Piaui em Pauta

Na despedida de Ayres Britto, Toffoli defende que mensaleiros não sejam presos.

Publicada em 15 de Novembro de 2012 às 10h59


?Na ?ltima sess?o de julgamento do mensal?o sob a presid?ncia de Carlos Ayres Britto, o ministro Jos? Dias Toffoli, rec?m-chegado ao Supremo Tribunal Federal (STF) ap?s fazer carreira como advogado do PT, provocou rea??o da corte ao defender abertamente e de forma exaltada que os mensaleiros condenados n?o sejam presos. Para levantar sua tese que ignora o C?digo Penal brasileiro, Toffoli evocou a declara??o do ministro da Justi?a, Jos? Eduardo Cardozo, que afirmou nesta ter?a-feira preferir morrer a cumprir uma longa pena em um pres?dio brasileiro.

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A manifesta??o de Toffoli ocorreu na primeira sess?o da corte ap?s a fixa??o de das penas aos r?us petistas do n?cleo pol?tico do mensal?o: Jos? Dirceu, para quem o ministro j? advogou, Jos? Genoino e Del?bio Soares. Tamb?m coincidiu com a sess?o na qual a corte definiu a pena para o banqueiro Jos? Roberto Salgado, defendido pelo mais ilustre dos advogados que atuam no mensal?o, o ex-ministro M?rcio Thomaz Bastos - que lamentou a pena.

Toffoli defendeu nesta quarta-feira a aplica??o de penas alternativas aos condenados. No limite, chegou a dizer que a pris?o ? um resqu?cio "medieval". "Para mim, pesam mais os efeitos pecuni?rios do que os efeitos restritivos de liberdade. E pondero a corte para refletir sobre isso", disse. O ministro afirmou que ? preciso ser "contempor?neo": "As penas restritivas de liberdade que est?o sendo impostas neste processo n?o t?m par?metros com o processo judici?rio brasileiro".

De acordo com as penas aplicadas pela corte, Jos? Dirceu (10 anos e 10 meses) e Del?bio Soares (8 anos e 11 meses) dever?o inici?-las em regime fechado. Jos? Genoino (6 anos e 7 meses) trabalhar? em uma col?nia agr?cola.

Reinaldo Azevedo: Dias Toffoli perdeu qualquer no??o de limite

Rea??o - Em resposta a Toffoli, o decano da corte, o ministro Celso de Mello, destacou que ? papel do pr?prio minist?rio resolver o problema das m?s-condi?es em pres?dios: "Cabe ao Minist?rio da Justi?a exercer papel de lideran?a sob pena de se comprometer", disse ele.

O ministro Luiz Fux disse concordar, em tese, com os argumentos de Toffoli, mas lembrou que o papel do Judici?rio ? seguir com obedi?ncia a legisla??o em vigor: "N?s temos que respeitar a op??o do legislador. Temos que, necessariamente, obedecer a decis?o do legislador para que n?o haja a t?o indesejada supremacia judicial", disse ele.

Outro integrante da corte, Gilmar Mendes, disse que o reconhecimento feito por Cardozo foi tardio: "Eu tamb?m louvo as palavras do ministro da Justi?a de preocupa??o com as penas de pris?o. S? lamento que tenha falado s? agora".

A superlota??o do sistema prisional por vezes ? usada para justificar a progress?o de regime (do fechado para o semiaberto ou do semiaberto para o fechado). Mas, no caso do mensal?o, quem definiria esse benef?cio seriam os ju?zes da Varas de Execu??o Penal.

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Banqueiros - Tamb?m na sess?o desta quarta-feira, a corte definiu em 16 anos e 8 meses a pena de Jos? Roberto Salgado, vice-presidente do Banco Rural na ?poca do mensal?o. Condenado por lavagem de dinheiro, gest?o fraudulenta, evas?o de divisas e forma??o de quadrilha, o cliente do ex-ministro da Justi?a M?rcio Thomaz Bastos cumprir? inicialmente regime fechado de pris?o.

Vin?cius Samarane, executivo do banco, foi condenado a 8 anos, 9 meses e 10 dias pelos crimes de lavagem e gest?o fraudulenta. Ele tamb?m ser? punido com o regime fechado, aplicado a condenados a uma pena superior a 8 anos.

O Banco Rural ajudou a abastecer, por meio de empr?stimos fraudulentos, o esquema do valerioduto - que distribuiu propina a deputados de quatro partidos cooptados pelo governo Lula. Com a sess?o desta quarta, o STF concluiu a defini??o das penas para o n?cleo financeiro do mensal?o.

Despedida - O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, participou nesta quarta-feira de sua ?ltima sess?o antes de se aposentar. O magistrado, que completa 70 anos no s?bado, foi homenageado no in?cio dos trabalhos.

O decano do Supremo, Celso de Mello, iniciou a sess?o de elogios a Britto. Ele foi seguido pelo procurador-geral da Rep?blica, Roberto Gurgel, o advogado-geral da Uni?o, Lu?s In?cio Adams, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante. O presidente do tribunal chorou enquanto ouvia as homenagens.

Celso de Mello lamentou que a idade-limite para a aposentadoria n?o seja maior do que os atuais 70 anos: "O pa?s e particularmente o STF poderiam continuar beneficiando-se da valiosa atua??o, nesta corte, do eminente ministro Ayres Britto, cujos julgamentos luminosos tiveram impacto decisivo na vida do cidad?os desta rep?blica e das institui?es democr?ticas deste pa?s", disse ele.

Britto destacou a mudan?a no perfil do STF nos ?ltimos anos: "O Supremo est? mudando a cultura do pa?s a partir da Constitui??o. N?s somos os guardi?es da Constitui??o, e retiramos dessa guarda fiel a nossa pr?pria legitimidade".

O presidente da corte disse ainda que se orgulha de sua passagem pelo tribunal:" Eu sou um homem feliz porque estou chegando ao fim do meu mandato e do meu per?odo no Supremo com sa?de, ?nimo, alegria e entusiasmo".



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Fonte: VEJA  |  Publicado por: Da Redação
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