Piaui em Pauta

Novo presidente do PP defende apoiar reeleição de Dilma.

Publicada em 13 de Abril de 2013 às 14h49


Cortejado por todos os principais partidos que tentam chegar ao Pal?cio do Planalto, o novo presidente do PP (Partido Progressista), o senador pelo Piau? Ciro Nogueira, declara-se pessoalmente favor?vel a uma alian?a formal entre o seu partido e o PT para sustentar a reelei??o da presidente Dilma Rousseff, em 2014.

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Aos 44 anos, mas j? com uma longa carreira pol?tica (quatro mandatos de deputado federal antes de ir para o Senado), Nogueira faz uma ressalva sobre a necessidade de unificar o partido. Em entrevista ao Poder e Pol?tica, programa da Folha e do UOL, ele reconheceu que hoje a situa??o ? desfavor?vel para que o PP d? o seu tempo de TV e r?dio para Dilma usar na campanha pela reelei??o.

S? n?o deixa d?vida sobre sua prefer?ncia pessoal: "Eu defendo o apoio ? presidente Dilma". ? um posicionamento muito diferente da neutralidade mantida pelo ex-presidente do PP, senador Francisco Dornelles, do Rio, quem em 2010 manteve a sigla neutra na disputa presidencial.

Ciro Nogueira n?o deseja hostilizar a ala anti-PT do seu partido e contr?ria ao apoio oficial ? reelei??o de Dilma, mas est? empenhado na constru??o de um consenso que possa resultar na alian?a em 2014.

O fato de o PP comandar o Minist?rio das Cidades n?o implica em uma alian?a autom?tica, pois essa tamb?m era a conjuntura em 2010. O que poder? mudar o cen?rio ? um processo de consulta aos diret?rios da sigla nos Estados.

Para Ciro Nogueira, a presidente da Rep?blica e o PT ter?o de se esfor?ar para oferecer ao PP algum tipo de acordo que n?o sufoque o PP nas disputas por vagas no Congresso e em algumas elei?es de governadores.

"O PT, historicamente, ? um partido que n?o costuma apoiar candidatos de outros partidos. N?s estamos precisando tamb?m de gestos do outro lado", diz o presidente pepista.

O problema para esse acordo de apoio m?tuo ? que o PP tem como prioridade dois Estados nos quais o PT tamb?m deve ter candidato pr?prio ao governo: Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Nesse caso, seria necess?rio firmar um pacto de n?o agress?o e garantir que Dilma Rousseff se mantenha equidistante nessas disputas.

O PP ? o herdeiro direto da Arena (depois renomeada como PDS), legenda de sustenta??o da ditadura militar (1964-1985). Embora a sigla j? tenha feito acordos regionais com o PT, o acerto nunca foi reproduzido eleitoralmente em n?vel nacional.

O PP apoiando o PT e Dilma em 2014 seria o fechamento completo do ciclo da redemocratiza??o, com a uni?o formal das duas for?as mais antag?nicas da fase final da ditadura militar.

Se embarcar no projeto reeleitoral de Dilma, o PP sufocar? ainda mais os presidenci?veis que tentar?o concorrer contra a atual presidente.

No campo ideol?gico, o PP deseja ser o "partido conservador" do Brasil. Ciro Nogueira acredita que "h? um v?cuo" no pa?s que pode ser ocupado pela legenda.

Fala sem ressalvas que defende menos impostos e menos presen?a do Estado na economia. ? a favor de endurecer as penas at? para usu?rios de drogas. N?o deseja flexibilizar a lei do aborto. Quer reduzir a maioridade penal. Declara-se contra a Comiss?o da Verdade.

A seguir, trechos da entrevista:

Folha/UOL - O PP hoje tem 37 deputados federais, 5 senadores e nenhum governador de Estado. Qual ? a meta do PP para 2014?

Ciro Nogueira - Atingir mais de 10% da C?mara dos Deputados, em torno de 51 deputados. Tamb?m 10% do Senado Federal e atingir uma marca em torno de 15% dos governadores do pa?s.

Quantos governadores espera eleger?

