Piaui em Pauta

Sem Padilha, Temer assumirá negociações com Congresso.

Publicada em 01 de Março de 2017 às 13h14


BRAS?LIA - Sem seu principal articulador no Congresso, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), que est? de licen?a m?dica, o presidente Michel Temer ter? que assumir o comando das negocia?es das reformas que tramitam na C?mara, em especial a da Previd?ncia. Com pressa para aprovar as mudan?as no sistema de aposentadoria e pens?o, Temer reorganizou na semana pr?-Carnaval sua tropa de choque na Casa, tirando de destaque o ent?o l?der do governo, Andr? Moura (PSC-SE). O presidente entregou o cargo ao PP do deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), um dos maiores partidos da base aliada e criou a lideran?a da maioria, cargo que passa a ser ocupado por Lelo Coimbra (PMDB-ES), para acalmar a bancada do seu partido que reclama sistematicamente de falta de espa?o nos governos dos quais participa. A sa?da de Moura da lideran?a tamb?m atende ao presidente da C?mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pediu sua demiss?o por diverg?ncias pol?ticas.

? Siga-nos no Twitter

Al?m de ter se submetido a uma cirurgia em meio ao feriado de Carnaval, Padilha foi atingido na ?ltima quinta-feira por depoimento do advogado e amigo de Temer Jos? Yunes. ? Procuradoria-Geral da Rep?blica, ele colocou Padilha em situa??o delicada ao dizer que foi "mula involunt?ria" do chefe da Casa Civil. Segundo declarou Yunes, ele recebeu um pacote em seu escrit?rio, a pedido de Padilha, do doleiro L?cio Funaro.

TEMOR DA EQUIPE ECON?MICA

A volta de Padilha da licen?a est? prevista para a pr?xima segunda-feira, mas a depender da sua recupera??o, o afastamento poder? se estender por tempo indeterminado. A equipe econ?mica j? demonstrou preocupa??o com a condu??o das reformas, em especial a da Previd?ncia. Padilha ? visto com a “voz forte” do governo, capaz de conduzir o andamento dos projetos nas casas legislativas.

O pano de fundo das mudan?as feitas por Temer na C?mara est? na desidrata??o do centr?o, que vinha perdendo for?a desde a cassa??o de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no ano passado, atingindo seu ?pice com a reelei??o de Maia, em fevereiro. A insist?ncia do deputado Rog?rio Rosso (PSD-DF) em se manter candidato contra o democrata e outro deputado da base, Jovair Arantes (PTB-GO), assim como Rosso proemin?ncia do “centr?o”, implodiu de vez o bloco. Rosso desistiu horas antes da disputa e Jovair somou apenas 105 votos, permitindo que Maia se reelegesse com folga no primeiro turno.

— Seria melhor um nome que estivesse afinado com o presidente da C?mara. Andr? Moura, sem d?vida, n?o ? — disse Maia ao GLOBO, acusando Moura, do centr?o, de ter sido "parcial" na disputa em quest?o.

PUBLICIDADE

ENFRAQUECIMENTO DO CENTR?O AJUDOU PLANALTO

A perda de for?a do centr?o foi uma boa not?cia para o Pal?cio do Planalto em meio a problemas pol?ticos que Temer enfrenta em fun??o das baixas da Lava-Jato. Com Padilha licenciado, em princ?pio, at? o dia 6 de mar?o, mas podendo ampliar o afastamento por mais alguns dias ou semanas, o governo acha mais confort?vel tratar diretamente com os presidentes e l?deres dos partidos aliados.

— Partidos que integravam o bloco, como PR, PP, PRB e PSD, migraram para a institucionalidade da Casa. Desta forma, o governo passou a ter dois caminhos: negociar com a C?mara ou diretamente com os partidos aliados — afirmou um interlocutor presidencial.

Quando o centr?o dava as cartas nas negocia?es com o governo, era mais dif?cil contemplar todos os pedidos e ainda ver cumpridas promessas de votos em troca de cargos federais pa?s afora ou de libera??o de recursos nos estados, principais pedidos do bloco.

Desde que Cunha foi cassado, assumiram informalmente a lideran?a do centr?o Jovair, Rosso e Moura, tr?s parlamentares que, agora, perdem espa?o. Na semana passada, Temer quase nomeou Moura para a lideran?a da maioria. Mas entre atender ao centr?o disforme e a press?o de seu partido, com 68 deputados, optou por um peemedebista no cargo. Incitados por Jovair, deputados passaram a difundir que ele estava negociando com Temer assumir como ministro do Esporte. Interlocutores presidenciais, no entanto, dizem desconhecer tal possibilidade e refor?am que Leonardo Picciani permanecer? no cargo. Quanto a Rosso, perdeu o apoio do PSD na disputa a presidente da C?mara e ficou sem nenhum posto de destaque, como almejava, na Casa.

O enfraquecimento do centr?o pode ser visto em uma compara??o de tr?s meses: em dezembro, o bloco fez com que o presidente Michel Temer segurasse a nomea??o de Antonio Imbassahy (PSDB-BA) para a Secretaria de Governo, pasta chave na articula??o pol?tica do Planalto com o Congresso. O exigido era que a indica??o viesse s? ap?s a elei??o na C?mara. No mesmo m?s, o centr?o aliou-se ? oposi??o e aprovou, sem contrapartidas, a renegocia??o da d?vida dos estados.

Na ponta do l?pis, o centr?o representava apoio de mais de um ter?o dos 513 deputados, mas h? meses vinha impondo dificuldades ao Planalto, inclusive confrontando publicamente aliados fora do bloco.

PUBLICIDADE

PADILHA DEVE ESTENDER LICEN?A

O ministro licenciado da Casa Civil, Eliseu Padilha, manteve nesta ter?a-feira o quadro est?vel ap?s se submeter a uma cirurgia na pr?stata, na tarde de segunda-feira, em Porto Alegre. De acordo com boletim m?dico divulgado anteontem, o procedimento envolveu anestesia geral e n?o teve intercorr?ncias. "As condi?es gerais s?o est?veis", diz o texto assinado pelo urologista Claudio Tel?ken e o m?dico intensivista Nilton Brand?o.

Padilha, de 71 anos, permanecer? em recupera??o p?s-operat?ria e monitorado pelo menos at? hoje. O objetivo da cirurgia era tratar uma obstru??o na regi?o. No dia 20 de fevereiro, Padilha passou mal e foi internado no Hospital das For?as Armadas, em Bras?lia, para tratar de uma obstru??o urin?ria. Na ocasi?o, foi diagnosticado com hiperplasia prost?tica (aumento da pr?stata).

Segundo a assessoria de Padilha, seu retorno a Bras?lia est? previsto para segunda-feira. O presidente Temer e o ministro acertaram uma licen?a m?dica que, em princ?pio, se encerra nessa data. Mas o per?odo de recupera??o do tipo de procedimento a que se submeteu pode ser maior. Este poder? ser o argumento para prolongar afastamento do pol?tico, enquanto seu futuro no governo n?o ? definido.

Tags: Sem Padilha, Temer - BRASÍLIA - Sem seu

Fonte: globo  |  Publicado por: Claudete Miranda
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas