Piaui em Pauta

Em primeira reação concreta à espionagem, Dilma adia visita oficial aos EUA.

Publicada em 17 de Setembro de 2013 às 14h42


?A presidente Dilma Rousseff adiou a viagem oficial que faria aos Estados Unidos a partir de 23 de outubro pr?ximo. A decis?o, anunciada oficialmente nesta ter?a-feira (17), ? a primeira medida concreta tomada em rea??o ?s recentes den?ncias de espionagem da NSA (ag?ncia de seguran?a norte-americana) contra a pr?pria presidente e ? Petrobras. At? ent?o, a resposta brasileira se limitava a declara?es e pedidos de esclarecimentos.

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"Tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington e na aus?ncia de tempestiva apura??o do ocorrido com a correspondentes explica?es e o compromisso de cessar as atividades de intercepta??o, n?o est?o dadas as condi?es para a realiza??o da visita na data anteriormente acordada", diz a nota emitida pelo Pal?cio do Planalto.

A presidente afirmou ainda, na nota, que a decis?o foi tomada em conjunto com o presidente americano, Barack Obama. "Desta forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado pois os resultados desta visita n?o devem ficar condicionados a um tema cuja solu??o satisfat?ria para o Brasil ainda n?o foi alcan?ada. O governo brasileiro confia em que, uma vez resolvida de maneira adequada, a visita de Estado ocorra no mais breve prazo poss?vel, impulsionando a constru??o de nossa parceria estrat?gica a patamares ainda mais altos."

Dilma seria recebida pelo presidente norte-americano, Barack Obama, com honras de chefe Estado, tipo de tratamento concedido pelos EUA a parceiros que julgam estrat?gicos. Na honraria, raramente concedida, o recepcionado ? homenageado com v?rios eventos, entre eles um jantar de gala na Casa Branca (o visitante ? consultado sobre o card?pio e suas prefer?ncias musicais), uma parada militar e uma visita ao Congresso local.

O ?ltimo mandat?rio brasileiro a receber esse tipo de convite foi Fernando Henrique Cardoso, em 1995, recepcionado pelo ent?o presidente Bill Clinton. O ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva viajou aos EUA em 2009 para tratar da crise financeira global, mas n?o foi recepcionado com honras de Estado.

Ontem (16), Obama telefonou a Dilma no in?cio da noite e tentou demov?-la da desist?ncia. A conversa durou cerca de 20 minutos e foi acompanhada pelo ministro das Rela?es Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, com quem Dilma havia se reunido antes da conversa telef?nica. O mandat?rio norte-americano teria se comprometido a enviar documentos ? presidente nesta ter?a-feira.


Discurso em Nova York
A presidente dever? ir ? Nova York na pr?xima semana para participar da Assembleia Geral da ONU (Organiza??o das Na?es Unidas). H? grande expectativa em torno do discurso de abertura do encontro, que ser? feito por Dilma --a praxe ? os chefes de Estado brasileiro fazerem o pronunciamento inaugural de todas as assembleias. A mandat?ria j? anunciou que pretende tratar da espionagem no discurso.

A nova embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde, que desembarcou ontem no Brasil para assumir o lugar de Thomas Shannon, esquivou-se ao ser questionada sobre as den?ncias de espionagem.

Conselheiros da presidente, entre eles Lula, a orientaram a cancelar a viagem aos EUA. O ex-presidente fez declara?es duras contra o mandat?rio norte-americano durante evento em S?o Paulo, no ?ltimo dia 11. "N?s precisamos levar a s?rio a quest?o da democracia. Pode, por acaso, o senhor Obama e seu esquema de intelig?ncia ficar bisbilhotando a conversa da nossa presidenta? Em nome de que democracia?"

Rela?es estremecidas
As rela?es entre Brasil e Estados Unidos estremeceram a partir do 1? de Setembro deste ano, quando o "Fant?stico", da Rede Globo, exibiu uma reportagem no qual mostrou que e-mails pessoais da presidente Dilma foram interceptados pela NSA. Em 8 de setembro, uma segunda reportagem apontou que a Petrobras, maior empresa brasileira, tamb?m foi espionada pelos norte-americanos.