Eu acho que temos hoje em torno de 4 a 5 candidatos favoritos.

Poderia citar quais?

No Rio Grande do Sul, com a senadora Ana Am?lia, que tem se tornado um dos melhores quadros que n?s no Congresso Nacional. O vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho, que deve assumir [o governo] com a sa?da de Antonio Anastasia. O senador Ivo Cassol, que ? favorit?ssimo em Rond?nia. Benedito de Lira, em Alagoas. Em Santa Catarina ainda n?o tem a defini??o do candidato, mas n?s teremos candidato pr?prio. O Piau? deve ter um candidato. Hoje existe a expectativa de vir para os quadros [do PP] o ex-prefeito [de Teresina] S?lvio Mendes, que teria amplas condi?es de ganhar.

N?s estamos em busca, em outros Estados, de nomes que possam fortalecer o PP nessa disputa. ? a grande meta. N?o adianta voc? ter uma copa florida se as nossas ra?zes estiverem rasinhas. N?s s? podemos crescer muito -um grande exemplo ? o PSB- por conta da elei??o de governadores. Hoje o Eduardo Campos [presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco] tem alguma visibilidade, tem condi?es de musculatura para disputar o cargo de presidente da Rep?blica, por conta das elei?es de governadores.

O PP tem o Minist?rio das Cidades. Deveria ter mais?

Todo partido quer mais. Mas, no meu entender, n?s temos uma base grande de partidos [no governo]. O partido est? satisfeito com o tamanho que ocupa no diz que respeito a minist?rios.

A ?ltima vez que o Partido Progressista, o PP, teve um candidato ? presidente foi h? 19 anos, em 1994, com Esperidi?o Amin. Depois, nunca mais. No ano que vem, em 2014, o PP ter? candidato ? presidente?

N?o.

V?o se completar 20 anos sem candidato ? presidente. H? um projeto a respeito?

Essa ? a minha grande meta para 2018. Mas isso passa pela elei??o de governadores. ? um processo at? semelhante, como eu falei, ao PSB. N?s temos que eleger governadores para dar musculatura. Passa, tamb?m, pela concep??o de bandeiras pol?ticas que, ao longo do tempo, n?s fomos perdendo e temos que voltar a ter essas bandeiras. Nos firmarmos com esse partido, ocuparmos esse espa?o que existe, esse v?cuo hoje na pol?tica brasileira. E a nossa grande meta ? ter um candidato [a presidente] vi?vel para 2018.

Em 2010, o PP teve um posicionamento t?mido na elei??o presidencial. Embora participasse com um ministro no ent?o governo Lula, decidiu n?o apoiar a candidatura de Dilma Rousseff e nenhum outro candidato. Em 2014, qual ? a tend?ncia do PP em rela??o ? elei??o presidencial? Ficar neutro ou tentar buscar um posicionamento a favor de um candidato?

? uma discuss?o que n?s vamos travar a partir de agora. Essa discuss?o n?o aconteceu em 2010.

Por que n?o aconteceu a discuss?o?

? porque as lideran?as do partido achavam que ela n?o devia acontecer. Existiam muitos conflitos. O partido acabou ficando neutro.

Preferiu nem fazer a discuss?o interna?

Exatamente. Naquela ?poca n?o aconteceu. Agora, n?o. N?s vamos passar por esse processo.

Como vai ser o processo?

De discuss?es Estado por Estado visando aos interesses estaduais. Aumentar essa discuss?o que n?s temos hoje no partido de incorporar bandeiras do atual projeto da presidente Dilma Rousseff. N?s temos que ter bandeiras importantes. O Minist?rio das Cidades vai conduzir uma ?rea importante, que ter? um grande crescimento na ?rea de saneamento no pa?s.

Em 2010, o PP preferiu ficar neutro. Mas n?o parece ao sr. um pouco anormal um partido que participa do governo chegar na hora da elei??o e n?o apoiar oficialmente esse mesmo governo?

Eu acho. Mas n?s temos que respeitar as quest?es estaduais. N?s temos algumas peculiaridades. Em Minas Gerais, n?s temos uma alian?a hist?rica com o PSDB. No Rio Grande do Sul, o principal advers?rio do partido ? o PT. Em Santa Catarina... N?s temos que respeitar.

