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Governo Bolsonaro: quem são os líderes estrangeiros que assistirão à posse?

Publicada em 31 de Dezembro de 2018 às 08h57


Mesmo com a aus?ncia dos presidentes de Venezuela, Cuba e Nicar?gua, chefes de Estado latino-americanos comp?em a maioria dos l?deres que confirmaram presen?a na posse de Jair Bolsonaro no Pal?cio do Planalto nesta ter?a-feira, mantendo o padr?o das ?ltimas inaugura?es de mandato presidencial no pa?s.

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A lista de autoridades, por?m, deve destoar das anteriores pela presen?a dos l?deres conservadores de Israel e da Hungria, al?m da fraca presen?a de mandat?rios africanos (confira a rela??o abaixo).

Segundo o Minist?rio de Rela?es Exteriores, 12 chefes de Estado afirmaram que participar?o da cerim?nia de Bolsonaro. O ?rg?o n?o divulgou todos os nomes, citando quest?es de seguran?a.

Na primeira cerim?nia posse de Dilma Rousseff, em 2011, houve 21 chefes de Estado; na segunda, 12. Lula recebeu dez chefes de Estado na cerim?nia de 2003 e nenhum em 2007.

L?deres de esquerda
Integram o grupo que assistir? ? posse de Bolsonaro os presidentes de sete pa?ses sul-americanos – incluindo os l?deres de esquerda Evo Morales, da Bol?via, e Tabar? V?zquez, do Uruguai.

Os presidentes de Venezuela, Cuba e Nicar?gua n?o foram convidados ? cerim?nia, segundo o futuro chanceler, Ernesto Ara?jo, que exp?s diverg?ncias ideol?gicas com os tr?s governos e os acusou de ditatoriais pelo Twitter.

Para Geraldo Zaran, professor de Rela?es Internacionais da PUC-SP, a presen?a de grande n?mero de l?deres sul-americanos na posse de Bolsonaro e de seus antecessores evidencia a import?ncia do Brasil na regi?o.

Ele afirma que o protagonismo do pa?s tamb?m explica a vinda dos l?deres da Bol?via e Uruguai, cujos pa?ses mant?m fortes la?os econ?micos com o Brasil e teriam optado por uma postura pragm?tica, apesar das diverg?ncias pol?ticas com Bolsonaro.

O Brasil ? o maior importador de produtos bolivianos e uruguaios e mant?m fronteira com as duas na?es.

Marcos Guedes, professor titular de Ci?ncia Pol?tica e Rela?es Externas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), atribuiu a presen?a dos l?deres de direita da Hungria e Israel a motivos ideol?gicos e econ?micos.

"Imagino que Israel v? na aproxima??o com o governo brasileiro uma oportunidade para criar v?nculos comerciais", afirma.

A rela??o tamb?m interessa a Bolsonaro, que com o cortejo a Netanyahu acena a ao eleitorado evang?lico brasileiro, simp?tico a Israel.

No fim de semana, o premi? disse que o presidente eleito assegurou que mudar? a embaixada do Brasil em seu pa?s de Tel Aviv para Jerusal?m.

A troca brasileira representaria um reconhecimento da cidade como capital de Israel, o que pode provocar n?o apenas atritos com palestinos e pa?ses ?rabes, mas tamb?m rea?es da comunidade internacional, cuja posi??o ? de que o status de Jerusal?m deve ser decidido em negocia?es de paz entre israelenses e palestinos. At? agora, apenas EUA e Guatemala tomaram medida semelhante.

A vinda do l?der h?ngaro, por sua vez, sinalizaria a busca por uma alian?a pol?tica e econ?mica com o Brasil, segundo Guedes.

"A Hungria e outros membros da nova direita europeia t?m se sentido constrangidos pela Uni?o Europeia por defenderem pol?ticas que v?o de encontro ?s europeias", afirma. "A aproxima??o com o Brasil pode ser um canal de escape."

Pol?tica externa para a ?frica
Guedes destaca ainda a aus?ncia, por ora, de confirma?es entre l?deres africanos – diferen?a significativa em rela??o ?s posses anteriores.

Quatro chefes de Estado africanos estiveram na primeira posse de Dilma Rousseff em 2011, e tr?s participaram da segunda, em 2014.

Segundo o professor, as visitas refletiam a import?ncia que a pol?tica externa petista dava ? ?frica, destino de investimentos brasileiros e vista como um ba? de votos em organiza?es internacionais.

