Piaui em Pauta

Morre aos 58 anos Hugo Chávez, presidente da Venezuela.

Publicada em 05 de Março de 2013 às 19h21


?O presidente da Venezuela, Hugo Ch?vez, morreu na tarde desta ter?a-feira (5), aos 58 anos, na capital Caracas.
A morte ocorreu ?s 16h25 locais (17h55 de Bras?lia), segundo o vice-presidente Nicol?s Maduro, herdeiro pol?tico de Ch?vez, que fez o an?ncio em um pronunciamento ao vivo na TV.
"?s 16h25 locais (17h55 de Bras?lia) de hoje 5 de mar?o, faleceu o comandante presidente Hugo Ch?vez Fr?as", disse Maduro, emocionado.
"? um momento de dor", afirmou, cercado pelos ministros do governo.

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Horas antes, Maduro havia feito um discurso agressivo na TV, acusando os advers?rios pol?ticos de. "conspira??o" e dizendo que Ch?vez enfrentava o momento "mais duro" desde sua ?ltima cirurgia.
O governo tamb?m anunciou a expuls?o de dois adidos militares americanos supostamente envolvidos em "contatos n?o autorizados" com militares venezuelanos.
Ch?vez lutava contra um c?ncer desde junho de 2011 e, ap?s realizar um tratamento em Cuba contra a doen?a, havia voltado ao pa?s natal em fevereiro deste ano.

Ch?vez foi um dos mais destacados e controversos l?deres da Am?rica Latina. Desde que assumiu o comando da Venezuela, em 1999, o militar da reserva promoveu mudan?as ? esquerda, na pol?tica e na economia.
Ele nacionalizou empresas privadas, atribuiu ao Estado atividades essenciais, al?m de mudar a Constitui??o, o nome, a bandeira e at? o fuso hor?rio do pa?s (1h30 a menos que o hor?rio de Bras?lia).
Ch?vez foi reeleito pela primeira vez em 2006, com mais de 62% dos votos, e novamente em 2012, com 54%.
Ele tentou chegar ao poder pela primeira vez em 1992 atrav?s de uma tentativa fracassada de golpe de Estado, que fez com que fosse preso.
Em 2002, j? no comando do pa?s, sofreu um golpe de Estado que o tirou do poder por quase 48 horas. Foi restitu?do por militares leais, com a mobiliza??o de milhares de seguidores.
A Venezuela, que ? membro da Organiza??o dos Pa?ses Exportadores de Petr?leo (Opep), possui uma economia dependente das exporta?es do combust?vel, tend?ncia que Ch?vez queria mudar com a entrada do pa?s no Mercosul. O pa?s tem 30 milh?es de hectares de terras cultiv?veis, mas importa at? 70% dos alimentos que consome. A popula??o ? de quase 29 milh?es de habitantes.

Doen?a
Desde que foi reeleito mais uma vez, em outubro de 2012, o l?der venezuelano apareceu em p?blico poucas vezes, a maioria delas para liderar conselhos de ministros no Pal?cio de Miraflores. Ch?vez tamb?m deixou de utilizar frequentemente sua conta na rede social Twitter.
A falta de informa?es e detalhes sobre a doen?a e a presen?a menos frequente de Ch?vez em eventos desde que anunciou a luta contra o c?ncer alimentaram os rumores de que seu estado de sa?de poderia ser mais grave do que o governo queria divulgar.
Em 10 de junho de 2011, a imprensa venezuelana noticiou que Hugo Ch?vez havia por uma cirurgia de emerg?ncia em Cuba devido a um problema na regi?o p?lvica. Rumores sobre a doen?a circularam nos dias seguintes, mas o governo venezuelano negou que se tratasse de um tumor.
Em 30 de junho, no entanto, o presidente confirmou que havia sido operado em raz?o de um c?ncer. N?o foram revelados maiores detalhes sobre a doen?a.
Ch?vez voltou ? Venezuela dias depois e voltaria a Cuba nos meses seguintes para sess?es de quimioterapia. Em agosto de 2011, apareceu com o cabelo raspado: "? meu novo visual", disse.

Em outubro do mesmo ano, ap?s fazer exames m?dicos em Cuba, o governante declarou-se livre do c?ncer. "O novo Ch?vez voltou [...] Vamos viver e vamos continuar vivendo. Estou livre da doen?a", afirmou, fardado e euf?rico.
Hugo Ch?vez chegou a dizer que o c?ncer, que atingiu cinco l?deres sul-americanos – entre eles a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula – teria sido induzido pelos Estados Unidos. "N?o seria estranho se tivessem desenvolvido uma tecnologia", disse
Em fevereiro de 2012, ele anunciou que seria operado novamente por uma les?o na mesma regi?o em que teve o tumor removido. A cirurgia tamb?m ocorreu em Cuba e, posteriormente, ele passou por tratamento de radioterapia.
Em julho, quando era candidato ? reelei??o, o presidente voltou a dizer que havia vencido a batalha contra o c?ncer. Aos opositores, Ch?vez dizia que seus problemas de sa?de n?o o impediriam de vencer a elei??o que poderia mant?-lo no poder at? 2019.
Em novembro, ap?s vit?ria nas urnas, a Assembleia Nacional autorizou a viagem de Ch?vez a Cuba para receber terapia hiperb?rica, um tratamento complementar comum em pacientes que receberam radioterapia.
Em dezembro, Ch?vez anunciou que voltaria a Cuba para ser submetido a uma nova cirurgia devido ao retorno do c?ncer. Ele designou o vice, Nicol?s Maduro, como o eventual sucessor se n?o fosse capaz de voltar ao poder. Foi a primeira vez que Ch?vez admitiu, publicamente, que a doen?a poderia impedi-lo de seguir ? frente do pa?s.
Ap?s a realiza??o da cirurgia, foi Maduro quem passou a fazer relatos do estado de sa?de de Hugo Ch?vez. A oposi??o criticava o governo, acusando-o de sonegar informa??o sobre a real situa??o do mandat?rio.
Ch?vez n?o conseguiu tomar posse de seu novo mandato, em 10 de janeiro. Ap?s disputa judicial, o Tribunal Superior de Justi?a entendeu que a presen?a dele n?o era necess?ria, e que uma posse formal poderia ocorrer em outra data a ser marcada posteriormente.
Em 18 de fevereiro, surpreendendo a todos, Hugo Ch?vez anunciou, pelo Twitter, que estava voltando ? Venezuela. Ele foi diretamente para um hospital militar na capital Caracas.
Trajet?ria
Hugo Rafael Ch?vez Fr?as nasceu em 28 de julho de 1954, em Sabaneta, estado de Barinas, no oeste do pa?s. Filho de professores, ele casou e se divorciou por duas vezes. Tem quatro filhos – duas mulheres e um homem do primeiro matrim?nio, e uma menina do segundo – e tr?s netos.
Militar reformado, Ch?vez entrou para a pol?tica depois de uma fracassada tentativa de golpe de Estado que o levou ? pris?o, em 1992.
Desde que venceu as primeiras elei?es presidenciais, em 1999, com a promessa de p?r fim ? "partidocracia corrupta" em que o governo havia se transformado e de distribuir a renda do petr?leo entre os setores exclu?dos da sociedade, o presidente assumiu um estilo ?nico de fazer pol?tica.
Ele chegou ao poder em fevereiro daquele ano como o 47? presidente da Venezuela, jurando sobre uma Constitui??o que ele afirmou estar "moribunda".
Entre suas primeiras decis?es, proibiu que o Departamento Antidrogas dos Estados Unidos fizesse sobrevoos no pa?s e, anos mais tarde, em 2008, expulsou o embaixador americano.
No final de 1999, alcan?ou o seu objetivo de mudar a carta magna da Venezuela e iniciar o que chamou de "Revolu??o Bolivariana".
Crises pol?ticas
Ch?vez enfrentou momentos dif?ceis no poder, como quando, depois de v?rios dias de greves nacionais, em 11 abril de 2002, sofreu um golpe de Estado que o tirou do poder por quase 48 horas. Ap?s tumultos e 19 mortes, o l?der venezuelano foi restitu?do ao cargo por militares leais, com a mobiliza??o de milhares de seguidores pelas ruas de Caracas.
Naquele mesmo ano, uma greve liderada por trabalhadores, empregadores e contratados da estatal de petr?leo de Venezuela paralisou a ind?stria vital para o pa?s. A greve prolongou-se at? fevereiro de 2003 e derrubou a produ??o petrol?fera, impactando com for?a a economia.