O que seria do PP sem o Rio Grande do Sul, que ? o nosso diret?rio mais forte, mais consistente? Agora, eu acho que tem que haver a discuss?o.

O grande diferencial que vai acontecer em 2014 ? que n?s vamos trazer essa discuss?o. Eu acho que est? na hora de o partido incorporar programas importantes que s?o comandados [pelo PP] para criar uma vincula??o nacional com esse projeto da presidente Dilma.

Como assim? Por exemplo...

Por exemplo, o PP conduz o principal programa que ? o PAC. O programa habitacional que foi o maior programa da hist?ria deste pa?s, o "Minha Casa, Minha Vida". N?s temos que incorporar. Se tiver uma identifica??o partid?ria com o projeto da presidente Dilma Rousseff, pode ser que, l? na frente, n?s estejamos juntos.

N?s n?o podemos apenas estar com a presidente Dilma porque temos um cargo. N?o. Se n?s tivermos um projeto de identifica??o que seja comandado pelo partido em n?vel nacional, e essa bandeira esteja identificada com o partido, a? fica muito mais f?cil de voc? convencer -em n?vel de uma conven??o- os filiados que nos Estados s?o contra a estarem juntos.

O sr. acha que hoje o acordo eleitoral nacional PP-PT ? exequ?vel, por?m ? incerto no momento?

Totalmente incerto. N?s n?o temos posicionamento nenhum ainda.

O que ? certo no momento ? que a discuss?o...

...Vai acontecer Estado por Estado. No meu Estado, eu n?o teria problema nenhum. No Piau?, a nossa tend?ncia ? apoiar a reelei??o da presidente Dilma Rousseff. O PT ? nosso tradicional advers?rio l?, poder?amos ter dois palanques, n?o tem problema. Mas no Sul, por exemplo, n?o aconteceria isso.

N?o seria t?o natural...?

N?o ? natural. Ent?o, n?s temos que respeitar essas situa?es de cada Estado.

Essa fase de consultas aos Estados e as decis?es em n?vel local come?am a ser tomadas quando?

N?s estamos criando um grande conselho comandado por uma pessoa que ? contra o apoio ? presidente Dilma Rousseff, que ? o vice-governador [de Minas Gerais] Alberto [Pinto Coelho]. Um conselho de candidatos a governador que ir? opinar...

? um conselho interno do PP?

?. Ele [Alberto Pinto Coelho] vai ser o presidente desse conselho interno de candidatos.

O fato de Alberto Pinto Coelho, vice-governador de Minas, ser contra a alian?a no plano federal eleitoral [com o PT] j? n?o indica que...

...N?o, n?o. At? porque... Da mesma forma se eu dissesse que, eu sou a favor [da alian?a com o PT], iria implicar de o PP apoiar [o PT]. N?o, de jeito nenhum. ? apenas uma inst?ncia que vai ser ouvida.

Esse conselho ser? composto por quantos integrantes do PP?

Candidatos a governador. Todos.

Ser?o convidados a participar do conselho?

Exatamente.

E esse conselho tem que finalizar o processo?

A? ? na conven??o partid?ria.

S? em julho do ano que vem [2014]?

Acredito que at? l? ? l?gico que ? dif?cil o partido pol?tico que n?o j? chegue com essa situa??o j? definida dessas discuss?es. Mas o in?cio ? agora. Mas consolidar isso vai ser na conven??o. At? l?, ? um processo de constru??o.

Mas a sua expectativa era que pudesse ser...

Eu gostaria que no in?cio do ano j? tivesse...

...No in?cio de 2014?

?. N?s ter?amos essa discuss?o por todo o per?odo de 2013.

E em janeiro ou fevereiro de 2014 pudesse ter uma posi??o?

Exatamente. Era o ideal.

O sr. est? dizendo que a sua posi??o pessoal poderia ser de apoiar oficialmente a reelei??o da presidente Dilma?

Exatamente.

O sr. tem uma no??o hoje da posi??o dos 26 Estados e do Distrito Federal? A divis?o ? mais ou menos para qual lado?