Com Bolsonaro, por?m, o continente deve passar a ser encarado apenas segundo seu potencial econ?mico, afirma o analista.

Confira a lista de chefes de Estado que devem vir ? posse nesta ter?a:

Argentina: Mauricio Macri

No posto desde 2015, o presidente e ex-empres?rio se elegeu com uma coaliz?o de partidos de direita e promoveu uma s?rie de reformas fiscais no cargo. Hoje enfrenta uma crise econ?mica, com forte desvaloriza??o do peso e alta infla??o.

Bol?via: Evo Morales

Presidente desde 2006, o ex-l?der sindical ser? um dos poucos l?deres de esquerda na cerim?nia. Em seu governo, a Bol?via cresceu em m?dia 5% ao ano – maior ?ndice da Am?rica do Sul. Ele conseguiu permiss?o da Justi?a para concorrer a um quarto mandato em 2019, mesmo ap?s um referendo realizado em 2016 ter rejeitado a possibilidade de uma nova reelei??o.

Chile: Sebasti?n Pi?era

Desde 2018, preside o pa?s pela segunda vez, apoiado por uma coaliz?o de partidos de direita. Construiu uma fortuna como empres?rio e investidor, tendo participa?es em uma TV, um time de futebol e uma companhia a?rea.

Col?mbia: Iv?n Duque M?rquez

Assumiu a Presid?ncia em agosto como principal candidato da direita colombiana. Advogado, ? afilhado pol?tico do ex-presidente ?lvaro Uribe. Elegeu-se prometendo rever o acordo de paz assinado com as For?as Armadas Revolucion?rias da Col?mbia (Farc), em 2016.

Hungria: Viktor Orb?n

Primeiro-ministro desde 2010 e reeleito neste ano, ? lider de um partido nacionalista e conservador. Considerado xen?bo e racista por cr?ticos, defende barrar a entrada de mu?ulmanos na Hungria e na Europa.

Israel: Benjamin Netanyahu

Primeiro-ministro desde 2009, ? l?der do partido conservador Likud. ? investigado por suspeitas de corrup??o e tem perdido apoiadores no Parlamento, o que o fez antecipar a pr?xima elei??o para abril. Adota linha dura no conflito com os palestinos.

Paraguai: Mario Abdo Ben?tez

Eleito em 2018 pelo conservador Partido Colorado, que governou o Paraguai na maior parte de sua hist?ria. ? empres?rio, fez faculdade de Marketing nos EUA e foi paraquedista militar antes de entrar na pol?tica.

Peru: Mart?n Vizcarra

Vice-presidente na chapa eleita em 2016, assumiu o governo ap?s a ren?ncia de Pedro Pablo Kuczynski (PPK), em meio a um esc?ndalo de corrup??o envolvendo a construtora brasileira Odebrecht. Engenheiro, integra um partido conservador e liberal.

Uruguai: Tabar? V?zquez

Desde 2015, governa o pa?s pela segunda vez. M?dico, ? um dos l?deres da coaliz?o esquerdista Frente Ampla, tamb?m integrada pelo ex-presidente Jos? Pepe Mujica e que est? no poder desde 2005.

Outras autoridades confirmadas
Mike Pompeo, secret?rio de Estado dos Estados Unidos, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal, Ji Bingxuan, vice-presidente do Comit? Permanente da Assembleia Popular (Parlamento chin?s).


Pa?ses com chefes de Estado presentes em posses presidenciais anteriores
Dilma Rousseff, 2014: Guin? Equatorial, Uruguai, Bol?via, Pa?ses Baixos, Paraguai, Venezuela, Chile, Costa Rica, Su?cia, Marrocos, Gana e Guin?-Bissau.

Dilma Rousseff, 2011: Chile, Col?mbia, Costa Rica, Cura?ao, El Salvador, Guatemala, Jamaica, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela, Guin?, Guin?-Bissau, Marrocos, Senegal, Coreia do Sul, Palestina, Catar, Bulg?ria, Portugal.

Luiz In?cio Lula da Silva, 2007: nenhum chefe de Estado foi convidado.

Luiz In?cio Lula da Silva, 2003: Argentina, Uruguai, Bol?via, Peru, Portugal, Venezuela, Cuba, Su?cia, Belize, Guiana.
Tags: Governo Bolsonaro: - Mesmo com a ausência

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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