PT e PMDB para partilhar o comando da C?mara durante o ?ltimo mandato de Lula, o que colaborou para a aproxima??o de Temer e da presidente Dilma Rousseff.
As mudan?as repentinas da presidente provocaram descontentamento entre deputados do seu pr?prio partido. Um deles disse ap?s a decis?o que ela estava agindo "como f?gado" e isso ? "inadmiss?vel na pol?tica".
Para esse parlamentar, que pediu para n?o ter seu nome revelado, Dilma est? "mexendo com algo que n?o conhece". "Riscaram a faca para ela e ela reagiu e riscou a faca tamb?m. Acho que esse ano vai ser turbulento", previu o petista insatisfeito com Dilma.
PRESS?O
A fonte ligada ao PMDB avalia tamb?m que a troca das lideran?as do governo no Congresso aumenta a press?o sobre a ministra Ideli Salvatti por resultados. Agora, a ministra participou da montagem do time de articula??o e n?o pode mais dizer que os l?deres n?o s?o da sua confian?a.
Essa fonte, por?m, acredita que a ministra continuar? tendo dificuldades para manejar os interesses do governo no Senado por conta do modelo de articula??o montado pela presidente, que ? muito fechado e centrado nas decis?es do gabinete presidencial.
Dilma n?o aceita, por exemplo, que outros ministros colaborem na rela??o com o Congresso com medo de criar interfer?ncias que fiquem fora do seu controle.
"Fica tudo entre a ela, a Ideli e a Gleisi (Hoffman, ministra-chefe da Casa Civil)", afirmou a fonte.