Hoje contra o apoio.

Mas em que n?mero?

A maioria de candidatos a governador eu acho que seria contra. Mas ? uma situa??o que n?s ainda vamos ouvir. Aqui ? muito no 'achismo'. Pelo pouco que a conversamos ontem [11.abr.2013] na conven??o. Mas ? uma discuss?o e um debate interno que ainda vai acontecer, at? porque essas pessoas que est?o com esse posicionamento, ?s vezes, n?o t?m os instrumentos necess?rios para fazer essa avalia??o. S?o discuss?es em que v?o se colocar posi?es divergentes para que se tome uma posi??o com muito mais consist?ncia.

O sr. vai trabalhar para que o partido fique pacificado...

Totalmente.

Mas vai trabalhar tamb?m defendendo alguma posi??o. Qual posi??o?

Eu defendo o apoio ? presidente Dilma. Essa ? uma posi??o do diret?rio do Piau? e do senador Ciro. Mas se eu achar que, para o futuro do partido, para o crescimento do partido, n?o ? interessante o apoio ? presidente, eu serei contra esse apoio l? na frente.

A presidente Dilma pode ajudar tamb?m nesse trabalho de convencimento? Como?

Eu acho que ? identificando, dando condi?es para que o partido possa se identificar com a sua administra??o. Como eu falei, h? quatro anos, o Minist?rio das Cidades n?o era um minist?rio que pudesse dar visibilidade a um partido. Praticamente, o ministro se tornava um secret?rio-executivo da Casa Civil. Hoje, n?o. Hoje o ministro ? um homem de confian?a da presidente. E eu acho que n?s podemos identificar e criar, como bandeira de partido, os projetos mais importantes do atual governo.

Mas o que a presidente Dilma, ela pr?pria, poderia fazer objetivamente para ajudar o PP a construir uma posi??o a favor dela na elei??o?

Aumentando esse prest?gio pol?tico do ministro das Cidades.

Mas de que forma?

Dando visibilidade ao seu trabalho. Dando condi?es para que ele possa, como bandeira pol?tica, como atua??o partid?ria, defender todos esses projetos que s?o os mais importantes do seu governo.

Ela deveria chamar para conversar os l?deres do PP estaduais tamb?m?

L?gico. Mas passa por um processo tamb?m de aproxima??o com as bases do partido. O PT, historicamente, ? um partido que n?o costuma apoiar candidatos de outros partidos. O PP, na ?ltima elei??o, talvez tenha sido o partido mais fiel [ao PT] em elei?es complicad?ssimas. Eu dou um exemplo: em S?o Paulo, n?s apoiamos o Haddad. Em Pernambuco, fomos o ?nico partido que foi capaz de enfrentar o todo poderio de Eduardo Campos para ficar ao lado do PT. Ent?o, n?s estamos precisando tamb?m de gestos do outro lado.

Do PT?

Do PT. Isso n?o tem ocorrido nos Estados.

O PT poderia ajudar, eventualmente, apoiando algum candidato a governador do PP?

Exatamente.

O sr. imagina onde? Os dois Estados que o sr. citou s?o dif?ceis -Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Ou n?o?

? verdade. N?o ? f?cil. Mas s?o situa?es que n?s estamos precisando de gestos. Quem iria acreditar na candidatura do Haddad quando ele iniciou, quando ele estava patinando? E, principalmente, n?s entramos l? em Pernambuco na elei??o [para prefeito do Recife] sabendo que era radicalmente dif?cil pelo poderio do Eduardo Campos. E n?s ficamos ao lado do PT. N?s precisamos de gestos de aliados em momentos dif?ceis. N?o ? no momento em que voc? ? favorito.

O sr. acha poss?vel o PP apoiar algum candidato a presidente em 2014 que n?o seja a presidente Dilma?

Poss?vel ?. N?o tem posi??o fechada.

Mas ficaria com o Minist?rio [das Cidades] nesse caso?

N?o.

A? teria que sair do Minist?rio?

Ter?amos que sair do Minist?rio.