Os trabalhadores criticavam a implanta??o do projeto de "grande revolu??o bolivariana", que atingiu propriet?rios de terras, produtores de combust?veis e bancos. O termo ? refer?ncia ao l?der revolucion?rio Sim?n Bol?var, respons?vel pela independ?ncia de v?rios pa?ses da Am?rica do Sul, em quem Ch?vez dizia se inspirar.
Em 2004, ap?s violentos protestos da oposi??o que deixaram outros nove mortos, Ch?vez submeteu-se novamente a um referendo p?blico que o confirmou no poder.
Reelei??o em 2006
Em 2006, em nova elei??o presidencial, ele obteve 62% dos votos contra o opositor Manuel Rosales. No novo mandato, Ch?vez declarou a transforma??o da Venezuela em um Estado socialista.
Durante este per?odo, o militar reformado iniciava seu projeto de estatiza??o da maioria das empresas venezuelanas, em setores cruciais como telecomunica?es e eletricidade. Em maio de 2007, a Radio Caracas Television, emissora mais antiga da Venezuela, encerrou suas transmiss?es ap?s n?o ter sua concess?o renovada pelo governo.
Iniciava-se tamb?m sua tentativa de reforma na Constitui??o, que permitira sua reelei??o por tempo indefinido. Ap?s uma primeira derrota, ocorrida no final de 2007, o projeto foi aprovado em referendo popular em fevereiro de 2009.
Em 2010, Ch?vez sofreu sua primeira derrota nas urnas, em elei?es legislativas. Apesar de ter obtido a maioria dos votos, seu partido n?o conseguiu dois ter?os da Assembleia Nacional venezuelana, objetivo necess?rio para facilitar a aprova??o dos projetos do governo.
Com uma manobra pol?tica, no entanto, conseguiu aprovar um dispositivo que o permitiu governar por mais seis meses por decretos de emerg?ncia.
Entrada na Mercosul
A Venezuela entrou oficialmente no Mercosul em 13 de agosto de 2012, depois de cerim?nia simb?lica em 31 de julho ocorrida em Bras?lia, com a presen?a de Hugo Ch?vez.
O ingresso ocorreu ap?s Brasil, Argentina e Uruguai suspenderem o Paraguai do bloco como san??o pelo impeachment do presidente Fernando Lugo. Em 22 de junho do ano passado, o Senado do Paraguai votou pela destitui??o de Lugo no processo pol?tico "rel?mpago" aberto contra ele na v?spera e encarado pela comunidade de pa?ses sul-americanos como golpe. O pa?s vinha impondo o veto ? entrada da Venezuela no grupo.
"Faz tempo que a Venezuela devia entrar no Mercosul. Mas como est? escrito na B?blia, tudo o que vai ocorrer sob o sol tem sua hora", disse Ch?vez ? ocasi?o. "Nos interessa muito sair do modelo petroleiro, impulsionar o desenvolvimento agr?cola da Venezuela [...] Temos dispon?veis mais de 30 milh?es de hectares para o desenvolvimento da agricultura", afirmou.
O ministro das Rela?es Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, disse em setembro de 2012 que "houve unanimidade no Mercosul e Unasul para a suspens?o do Paraguai. O que refor?ou a suspens?o foi o fato de todos os pa?ses, como gesto de rep?dio, retiraram seus embaixadores, o que n?o ocorreu em Caracas, na Venezuela".
Com o ingresso da Venezuela, o Mercosul passou a contar com popula??o de 270 milh?es de habitantes, ou 70% da popula??o da Am?rica do Sul. Segundo o Minist?rio de Rela?es Exteriores brasileiro, o PIB do bloco ser? de US$ 3,3 trilh?es (83,2% do PIB sul-americano), com territ?rio de 12,7 milh?es de km? (72% da ?rea da Am?rica do Sul).
Reelei??o em 2012
Em 7 de outubro, Ch?vez derrotou Henrique Capriles Radonski, mesmo com uma campanha limitada, e garantiu novo mandato, o quarto consecutivo, at? 2019, prometendo "radicalizar" o programa socialista que vinha implantando no pa?s.
O presidente teve cerca de 54% dos votos, contra 45% do oponente, e o comparecimento ?s urnas foi de quase 81%. Dilma disse na ocasi?o que a vit?ria foi um "processo democr?tico exemplar".