As reportagens foram produzidas em parceria com o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, correspondente do di?rio brit?nico The Guardian no Rio de Janeiro. O jornalista recebeu do ex-agente da NSA Edward Snowden uma s?rie de documentos que demonstrariam a espionagem dos EUA. Em entrevista ao UOL, Greenwald afirmou que o Brasil ? "o grande alvo" das intercepta?es norte-americanas.

Durante visita oficial ao Brasil na segunda semana de agosto, o secret?rio de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou, a despeito do pedido do ex-chanceler Antonio Patriota, que os EUA iriam manter a espionagem de e-mails e telefonemas de cidad?os brasileiros.


Kerry afirmou que a espionagem tinha como objetivo prevenir os EUA e pa?ses amigos de ataques terroristas, em especial da rede Al-Qaeda. O secret?rio negou que as intercepta?es tenham motiva??o econ?mica ou pol?tica e disse que o conte?do das mensagens telef?nicas e eletr?nicas n?o era acessado pelos agentes.

Espionagem pol?tica e econ?mica
Os documentos exibidos pela reportagem do "Fant?stico", que integram uma apresenta??o feita a novos agentes da NSA, contrariam a vers?o norte-americana, pois indicam que houve motiva??o econ?mica ou pol?tica e que o teor das mensagens tamb?m foi acessado.

No ?ltimo dia 6, Dilma se reuniu com Obama durante o encontro do G-20 em S?o Petesburgo, na R?ssia. Disse que cobrou do hom?logo a explica??o de "tudinho" que fosse relacionado ? espionagem. Em resposta, afirmou ter ouvido do colega que todos os esclarecimentos seriam prestados no dia 11.

Em vez de Obama enviar um representante ao Brasil, o ministro Figueiredo viajou a Washington e se encontrou com Susan Rice, conselheira de seguran?a nacional dos EUA. De modo lac?nico, a Casa Branca declarou que continuaria a "trabalhar junto" com o Brasil em quest?es bilaterais e que as reportagens que denunciaram a espionagem distorceram as atividades de espionagem dos EUA.

Veja abaixo a ?ntegra da nota oficial da presidente:

A presidenta Dilma Rousseff recebeu ontem, 16 de setembro, telefonema do presidente Barack Obama dando continuidade ao encontro mantido em S?o Petesburgo ? margem do G20 e aos contatos entre o ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado e a assessora de seguran?a nacional Susan Rice.
O governo brasileiro entende a import?ncia e a diversidade do relacionamento bilateral, fundado no respeito e na confian?a m?tua. Temos trabalhado conjuntamente para promover o crescimento econ?mico e fomentar a gera??o de emprego e renda.

Nossas rela?es compreendem a coopera??o em ?reas t?o diversas como ci?ncia e tecnologia, educa??o, energia, com?rcio e finan?as envolvendo o governo, empresas e cidad?os dos dois pa?ses.

As pr?ticas ilegais de intercepta??o das comunica?es e dados de cidad?os, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentat?rio ? soberania nacional e aos direitos individuais, incompat?veis com a conviv?ncia democr?tica entre pa?ses amigos.

Tendo em conta a proximidade da programada visita de estado a Washington e na aus?ncia de tempestiva apura??o do ocorrido com a correspondentes explica?es e o compromisso de cessar as atividades de intercepta??o, n?o est?o dadas as condi?es para a realiza??o da visita na data anteriormente acordada.

Desta forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado pois os resultados desta visita n?o devem ficar condicionados a um tema cuja solu??o satisfat?ria para o Brasil ainda n?o foi alcan?ada.

O governo brasileiro confia em que, uma vez resolvida de maneira adequada, a visita de Estado ocorra no mais breve prazo poss?vel, impulsionando a constru??o de nossa parceria estrat?gica a patamares ainda mais altos.
Tags: Em primeira reação - Em primeira reação

Fonte: UOL  |  Publicado por: Da Redação
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