No leque das possibilidades, qual a viabilidade dessa op??o eleitoral?

Pequena.

? isso?

Muito menor. Mas tem pessoas que defendem isso. E n?s temos que respeitar. Ent?o, ? uma situa??o que ainda vai ser constru?da. N?s n?o temos hoje uma posi??o firmada quanto a isso. Agora, tudo ? poss?vel.

Como tem sido o PP ideologicamente nos ?ltimos anos?

Acho que o partido tem perdido, nos ?ltimos tempos, algumas bandeiras que eram hist?ricas do partido.

Por exemplo?

A bandeira do agroneg?cio, da livre iniciativa... Eu acho que o Partido Progressista ? um partido conservador. O meu grande desafio ? levar essa bandeira. Para termos uma bandeira e um projeto nacional.

Nosso grande desafio ? passar por um processo de crescimento de governadores em 2014 para buscar ser uma alternativa para o pa?s em 2018.

Eu considero o PP um partido de centro, um centro m?vel. E eu acho que hoje n?s temos que buscar as solu?es em todos os setores. Elas n?o est?o em um lugar s?.

O PP ? a favor de mais ou menos impostos na economia brasileira?

Radicalmente menos. Radicalmente. A grande diverg?ncia, hoje, que eu tenho ideol?gica com o Partido dos Trabalhadores ? o tamanho do Estado.

N?s temos hoje um Estado que n?s temos que diminuir o seu tamanho, incha?o, a quantidade de minist?rios. A diminui??o do Estado, fatalmente, passa pela diminui??o dos impostos. N?s temos uma das maiores cargas tribut?rias do mundo e um Estado ainda muito ineficiente.

O sr. ? a favor do casamento gay?

Olha, eu respeito toda essa discuss?o. Eu acho que o correto seria ter a uni?o est?vel entre homem e mulher, o casamento. Tem que respeitar. Mas eu tamb?m defendo que tenha que se respeitar todas essas pessoas que s?o contra. Eu acho que existe muito sectarismo na hora dessa defesa.

Mas e o partido? O sr. acha que o partido deveria se posicionar sobre isso?

N?o. Eu n?o acho que isso ? uma quest?o partid?ria. Isso ? uma quest?o pessoal de cada um. Eu mesmo sou favor?vel a uni?o est?vel.

Entre pessoas do mesmo sexo?

Eu acho. N?s temos que respeitar isso. Isso a? ? um desejo individual que ningu?m tem que interferir. Mas isso n?o ? quest?o partid?ria. Partido pol?tico n?o tem que se envolver nisso.

? a favor de Marco Feliciano ? frente da Comiss?o de Direitos Humanos [e Minorias] da C?mara?

? um direito dele. Ele foi legitimamente eleito. O seu partido tinha direito. Eu sou contra, radicalmente contra, destitu?-lo.

N?o seria melhor algu?m equilibrado ali?

A?, sim. A? eu acho que era o correto. Eu acho que era o correto algu?m que n?o tivesse nenhum tipo de extremismo.

O que acha de liberaliza??o de drogas leves?

Eu sou radicalmente contra.

Por qu??

Hoje, os pequenos traficantes est?o com pequenas quantidades de drogas. Quando s?o presos, dizem que s?o usu?rios e acabam revertendo a pena em uma advert?ncia. Eu acho que n?s temos que criminalizar. Eu sou radicalmente favor?vel a manter e aumentar a criminaliza??o.

Mesmo para quem seja portador de pequenas quantidades?

Esse tipo de situa??o est? sendo utilizada pelos traficantes.

E no caso do usu?rio realmente comprovado? De fato, s? um usu?rio. Ele tem que ser criminalizado?

Eu acho que tem que ser criminalizado porque esse consumo dele n?o est? afetando s? a vida do usu?rio. Est? afetando a vida de milh?es de brasileiros que est?o ? merc? de um problema t?o grave que tem afetado a vida das pessoas.

O PP tem posi??o sobre isso?

N?o. ? um debate...

O sr. acha que o PP deveria ter posi??o sobre isso?