Durante a campanha, Ch?vez pediu a vit?ria para tornar "irrevers?vel" o seu sistema socialista e acelerar o Estado comunista, algo que os cr?ticos veem como uma nova manobra para concentrar mais poder em suas m?os. Ele n?o hesitou em falar em uma “amea?a de guerra civil” caso o rival ganhasse as elei?es.
Capriles foi o primeiro advers?rio a ter chances reais de derrotar Hugo Ch?vez, ao capitalizar o descontentamento acumulado durante os mandatos do presidente. Em conversa com o G1 na ?poca, ele disse que seguiria o modelo brasileiro caso fosse eleito.

Al?m de ser comandante-em-chefe das For?as Armadas e presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), com maioria na Assembleia Nacional, Hugo Ch?vez tamb?m controlava a m?dia estatal.
Pol?tica externa
A pol?tica externa foi inspirada pelo l?der cubano Fidel Castro e marcada por cr?ticas contra o "imperialismo" dos Estados Unidos, pa?s que ele acusa de ser respons?vel pelo breve golpe que sofreu em 2002 e por quest?es que v?o desde a mudan?a clim?tica at? uma suposta tentativa de assassin?-lo.
Durante sua gest?o, Hugo Ch?vez refor?ou a coopera??o com seus aliados de esquerda na Am?rica Latina como Bol?via, Equador, Nicar?gua, al?m de tecer parcerias com os governos pol?micos de Ir?, S?ria, Belarus, L?bia, entre outros. Ele foi pragm?tico o suficiente, entretanto, para continuar a vender diariamente para os Estados Unidos um milh?o de barris de petr?leo.
Com os seus "petrod?lares", estabeleceu iniciativas regionais como o grupo de coordena??o pol?tica Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa Am?rica (Alba) e subsidiou o petr?leo da Petrocaribe, alian?a entre alguns pa?ses do Caribe com a Venezuela.
O presidente venezuelano tratava outros l?deres internacional com intensidade, respeito ou desprezo, chegando a dizer que havia sentido cheiro de "enxofre" na tribuna da Assembleia Geral da ONU, em 2007, ap?s ter passado pelo ent?o presidente americano, George W. Bush, que j? foi chamado por Ch?vez de b?bado e genocida.
Barack Obama, a quem Ch?vez parabenizou pela elei??o em 2008, foi taxado mais tarde de "farsante". Quando Obama foi reeleito em outubro deste ano, o venezuelano disse desejar que o americano "se dedique a governar seu pa?s, deixando de invadir povos e desestabilizar pa?ses".
Ch?vez tinha apre?o especial por Lula e Dilma devido ao hist?rico de combate dos brasileiros durante a ditadura militar. "Eu e Lula somos irm?os. Somos mais que irm?os. Somos, como j? disse Fidel Castro, esses tipos que andam por a? fazendo coisas, como Dilma, Cristina [Fernandez, presidente da Argentina], N?stor [Kirchner, ex-presidente argentino]”, disse Hugo Ch?vez, durante a primeira visita oficial da presidente brasileira ? Venezuela.
Populismo
Hugo Ch?vez manteve-se no poder gra?as ? implementa??o das suas "miss?es", programas sociais que melhoraram os n?veis de educa??o e sa?de p?blicas venezuelanas, embora a pobreza, o desemprego e a viol?ncia tenham se espalhado pelo pa?s, que possui uma das maiores reservas de petr?leo da regi?o.
Sua popularidade contrastava com a rejei??o vinda da classe m?dia, afetada pelas restri?es econ?micas impostas em nome da revolu??o e por pol?ticas de desapropria??o de empresas privadas.
Seu discurso beligerante polarizou a sociedade ao demonizar os oponentes e queimar todas as pontes de entendimento com a outra metade do pa?s – politicamente, uma estrat?gia muito rent?vel, admitem fontes pr?ximas ao governo.
Viciado em comunica??o, convocava constantemente a cadeia nacional de r?dio e TV para longos discursos, al?m de comandar por muito tempo o programa semanal "Al?, Presidente", no qual discutia suas ideias pol?ticas, recebia convidados para entrevistas, entregava obras p?blicas e at? vendia eletrodom?sticos chineses com pre?os subvencionados pelo governo.
Tornou-se tamb?m um grande usu?rio do Twitter, onde reunia milhares de seguidores, mas diminuiu o uso do microblog ap?s a elei??o de 2012.
Tags: Morre aos 58 anos Hu - O presidente

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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