Piaui em Pauta

Sem consenso sobre o plebiscito proposto por Dilma, Câmara define nesta terça um Plano B.

Publicada em 02 de Julho de 2013 às 09h41


Dilma Rousseff envia nesta ter?a (2) ao Congresso uma “mensagem” sugerindo a convoca??o de um plebiscito sobre reforma pol?tica. A ideia divide os partidos. Mesmo legendas governistas torcem o nariz para a proposta. O cheiro de queimado levou o presidente da C?mara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) a articular um “Plano B” –ou “carta de seguro”, como ele prefere chamar.

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No mesmo dia da chegada do documento de Dilma, Henrique anunciar? a cria??o de um grupo de trabalho para recolher sugest?es e redigir, “no prazo improrrog?vel de 90 dias”, um projeto de reforma pol?tica. Coisa inteiramente desvinculada do plebiscito proposto pela Presid?ncia da Rep?blica.

Por qu??, perguntou o blog a Henrique. E ele: “A proposta da presidente Dilma ? respeitosa, oferece sugest?es ao Parlamento. Mas o plebiscito s? caminha se houver consenso. Basta que tr?s ou quatro partidos fiquem contra para n?o andar. E n?s n?o podemos ficar de m?os atadas. Por isso, vou fazer essa carta de seguro.”

Por delicadeza ou lealdade, Henrique n?o diz. Mas as chances de o Congresso aprovar o plebiscito de Dilma s?o pequenas, muito pequenas, diminutas. Conforme noticiado aqui na semana passada, era falsa a tese da coes?o do bloco governista, vendida pelo Planalto ap?s reuni?o de Dilma com seus supostos aliados. Para complicar, sobreveio o derretimento da popularidade da presidente. Caiu de 57% para 30%, informou o Datafolha. Presidente impopular n?o costuma inspirar consensos.

Al?m dos partidos de oposi??o (PSDB, DEM e PPS), divergem de Dilma –total ou parcialmente— pelo menos seis legendas governistas: PDMB, PP, PR, PTB, PSC e PSB. ? o suficiente para impedir que a ideia da presidente obtenha os 257 votos necess?rios ? sua aprova??o no plen?rio da C?mara.

H? de tudo no condom?nio governista, menos unidade. Uma parte prefere o referendo ao plebiscito. Outra parte aceita o plebiscito, mas n?o admite que as novas regras vigorem nas elei?es de 2014, como quer Dilma. Um terceiro grupo acha que cabe ao Legislativo resolver a encrenca da reforma pol?tica –sem referendos nem plebiscitos.

?s dificuldades pol?ticas adicionam-se complica?es t?cnicas e financeiras. Nesta ter?a (2), a presidente do TSE, ministra C?rmen L?cia, re?ne-se com presidentes dos TREs. Recolhe dados para responder ?s quest?es que lhe foram encaminhadas por Dilma: de quanto tempo precisa a Justi?a Eleitoral para realizar um plebiscito? Quanto vai custar?

Membro do TSE, o ministro Marco Aur?lio Mello disse, em entrevista veiculada aqui no final de semana, que o plebiscito ? caro e desnecess?rio. A reforma pol?tica, disse ele, ? assunto t?cnico demais para ser acomodado num plebiscito. Contr?rio ? proposta de Dilma, o senador governista Francisco Dornelles (PP-RJ) ecoou Marco Aur?lio num discurso feito da tribuna do Senado.

Segundo Dornelles, plebiscito com apenas tr?s ou quatro perguntas, como deseja o Planalto, equivaleria a “um golpe”. O senador fez um invent?rio das quest?es que teriam de constar do question?rio a ser respondido pelo povo. Somando-se os temas e os subtemas, chegou a 29 indaga?es. “Isso inviabiliza a realiza??o do plebiscito”, concluiu o senador.

Nem mesmo o PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, vestiu a camisa do plebiscito. O partido est? rachado. E as trincas ser?o expostas em reuni?o de sua Executiva nacional, marcada para esta ter?a (2). A bancada da C?mara, informa o l?der Eduardo Cunha (RJ), n?o aceita que eventuais altera?es nas regras do jogo vigorem j? na partida de 2014.

As diverg?ncias v?o ?s raias do paroxismo quando o debate chega ao teor das perguntas a serem inclu?das num eventual plebiscito. V?rios partidos consideram essencial saber o que pensa a sociedade brasileira sobre temas que causam urtic?ria em Dilma. Por exemplo: a reelei??o (deve ser mantida?) e a dura??o dos mandatos presidenciais (quatro ou cinco anos?). Eduardo Cunha quer indagar tamb?m sobre o sistema de governo (presidencialismo ou parlamentarismo?).

Dilma sabe dos riscos que sua proposta corre no Congresso. A despeito disso, decidiu enviar a “mensagem”. Foi redigida a quatro m?os, duas do vice Michel Temer e duas do ministro Jos? Eduardo Cardozo (Justi?a). Chamado ? Granja do Torto na noite passada, Henrique Alves conheceu o texto. Considerou-o “light”. Nada de imposi?es, s? “sugest?es”. Nenhuma pergunta, apenas a men??o a tr?s temas: financiamento da campanha, modalidade de voto e suplentes de senador.

Seja como for, ao remeter ao Congresso uma proposta que divide seus pr?prios aliados, Dilma apertou o bot?o do ‘vai ou racha’. Com isso, ateou em seus aliados a suspeita de que age com o deliberado prop?sito de empurrar para dentro do Congresso o desgaste que lhe roeu a popularidade e as inten?es de voto –de 51%, caiu para 30%.

? sua maneira, Henrique Alves defende Dilma. “Precisamos fazer um mea culpa. Tentei votar a reforma pol?tica em abril e n?o consegui aprovar nenhum item. N?o d? para evitar esse debate agora. Nesse tema, n?s falamos muito e fazemos pouco. Precisamos reconhecer isso.”

O senador A?cio Neves, presidente do PSDB e principal nome da oposi??o para a sucess?o de 2014, refuga a carapu?a. A ?ltima vez que Dilma falou sobre reforma pol?tica, disse A?cio, foi no seu discurso de posse, em janeiro de 2011. “Nesses dois anos e meio de governo, o pa?s n?o teve o prazer de saber o que pensa a presidente sobre esse tema.”

De resto, A?cio diz que o Planalto poderia acionar sua maioria na C?mara e no Senado para aprovar a reforma pol?tica. A oposi??o n?o se recusaria a ajudar, afirma. Depois, o texto aprovado poderia ser submetido ao crivo da sociedade por meio de um referendo.
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Fonte: g1  |  Publicado por: Da Redação
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