Isso, claro. ? isso que eu estou falando. Acho que est? na hora de os partidos pol?ticos terem coragem de assumir algumas posi?es e algumas discuss?es. Eu me propus, como candidato ? presidente do partido, a levar essas discuss?es, discutir nos Estados, para que o PP tenha clareza disso. Isso aqui que eu estou falando, mas eu assumi um mandato ontem [11.abr.2013]. Mas eu n?o posso ainda colocar como posi??o partid?ria at? porque eu n?o ouvi isso.

O sr. enxerga para o PP um espa?o n?o ocupado nesse campo do conservadorismo?

Eu acho. Essa quest?o sempre foi colocada como se esses partidos fossem ligados ao qu?? ? corrup??o, ? ditadura. N?o tem nada a ver. Eu acho que n?s temos algumas bandeiras e temos que ter coragem de defender.

Redu??o da maioridade penal: o seu partido j? tem posi??o ou vai ter?

N?o. ? uma discuss?o que eu quero trazer ao partido.

O sr. ? a favor?

Sou radicalmente favor?vel a isso.

Como seria o ideal nesse caso?

Eu tenho uma posi??o muito parecida com a do governador [Geraldo] Alckmin [de S?o Paulo]. Um garoto de 16 anos hoje n?o ? mais o mesmo de 30 anos atr?s. N?o tem a mesma ingenuidade... Nem a mesma habilidade de se ter... Ficar com esse escudo. Voc? sabe que ? costume voc? ver quadrilhas que t?m l? um garoto j? para assumir o crime. Acho muito complicado voc? [n?o] prender uma pessoa que vai completar 18 anos na pr?xima semana... Ele cometer um crime e j? ficar liberado. Eu acho que n?s temos que ter penas mais longas.

O PP assumir? posi?es program?ticas sobre esses pontos?

Eu vou trazer esse debate interno.

Gostaria que isso acontecesse?

Gostaria que houvesse um debate interno e ? l?gico que eu mesmo tenho um projeto...

? uma agenda cl?ssica conservadora?

Exatamente. Eu tenho um projeto como senador para isso. N?o ? agora. Eu assumi o mandato [de presidente do PP] ontem [11.abr.2013]. N?o posso chegar como posi??o do partido at? porque eu n?o ouvi o partido.

Mas ? o seu desejo?

O meu desejo ? trazer essa discuss?o. E o partido se posicionar contra isso.

Nessa agenda est?o a redu??o da maioridade penal e a criminaliza??o mais pesada do uso e comercializa??o de drogas?

Nessa agenda, especificamente, ? isso.

Formou-se um v?cuo no entre os partidos pol?ticos da esquerda para a direita? Ningu?m assumiu essa posi??o? O sr. acha que o PP pode assumir esse figurino de partido mais tradicional conservador com esses valores?

Eu acho que n?s podemos. Existe um v?cuo muito grande. Eu acho que a sociedade brasileira ? conservadora no meu ponto de vista. Eu acho que essas quest?es de direita e de esquerda s?o mais marketing partid?rio do que pr?tica pol?tica.

Como o sr. definiria o PSDB?

O PSDB, que iniciou como um partido mais para a esquerda, foi empurrado eleitoralmente para ocupar esse v?cuo a?.

Mas o PSDB n?o assume todas essas posi?es...

Ele foi empurrado eleitoralmente. Porque ficou o v?cuo. Eu acho que ficou um v?cuo e o eleitorado ficou sem um partido que representasse isso.

Liberaliza??o da pr?tica do aborto. O sr. ? a favor ou contra?

Eu sou contra. ? um debate que n?s temos que enfrentar. O que acontece no pa?s? Por conta de ser proibido, n?s n?o discutimos esse tema. Vamos fazer um debate e ajudar as pessoas. Evitar esse tipo de comportamento, n?o apenas proibir.

? uma coisa radicalmente diferente da quest?o do uso da droga. Porque isso [o aborto] n?o afeta a sociedade, afeta a pessoa em si. A maior prejudicada nisso ? a m?e. A m?e que vai fazer um aborto n?o deseja aquilo. ?s vezes, acontece uma concep??o indesejada. Isso ? falta de educa??o, principalmente em crian?as. Hoje, a partir de 12 anos de idade n?s j? vemos pessoas engravidando. Falta educa??o. Esse ? um aspecto. Outro aspecto, depois, ? a quest?o mesmo de quando a pessoa j? atinge um certo est?gio na vida, de um pouco mais de responsabilidade.

