Poucos advogados criminalistas conhecem o sistema legal de Nova York t?o bem quanto Benjamin Brafman, famoso por ajudar celebridades com problemas s?rios e o escolhido por Dominique Strauss-Kahn para defend?-lo das acusa?es de tentativa de abuso sexual feitas pela funcion?ria de um hotel de Nova York.

Benjamin Brafman, advogado de Strauss-Kahn baseado em Nova York; diretor-geral do FMI nega todas as acusa?es
O diretor-gerente do FMI (Fundo Monet?rio Internacional) foi retirado de dentro de um avi?o da Air France no aeroporto JFK, no s?bado (14), ap?s ser acusado de ter abusado sexualmente de uma camareira no hotel Sofitel, na Times Square.
Brafman ? conhecido pelas causas ganhas nos tribunais americanos e por negociar bons acordos para seus clientes.
Ele representou o cantor Michael Jackson em um caso de abuso sexual de menores, em 2004. Tamb?m foi advogado do astro do futebol americano Plaxico Buress, acusado de entrar em uma boate com uma arma que disparou quando caiu da cal?a dele.
Brafman ainda tem no curr?culo ter conseguido inocentar o rapper "P. Diddy" Sean Combs (ex-Puff Daddy) das acusa?es de porte ilegal de arma e suborno em uma briga de boate e tiroteio que foram testemunhados por mais de cem pessoas.
"A maioria das pessoas que v?m a mim o faz em situa?es realmente desesperadoras", disse Brafman, de 62 anos, em uma entrevista recente para um grupo de estudantes de direito.
ESTRAT?GIA
Brafman, que representa Strauss-Kahn junto com o advogado de defesa William Taylor, de Washington, disse que seu cliente vai alegar "inoc?ncia".
Brafman foi promotor-assistente do distrito de Manhattan durante quatro anos antes de abrir seu pr?prio escrit?rio em Nova York, onde ficou famoso pela grande clientela de celebridades.
Para o jogador Burress, que teria que passar pelo menos tr?s anos e meio na cadeia, Brafman negociou um acordo que limitou a condena??o a dois anos.
Ele tamb?m conseguiu a absolvi??o do famoso rapper. "Senhoras e senhores, esse ? Sean 'Puff Daddy' Combs", disse ele durante aquele julgamento, de acordo com um livro sobre Combs, chamado "Bad Boy".
"Voc?s podem cham?-lo de Sean. Voc?s podem cham?-lo de Mr. Combs. Voc?s podem cham?-lo de Puff Daddy. Voc?s podem cham?-lo simplesmente de Puffy. Mas voc?s n?o podem cham?-lo de culpado", disse Brafman aos jurados.
Muitos casos em que Brafman trabalha n?o chegam aos tribunais. Durante v?rios anos ele representou o fugitivo internacional Viktor Kozeny. Em 2005, os promotores federais acusaram Kozeny de subornar funcion?rios do governo do Azerbaij?o em um acordo de privatiza??o da empresa estatal de petr?leo. Mas os promotores t?m sido incapazes de extradit?-lo das Bahamas. N?o est? claro se Brafman ainda representa Kozeny.
COLARINHO BRANCO
Brafman disse que foi chamado para representar Strauss-Kahn por Taylor, um s?cio da firma Zuckerman Spaeder, especializada em defesas de crimes de colarinho branco, em Washington.
Taylor e Brafman tiveram um papel importante na acusa??o dos advogados de a?es coletivas da empresa conhecida anteriormente como Milberg Weiss, que foram acusados de subornar os reclamantes.
Taylor representou a empresa, que conseguiu escapar da condena??o, enquanto Brafman representou um dos seus fundadores, Mel Weiss, que se declarou culpado e foi sentenciado a 30 meses de pris?o em junho de 2008.
Em uma recente entrevista ? Lawline.com, um site jur?dico, Brafman disse que ele se tornou especialista em manter seus clientes "vivos e funcionando" enquanto o mundo desmorona ao seu redor.
"Acho que j? convenci mais pessoas a n?o cometerem suic?dio do que qualquer psiquiatra no mundo", disse.
ENTENDA O CASO
As acusa?es que Strauss-Kahn enfrenta, segundo a pol?cia americana, incluem "agress?o sexual, reten??o ilegal e tentativa de estupro de uma camareira de 32 anos em um quarto de hotel em Nova York.

O hotel Sofitel, em Nova York, onde Dominique Strauss-Kahn supostamente tentou abusar sexualmente de uma camareira
O franc?s foi preso no s?bado ap?s ser retirado por policiais da primeira classe do voo da Air France que ia para Paris minutos antes da sua decolagem. Ele iria se encontrar neste domingo com a chanceler (premi?) alem?, Angela Merkel.
De acordo com o sub-comiss?rio de pol?cia de Nova York, Paul Browne, ouvido pela emissora CNN, Sreauss-Kahn apareceu nu quando a funcion?ria entrou em seu quarto para limp?-lo, por volta das 13h do s?bado (14).
Browne disse que Strauss-Kahn tentou abusar da mulher mas ela conseguiu fugir e correu at? a recep??o do hotel. Os funcion?rios alertaram a pol?cia mas, quando os agentes chegaram ao hotel, o chefe do FMI j? havia fugido para o aeroporto, deixando no quarto alguns objetos pessoais, entre eles seu telefone celular.
HIST?RICO
N?o ? a primeira vez que Strauss-Kahn se v? envolvido em pol?micas deste tipo. Em 2008, pouco depois de assumir o comando do FMI, ele assumiu ter tido um caso com uma funcion?ria do organismo, a economista Piroska Nagy, casada com um ex-presidente do Banco Central argentino.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, foi preso no s?bado nos Estados Unidos, acusado de abuso sexual.
Na ?poca, Strauss-Kahn admitiu "um erro de julgamento" por conta do caso.
Ainda que n?o tenha anunciado a sua candidatura, Strauss-Kahn, que ? membro do Partido Socialista franc?s, aparece nas pesquisas como o principal rival do atual presidente Nicolas Sarkozy nas elei?es ? Presid?ncia da Fran?a, marcadas para abril do ano que vem.
N?meros divulgados no in?cio de maio apontam que o chefe do FMI, que ainda n?o confirmou se vai concorrer, teria 23% dos votos no primeiro turno contra 17% para a l?der da extrema-direita Marine Le Pen e 16% para Sarkozy.
O pr?prio apoio de Sarkozy para a sua candidatura ao FMI foi visto como uma manobra para afast?-lo da corrida presidencial.