Piaui em Pauta

Governo assiste ao desembarque do PMDB e teme contaminação da base.

Publicada em 26 de Março de 2016 às 14h06


BRAS?LIA E RIO - O governo manifestou forte preocupa??o com a decis?o do PMDB do Rio, anunciada quinta-feira, de abandonar a presidente Dilma Rousseff. A debandada da ala fluminense do partido, principal eixo de sustenta??o da petista, praticamente sela o desembarque do governo que o partido dever? oficializar na reuni?o do diret?rio nacional, na pr?xima ter?a-feira, diz um assessor do Planalto. Uma fonte pr?xima a Dilma avalia ainda que, com a sa?da do PMDB, fica muito mais dif?cil vencer a guerra contra o impeachment, inclusive porque o an?ncio pode fazer outros partidos aliados, como o PP, seguirem o mesmo caminho.

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— ? grav?ssimo, um sinal muito ruim. Fortalece enormemente o movimento de ter?a-feira. O PMDB do Rio era o principal eixo de sustenta??o do governo dentro do partido, n?o tinha ala mais governista no partido do que a fluminense. Vai nos exigir um esfor?o imenso de negociar deputado por deputado a manuten??o da alian?a. Desarma muito o governo — avalia um integrante do governo.

Assim que foi oficializada a posi??o do PMDB fluminense, tanto Dilma quanto o ex-presidente Lula ligaram para o ex-governador S?rgio Cabral, um dos principais caciques do partido no Estado, para pedir ajuda para estancar a sangria. Segundo relatos de peemedebistas, Lula estava “desesperado” e a conversa foi “fria” e “para falar o ?bvio”. Cabral, que liderou a tomada de posi??o do partido ao lado de Jorge Picciani, presidente do PMDB no Estado do Rio, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, avisou aos petistas que nada poderia fazer para ajudar, pois j? ? tarde demais. O PMDB do Rio avalia que n?o tem nada mais a ganhar com o ac?mulo de desgaste de defender o governo, enfrentado principalmente pelo l?der do partido na C?mara, o deputado Leonardo Picciani, eleito com aux?lio do Pal?cio do Planalto. Picciani ainda n?o sinalizou que posi??o dever? tomar, mas seus passos ser?o observados com aten??o pelo governo.

— Juntou a fome com a vontade de comer. O Lula, desde a elei??o do (governador) Pez?o, falou com Cabral duas vezes, Dilma nem ligou para o Eduardo Paes nessas semanas dif?ceis, sequer para pedir qualquer coisa. A? fica o Leonardo Picciani apanhando e todo mundo carregando desgaste sem ter qualquer tipo de reconhecimento. Essa foi uma prova da import?ncia do PMDB na manuten??o ou n?o de Dilma no poder — disse um integrante do diret?rio fluminense, resumindo a posi??o do partido: — A gente pode chegar at? a beira da cova, mas n?o vai para dentro dela.

Apesar do cen?rio negativo, uma fonte pr?xima a Dilma diz que o governo ainda tem esperan?a de reverter votos no PMDB e que o caminho para isso ? conversar. Para esse auxiliar, se o PMDB romper a alian?a com o governo na pr?xima ter?a-feira, ainda h? uma pequena chance de resistir ao impeachment atuando no varejo com os deputados diretamente.

— Dizem que n?s estamos oferecendo cargos para ter votos. Estamos mesmo. Mas eles (os que querem o rompimento da alian?a) tamb?m est?o — disse, em refer?ncia a um eventual governo comandado pelo vice-presidente Michel Temer. O clima entre os gabinetes de Dilma e do peemedebista ? de guerra fria. N?o h? comunica??o direta entre os dois e ambos os lados suspeitam dos movimentos do outro.

PIMENTEL TENTA CONCILIA??O EM MINAS

O Planalto considera que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), est? atuando para ajudar a manter o PMDB dentro da alian?a, mas o governo sabe que Renan tem limites para ajudar. Se o governo n?o conseguir votos para vencer o impeachment na C?mara, diz a fonte, n?o ser? o Senado que vai impedir a sa?da de Dilma.

— Ele tem dado mostras de que vai tentar evitar o desembarque (do PMDB). Mas se a gente n?o conseguir os votos na C?mara, n?o adianta pensar que o Senado vai barrar o impeachment.

Ap?s os ?ltimos acontecimentos, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, foi escalado para tentar evitar que o diret?rio mineiro do PMDB tamb?m vote pelo fim da alian?a com o governo. Ele ter? uma reuni?o amanh? com o seu vice e presidente do partido no estado, Ant?nio Andrade.

Em entrevista ao GLOBO, o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, justificou a decis?o do partido de votar pelo desembarque do governo:

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— N?o existe em pol?tica apoio incondicional, voc? precisa construir consensos m?nimos. Na ter?a-feira, n?s vamos defender com nitidez que o PMDB deve tirar o apoio, entregar os cargos e aguardar serenamente o desenrolar dos acontecimentos. Unanimidade n?o vamos conseguir, mas teremos maioria — disse.

O cacique do Rio contou que almo?ou, no ?ltimo domingo, com o vice-presidente Michel Temer e fez sugest?es a ele sobre um eventual governo do vice: que monte um Minist?rio “enxuto, com no m?ximo 15 pastas”, recheado de “grandes nomes” e que aponte para um “rigoroso ajuste fiscal”. Picciani disse que, independentemente da decis?o que o filho, Leonardo, tomar sobre o apoio ao governo, ele “n?o deve nada ao governo”:

— Respeito a posi??o do meu filho, convivendo com a presidenta, mas tem al?m disso a posi??o da bancada. Ele est? muito ? vontade, nada deve ao governo, e o l?der deve sempre expressar a vontade da maioria.

Tags: Governo assiste - Dilma - Teme

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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