O que o sr. acha que seria razo?vel?

Eu sou contra o aborto. Vamos criar pol?ticas para evitar que as pessoas tenham filhos que as levem a abortar. Campanhas de preven??o, de apoio a essas pessoas para que elas possam criar seus filhos.

Nesse caso, acha que o PP deveria ter uma posi??o partid?ria?

Acho.

Para resumir: posso definir o PP, Partido Progressista, como um partido conservador que vai perseguir uma posi??o unificada sobre esses temas?

Exatamente.

O PP tem alguns integrantes que s?o muito relacionados ao passado da legenda, quando ela nem tinha esse nome. Quando foi a Arena, a sigla que apoiou a ditadura militar. Por exemplo, Paulo Maluf, em S?o Paulo. Como o PP, sob o seu comando, vai trabalhar para melhorar a imagem do partido, apesar de a imagem de alguns dos seus integrantes n?o ser a melhor perante a opini?o p?blica?

S?o pessoas que devem ser respeitadas. Encaro como uma escola de samba. Escola de samba n?o tem a velha guarda? A velha guarda n?o est? na frente do desfile, n?o est? no comando. S?o pessoas que s?o respeitadas e que tiveram hist?ria no partido. Algumas pessoas s?o muito mais antigas do que eu.

Seria muito f?cil hoje dizer: 'N?s temos que tirar, afastar'. N?o. T?m que ser respeitadas. Mas eu encaro assim, uma velha guarda. Hoje, quem est? no comando s?o pessoas com novas ideias.

Mas e a carga hist?rica, a heran?a ideol?gica do partido? Qual ? a sua opini?o? Qual ? a sua opini?o sobre o per?odo da ditadura militar?

O partido ? muito diferente daquela ?poca. O nosso grande condutor, o nosso baluarte, o meu grande conselheiro na pol?tica ? o senador Dornelles. Ele foi o homem de confian?a de Tancredo Neves, seu bra?o direito. O Tancredo esteve na luta pela redemocratiza??o. De l? para c?, as pessoas s?o outras. Hoje, 95% do partido n?o participou daquele per?odo. ? um per?odo que tem que ser respeitado, mas j? faz parte do passado.

Vou citar um integrante do seu partido: o deputado Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro. Ele sempre faz declara?es a favor do regime militar. O sr. concorda?

Eu acho que o per?odo da ditadura militar, em compara??o com alguns pa?ses, foi muito menos traum?tico. Em compara??o com a Argentina, por exemplo. Eu acho que os militares n?o fizeram t?o mal ao pa?s como fizeram em outros pa?ses. Respeito algumas decis?es dos militares. ? um per?odo que faz parte do nosso passado e que eu acho que n?s j? dever?amos ter esquecido. Eu acho que quanto mais n?s trazemos ? baila isso, essas comiss?es de verdade, essas situa?es, s? trazem discuss?es que n?o fazem mais parte do dia a dia da popula??o.

O sr. ? contra o trabalho da Comiss?o da Verdade?

Sou.

Por qu??*

Porque se politizou esse debate. ? um debate que s? veio para esclarecer um lado. N?o est? para esclarecer os dois lados.

Foi uma iniciativa pessoal da presidente da Rep?blica Dilma Rousseff. Nesse caso, ela errou?

Olha, ? muito f?cil para mim, que n?o vivi essa ?poca, n?o sofri, dizer que ela errou. Eu n?o acho isso. Por tudo que ela passou, foi uma mulher que chegou a ser torturada, eu acho que ela tem raz?o de ter feito. Mas eu, que n?o vivi essa ?poca, sou uma pessoa muito mais jovem, n?o daria isso como prioridade.


Tags: PP defende apoiar - Cortejado por todos

Fonte: FOLHA.COM  |  Publicado por: Da Redação
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